Os preços internacionais do açúcar tendem a subir a partir de agora, depois que as cotações do álcool no Brasil recuaram para perto do custo de produção, o que deve estimular o consumo interno do combustível, disse nesta sexta-feira o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari.
Os preços do álcool caíram fortemente nas últimas semanas, com a entrada da safra de cana do centro-sul, mas Nastari acredita que eles também encontraram uma espécie de piso, por terem chegado perto do custo e porque o consumo deve aumentar.
"Não acho que o preço (do álcool) vá cair abaixo do custo porque existe um grande mercado (de veículos flex) capaz de absorver esta produção maior", afirmou o consultor.
Essa situação reforça a expectativa de que mais cana será direcionada à produção de álcool nesta safra, o que representaria uma redução no excedente exportável de açúcar.
"À medida que essa expectiva de excedente (de açúcar) diminui, a gente deve caminhar para uma convergência de preços (entre açúcar e álcool). Não significa que o açúcar vai voltar para 11 (centavos de dólar)... mas acho que os preços devem se recuperar", disse ele.
Nastari disse que o crescimento da frota de veículos flexíveis traz "como novidade" uma maior elasticidade entre oferta e demanda de álcool no curto prazo. Ou seja, quando o preço cai, o consumo aumenta mais rapidamente.
"Sendo este mercado capaz de absorver um excedente (de álcool), acho que os produtores não vão sacrificar o preço para exportações (do combustível)", considerou Nastari.
A visão do consultor difere um pouco da de boa parte do setor, que vê a exportação como uma "válvula da escape" para reduzir um possível excesso de oferta no mercado interno.
Apesar da forte queda nas últimas semanas, o preço do álcool ainda é superior ao do açúcar no mercado mundial.
O valor atual do hidratado, segundo Nastari, equivale a um preço FOB do açúcar de 11 centavos de dólar por libra-peso - há apenas dois meses era de 13,40 centavos. Enquanto isso, o açúcar é negociado em Nova York em torno dos 9 centavos.
Corretores afirmaram esta semana que, com a queda recente de preços, começaram a surgir vários negócios para exportação de álcool que estavam adormecidos nos últimos meses em detrimento das vendas internas, até então mais rentáveis.
Nastari afirmou que, com usinas dando preferência ao álcool, o excedente exportável de açúcar este ano deve ficar muito proximo do registrado no ano passado.
A Datagro projeta um aumento de 2,7 pontos percentuais na fatia da safra de cana do centro-sul indo para álcool. Esse volume deve chegar a 53,1% em 2007/08 ante 50,5% na temporada passada.
A consultoria estima a safra da região em 415 milhões de toneladas, frente a cerca de 371 milhões em 2006/07.
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