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Amorim pede uma tributação zero sobre os produtos do Haiti

28 janeiro 2010 - 16h15

O Brasil pediu esta quinta-feira (28/01) no Foro de Davos que todos os países do mundo em condições de fazê-lo apliquem tributação zero sobre os produtos procedentes do Haiti durante um prazo de 15 a 20 anos para ajudar na recuperação deste país devastado pelo terremoto de 12 de janeiro.
"Este é o momento para todos os países desenvolvidos e todos os países em desenvolvimento que possam fazê-lo ofereçam tarifa zero e cota livre pra os produtos haitianos", assinalou o chanceler Celso Amorim.

O diplomata brasileiro fez esta proposta durante uma sessão especial sobre o Haiti organizada pelo Foro Econômico Mundial (WEF), que contou com a presença do ex-presidente americano Bill Clinton, emissário especial da ONU para o país caribenho.

"Sempre há um modo de fazer isso se houver vontade política. É preciso fazê-lo por 15, 20 anos, para ajudar o país", insistiu, referindo-se à viabilidade de sua ideia.

Amorim falou sobre quatro questões fundamentais para o país caribenho a médio e longo prazo para superar os danos causados pelo terremoto, que também deixou 170.000 mortos até o momento: o trabalho, a energia, o meio ambiente e a segurança alimentar.

Nesse sentido, pediu investimentos importantes para dar trabalho aos jovens haitianos e ofereceu a cooperação do Brasil para desenvolver biocombustíveis.

Além disso, pediu um intenso programa de plantação de árvores no Haiti para recuperar as condições mínimas do meio ambiente que impeçam novos desastres climáticos, como, por exemplo, inundações.

"As inundações não acontecem porque chove e sim porque o meio ambiente não está preparado para absorver estas chuvas", concluiu.

Bill Clinton, por sua vez, pediu aos empresários reunidos em Davos que invistam com confiança no Haiti e destacou que a tragédia ocorrida pode se transformar numa oportunidade para fazer o país ressurgir depois de anos de miséria.

"Os haitianos precisam ser ajudados através desse odioso desastre natural", enfatizou, explicando que o terremoto pode servir para ressaltar as qualidades deste país historicamente "castigado por ser ignorado e objeto de abusos".

"Eles têm a melhor oportunidade de sua vida de escapar do passado e temos a melhor oportunidade de nossas vidas para ser parte disso", insistiu Clinton, visivelmente emocionado.

Clinton está envolvido há muito tempo com o Haiti, onde passou sua lua-de-mel com sua esposa Hillary.

O emissário especial da ONU para o país caribenho disse ainda que as necessidades imediatas incluem caminhões e centros de distribuição para entregar a ajuda que está disponível, mas é difícil de levar para aqueles que mais necessitam dela.

O pedido de Clinton também se centrou nos meios através dos quais as grandes companhias possam proporcionar ajuda a médio e longo prazo, destacando o potencial agrícola e turístico do Haiti.

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