O comando da FAB (Força Aérea Brasileira) determinou na quinta-feira, 21, a prisão de Moisés Gomes de Almeida, vice-presidente da Febracta (Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo) da região Centro-Oeste, por uma entrevista concedida à rádio CBN na sexta-feira passada, segundo informações da própria rádio. Essa já é a segunda prisão ordenada pela Aeronáutica em represália a entrevistas concedidas por controladores de vôos à imprensa sem autorização prévia.
A ordem de prisão do sargento Carlos Trifilio, presidente da Febracta, veio na quarta-feira, por entrevista à revista Veja. Trifilio começa na próxima semana a cumprir uma primeira punição, de quatro dias. A FAB também determinou que ele fique detido por mais 20 dias a partir do dia 2. Trifilio recorrerá dessa segunda punição nesta sexta-feira, 22, na Justiça Militar e no Supremo Tribunal Federal.
O clima de caos nos aeroportos do País continua nesta sexta-feira, 22, pelo quarto dia consecutivo. Na quinta-feira, com novos problemas no centro de controle de vôo de Brasília, Cindacta-1, alguns passageiros tiveram que ficar 24 horas à espera de embarque e 46% dos 1.475 vôos previstos até as 18h30 sofreram atrasos (38%) ou cancelamentos (8%). Para a Aeronáutica, os transtornos foram causados por uma operação padrão; controladores denunciaram pane nos equipamentos.
A FAB está enfrentando uma “guerra dos consoles” no Cindacta-1, em Brasília, por causa da estratégia adotada pelos controladores para manter o maior número possível de aparelhos desativados. Eles alegam problemas que exigem que a máquina seja inspecionada ou trocada. Quanto mais terminais fechados, menor o número de aeronaves sob controle e maior o espaçamento entre vôos. É desse jeito que os controladores mantêm uma operação padrão desde terça-feira.
Big Brother
A resposta dos oficiais foi no estilo “Big Brother”. Eles mandaram instalar duas câmeras direcionadas para os controladores. Um dos sargentos admitiu que o clima no centro de Brasília é de “apartheid”. “Controlador quase não fala com oficial e oficial fala o mínimo possível.” No início da tarde, num intervalo entre reclamações técnicas dos controladores e a substituição de aparelhos, só dois dos nove consoles do Cindacta-1 permaneceram em funcionamento.
O chefe do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea do Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea), tenente-coronel Gustavo Adolfo de Oliveira, disse que, por segurança, o espaçamento entre vôos passou a ser de 20 minutos - o normal é de até 4 minutos. À noite, a Aeronáutica informou que o Cindacta-1 funcionava “com o número de consoles previsto”. Mas a situação piorou: às 21h10, o espaçamento de vôos em São Paulo subiu para 1 hora.
Os controladores chegaram a promover entre eles uma consulta sobre o que fazer diante da falta de atendimento às suas reivindicações, como aumento de salários e desmilitarização do setor. Da consulta saiu a decisão de não deflagrar, por enquanto, greve geral, como a de 30 de março. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu carta branca ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, que chega nesta sexta-feira de Paris, para que tome as “medidas cabíveis” com vistas a restabelecer a normalidade do tráfego aéreo.
Culpado
O presidente da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), brigadeiro José Carlos Pereira, afirmou que os atrasos nos aeroportos do País só devem terminar no início desta noite, “se nada mais acontecer”. À tarde, circularam em Brasília rumores de que Pereira seria demitido pelo presidente Lula, desmentidos pelo Palácio do Planalto.
Pereira afirmou que o grande culpado da situação crítica dos aeroportos brasileiros é a falta, no passado, de um planejamento de longo prazo para o setor, que apontasse, por exemplo, quantos controladores de vôo o País precisaria ter hoje. Segundo ele, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) já está elaborando esse plano, que deve ser posto em prática no prazo de um ano.
Caos
Os principais aeroportos do País tiveram na quinta mais um dia de caos, com transtornos e muita irritação de passageiros. Pela manhã, no Aeroporto de Brasília, algumas pessoas tentaram agredir funcionários da Gol e invadir o balcão de check-in da companhia aérea. A segurança do aeroporto foi acionada. Tudo por conta do atraso de 24 horas de um vôo para Porto Velho.
A situação no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, permanecia complicada durante a noite. Por recomendação da Infraero, a TAM, que opera o maior número de vôos no terminal, estava usando o desativado balcão de check-in da Varig para tentar diminuir as filas. Passageiros dentro da sala de embarque relataram que os corredores estavam lotados e não havia mais comida nas lanchonetes.
Em Congonhas, aeroporto mais movimentado do País, não houve tumulto nem filas muito grandes. Às 20 horas, 26% dos vôos no terminal estavam com atraso superior a 45 minutos. O aeroporto teve o horário estendido até 1 hora. A média do tempo de atraso no Aeroporto Tom Jobim era de quatro horas. Este foi o tempo que os jogadores da Seleção Brasileira esperaram na sala vip de embarque para decolarem com destino à Venezuela. Os Aeroportos de Recife e Fortaleza registraram os maiores índices de atrasos no País até as 18h30 de quinta - 73% e 69,7% dos vôos, segundo a Infraero.
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