O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PC do B-SP), disse hoje que a Câmara deve aprovar o fim do voto secreto durante o esforço concentrado marcado para os dias 4, 5 e 6 de setembro. "Tenho falado com os líderes e o que sinto é que o voto secreto terá o fim antes das eleições", garantiu Aldo. A votaçao, no entanto, depende de um acordo com o governo, que tem 20 Medidas Provisórias e seis projetos de lei em regime de urgência que trancam a pauta. O líder interino do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), disse acreditar que proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o voto secreto possa ser votada na semana que vem. Segundo ele, o líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), já sinalizou que a oposição tem disposição para votar todas as matérias que trancam a pauta para poder discutir a PEC. O acordo entre os líderes do governo e da oposição pretendem incluir a proposta como prioridade entre as votações A idéia é limpar a pauta, trancada. As MPs devem ser votadas primeiro, pois tem preferência na ordem de votação. Em seguida, o plenário deve votar as urgências e, depois disso, passam a analisar as prioridades. Para Beto Albuquerque, se realmente houver acordo entre os líderes, é possível votar a PEC em três dias. "Se isso é verdadeiro (o acordo), concordo em votar todas as MPs que trancam a pauta e projetos de lei", disse. "Queremos votar todas as matérias que consideramos relevantes, como a telefonia rural e a aposentadoria rural, e até podemos retirar algumas urgências. Mas acredito que não será necessário e que, em um dia e um dia e meio de votação, conseguiremos passar pelas MPs", ressaltou. Segundo ele, para acelerar as votações, é preciso que os deputados abram mão das discussões e dos destaques. Para isso, o acordo entre governo e oposição deve funcionar. "Estou confiando em algo que o líder da minoria disse estar disposto a fazer", completou. Caminho para o fim da impunidadeA PEC já foi aprovada por uma comissão da câmara e está pronta para ir a plenário. O texto retira a obrigação do voto secreto de todas as votações da Câmara, como na escolha mesa diretora, na derrubada de veto presidencial, na escolha do procurador-geral da República e em processos de perda de mandato. A urgência na aprovação da medida surgiu depois da abertura de 67 processos de cassação no Conselho de Ética, por indicação da CPI dos Sanguessugas. Os deputados temem que o voto secreto leve à impunidade nos processos de cassação, com uma onda de absolvições semelhante à que ocorreu com os envolvidos no mensalão.
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