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Alfaiates sobrevivem da perfeição com roupas na medida

29 agosto 2015 - 07h15

Nesse mundo onde os “enlatados” fazem sucesso, as roupas não fogem à regra. Nas lojas, os cabides estão recheados de opções à pronta entrega ao alcance das mãos para experimentar, experimentar de novo e experimentar novamente até encontrar o modelo que cai melhor no corpo. Mas, que tal se você pudesse ir a um estabelecimento, levar exatamente o tecido que você gosta e de lá sair uma roupa feita do jeito que você imaginou? Pois saiba que é possível. É de clientes que buscam essa perfeição sob medida que sobrevive um profissional muito mais requisitado antigamente: o alfaiate.

Magno Pereira Santos, 68, conhece a profissão como ninguém. Nascido na Bahia, numa família que tem gerações de alfaiates, aprendeu o ofício com o tio e costurou sua primeira calça aos 14 anos de idade. Em 1963 mudou-se para São Paulo e a Dourados chegou em 1973. Na época a cidade era cheia de profissionais como ele. Com o tempo, foi diminuindo a quantidade e hoje ele estima que tenha no máximo uns quatro.

O segredo para permanecer tanto tempo no mercado? Ele acredita que está na qualidade do trabalho oferecido, no bom atendimento e por existir pessoas que ainda buscam esse perfil de profissional que faz roupas sob medida. Magno Alfaiate, como é conhecido, tem alguns clientes grandes, muito altos ou que pesam quase 200 quilos e não encontram roupas para si no comércio.

Também possui aqueles com o corpo perfeito para encaixar nas roupas prontas, mas não dispensam aquela elaborada pelo profissional.

Magno faz pelo menos um terno completo por semana. Além destes, faz ainda vários paletós, calças e camisas separadamente em sua rotina. Mulheres também procuram o profissional, para fazer blazer, calça e saia em modelos mais clássicos de alfaiataria.

Reparos também estão entre os serviços mais procurados, como ajustes em mangas, golas e barras, por exemplo. O trabalho é feito inclusive em jeans e couro. Tem clientes que até compram prontos – inclusive ternos italianos, daqueles que só o blazer custa pelo menos R$ 20 mil -, mas levam para Magno fazer os ajustes. “Sempre tem uma barra, uma manga, um ajuste aqui ou ali para fazer”, conta.

Como um bom alfaiate, ele conta para o serviço com um ajudante, Jeferson Luiz Faustino Araújo, 38, que aprende o oficio com Magno no dia a dia desde que tinha apenas 15 anos de idade. “É ele quem vai herdar tudo isso aqui quando eu me aposentar”, conta Magno sobre sua alfaiataria que fica na área central da cidade. Apesar de mencionar a aposentadoria, garante que está longe de acontecer se depender dele. “Eu gosto do que eu faço, para mim é um prazer. Então, eu venho para cá. Tem muito trabalho. Acho que se eu ficasse em casa parado, adoeceria”, conta.

A maioria da clientela é cativa. Na lista estão juízes, advogados, médicos, entre outros profissionais que usam terno no dia a dia ou apenas para ocasiões especiais. O nome completo de cada um deles, desde que Magno começou a atender, está anotado em cadernos com todas as medidas para usar nas roupas.

São pessoas de todas as classes sociais. “O preço o da mão-de-obra para fazer o terno é a mesma, o que muda é o preço do tecido e esse é o cliente quem compra e traz”, conta. Ele lembra que existem tecidos a partir de R$ 5 o metro para serem comprados com a finalidade de fazer terno.

Além das medidas adequadas, uma boa roupa de alfaiataria tem costura feita praticamente toda a mão, atingindo até locais onde muitas indústrias de roupas prontas usam cola. As provas de roupa também são importantes, é preciso fazer pelo menos duas antes que tudo fique pronto. Mas, não demora muito. Em três dias, é possível ter um blazer bem feito.

Apesar de ter adotado algumas máquinas com novas tecnologias, como a específica para fazer overloque (que antigamente ele fazia a mão), Magno não dispensa algumas tradições para confecção. A máquina de costura que ele usa comprou nos anos 1980 e esta nunca o deixa na mão. É da marca alemã Pfaff, cuja última leva igual a dele foi feita em 1930. “Existem máquinas hoje que fazem o que ela faz, mas eu não troco porque ela faz tudo o que eu preciso e é boa, resistente”, conta ele, lembrando que as agulhas mudaram. “Hoje em dia as agulhas são mais frágeis, essas tenho que comprar sempre porque quebram mais fácil”, afirma.

O advogado, professor e jornalista José Ipojucan Ferreira, 48, não dispensa a tradição. É cliente do alfaiate há 40 anos. “Desde criança eu faço roupas com o Magno”, conta ele, que não se considera mais um cliente, e sim um amigo pessoal.

Calças, camisas e paletós estão na lista das roupas que ele faz no alfaiate, “em razão da perfeição do trabalho, com a medida perfeita para o corpo”. “Eu acho melhor porque você escolhe o modelo, o tamanho que você quer e exatamente o tecido que você quer. É vantajoso porque a roupa é específica para você”, diz.

Terno ele faz a média de um por ano, até porque não há muito desgaste e a roupa feita no alfaiate dura muito. Além disso, faz calças, camisas, paletós e sobretudos. Outra vantagem de ter um alfaiate amigo? As medidas dele estão sempre lá e o profissional já conhece o gosto, então é só confeccionar a roupa.

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