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Ainda há adoradores de trabucos e baionetas.

15 fevereiro 2010 - 07h34

É incrível como conceitos tão superados ainda encontram ressonância na sociedade. Alguém já de olho nas eleições municipais de 2012 anunciou que governaria a sua cidade como uma grande empresa. É gente da mesma estirpe que anuncia a competência como panacéia de uma administração pública.
De fato para se administrar uma empresa necessita-se de competência, ou seja, certa gana para competir, para ganhar do concorrente. Para administrar uma cidade é preciso ter capacidade, o que é um tanto diferente de competência, embora os dicionários já não diferenciem tão precisamente os dois termos.
Administrar uma cidade não é fazer concorrência com outras co-irmãs, embora ainda existam mentalidades argumentando o contrário. Administrar uma cidade é ter a capacidade de dar aos seus cidadãos os meios necessários para uma existência digna, promovendo a geração de empregos, oferecendo educação e saúde de boa qualidade, gerando condições de moradia e transporte adequados, enfim, elevando o Índice de Desenvolvimento Humano dos cidadãos..
O mesmo conceito pode muito bem ser aplicado aos estados de uma federação: o governo central deve promover o desenvolvimento harmonioso de todas as células que formam o país. E se essa mesma regra não se aplica entre os países não é porque o conceito não seja válido, mas porque o nível civilizatório da humanidade ainda não alcançou essa compreensão. Então os estados precisam se armar e competir para serem melhores e mais fortes uns em relação aos outros.
Agora, ainda piores que esses conceitos ultrapassados de governo do tipo empresarial, mas que encontram guarida no seio do eleitorado, existem coisas muito piores. Menciono dois: o patrulhamento ideológico e o golpismo.
O exemplo mais recente de patrulhamento ideológico em Mato Grosso do Sul deu-se em relação à declaração do prefeito Nelson Trad em apoio a Dilma Rousseff para presidente. Nelsinho é do PMDB, o PMDB é aliado do PT, por que então certos jornalistas engajados censuram de maneira aberta ou subliminar a atitude do prefeito de Campo Grande? Por que ao invés de censurarem o prefeito de Campo Grande, não cobram atitude idêntica do governador André, que sendo aliado de Lula e recebendo tratamento condigno, chegou a fazer de Dilma a sua fada madrinha?
Quanto aos golpistas, esses ainda não afinaram bem o discurso, mas já saíram à campo, com língua bifurcada, espalhando rumores dúbios. Estavam até há pouco eriçados com a eventualidade de um terceiro mandato de Lula, mas descartada essa possibilidade - não por poder deles, mas pela firme decisão do presidente em não render-se a essa tentação - ainda que timidamente, ensaiam agora as suas nefastas profecias ditatoriais.
E-mails e mais e-mails, elaborados sabe-se lá onde e por quem, tentam mostrar uma Dilma guerrilheira, capaz de pisar sobre cadáveres e de implantar uma ditadura no Brasil. Outros e-mails e ultimamente até artigos em jornais, procuram mostrar a existência de certo desconforto entre as forças armadas que poderiam redundar em uma nova ditadura militar. Esse desconforto seria causado de um lado pelo “perigo” Dilma e, de outro, pela decisão presidencial em relação à compra dos caças franceses.
Velhos udenistas ressentidos, saudosos do golpismo, chegam ao disparate de afirmar que as ditaduras são cíclicas, o que induz o incauto a pensar que já está na hora de elas voltarem. E por que não no Brasil, diante da iminente vitória da candidata petista?
Cito um historiador francês do século 19, chamado Momsen, não literalmente, porque o li no início dos anos de 1970, mas em tradução livre. Dizia ele que é mil vezes preferível um mau governo eleito pelo povo que uma boa ditadura imposta ao povo. Os maus governos eleitos passam, as ditaduras, por sua vez, como disse Elio Gaspari, são fáceis de serem implantadas, mas difícil de serem extirpadas.
Por fim, nunca é demais ressaltar que a cada instituição e a cada categoria compete uma missão: aos professores educar; aos juizes, julgar; aos políticos, governar e legislar; ao exército zelar pela soberania pátria. Quanto aos pensadores, compete pensar e expor as suas idéias, o que não se pode, é por em prática idéias que firam os Sagrados Direitos Humanos, que gerem autoritarismos que prendam, torturem e matem cidadãos.
Aos meios de comunicação, que tanto defendem a democracia e a liberdade de imprensa cabe a tarefa de denunciar atos autoritários e desencadear campanhas regulares para que as ditaduras e as consequentes violações aos direitos humanos não se repitam jamais.
Suas críticas são bem vindas: biasotto@biasotto.com.br

 
 
Wilson Valentim Biasotto *
* Da Academia Douradense de Letras. Professor aposentado CEUD/UFMS

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