O que fazia Hitler contra a Lei, a sociedade pós-moderna faz legalizada.Numa das vezes que fui à Europa, visitei os Campos de Concentração e Extermínio de Berlim, Alemanha. Foi um duro golpe na minha consciência que já viu tantas coisas maléficas nos meus 37 anos, mas confesso que não imaginava tamanho horror provocado pelo Nazismo. Aliás, todos que tomam conhecimento pela TV, jornais, revistas, deste regime nefasto, se assustam e se perguntam: como pode alguém (ou algumas pessoas) assim agir para destruir o ser humano?Hitler nunca mais! Há quase dois anos sou, juntamente com uma equipe, responsável pela juventude da Diocese de Dourados, Diocese que é composta por 36 municípios. Até então viajei por quase todas as cidades, tendo contato com milhares de jovens, e, estou fazendo uma triste constatação: a Cultura da Morte que o mundo quis banir depois da II Guerra Mundial, refutando as guerras, que nestes 50 anos não cessaram, está de volta e de forma mais sutil e nefasta, pois agora ela vem amparada na Lei.O Papa Bento XVI numa de suas catequeses recentes, alertou para o absurdo que agora se apresenta aos nossos olhos. Aquilo que Hitler fez ilegalmente, condenado pela humanidade, hoje a sociedade está implantando amparada na Lei, aprovada por Parlamentos e sancionada por Executivos nos mais diversos países. Como estamos em tempos de globalização, estas Leis estão em pauta no nosso Congresso Nacional e têm a simpatia do Governo Federal, é bem verdade que esta simpatia já vem do Governo anterior, que abriu muitas brechas para se chegar a este estágio.Em se falando de Cultura da Morte e a experiência com nossos jovens, nos encontros de formação que promovemos, tratando de temas como escola, drogas, relacionamentos familiares, sexualidade, aborto, o tema mais quente é sem dúvidas o aborto, devido a suas implicações. Para nossa tristeza e profunda preocupação, esta anti-cultura está entrando de cheio na mente e no coração da nossa juventude. É alarmante a porcentagem daqueles que defendem tal prática, principalmente originadas de estupros, por falta de recursos para sustentar o filho ou ainda, por ser mãe muito jovem; outros desgraçadamente usam o infeliz argumento que faz parte dos direitos da mulher.Porém, quando revelamos algumas facetas da infame prática, 99% mudam de opinião. Basta esclarecer a quem realmente interessa o aborto, esclarecer quando começa a vida e que, logo após a fecundação, isto é, do encontro do espermatozóide com o óvulo, ali já se define, por exemplo, a cor dos olhos e se a pessoa será ou não careca, entre outras características. Também no aspecto psicológico, na fecundação há o começo do “EU PESSOAL”, constatado por quem trabalha com regressão ou com a Abordagem Direta do Inconsciente.No que se refere ao aspecto religioso, o “EU PESSOAL” seria a alma que começa a habitar num novo ser humano, um ser que a partir deste momento não é a mãe ou o pai, mas uma terceira pessoa, e que por isso o argumento que “meu corpo me pertence” fica invalidado.Não fora o útero materno o lugar mais sagrado e seguro à vida? O lugar mais protegido? Este lugar sagrado virou um campo de batalha onde o alvo é o inocente-indefeso. Como podemos nos escandalizar com Adof Hitler que foi combatido e derrotado, ele e seu regime, com Hizbollah, PCC, se um indefeso não pode ter mais sua vida amparada na Lei, ao contrário, a Lei agora o condena à morte?Não poderia existir pior campo de extermínio! Não podemos mais falar em Direitos Humanos, não podemos mais planejar uma velhice segura, pois se a criança no útero atrapalha a mãe, o velho poderá se tornar um peso ao filho, atrapalhando e dando a este filho o direito de também tirar-lhe a vida. Em ambos os casos devem morrer, pois o que vale é a vida do mais forte, o que vale é o útil, o fácil.Lei é uma coisa, justiça não deveria ser outra, porque infelizmente nem todas as leis são justas. Preocupa-me que os jovens de hoje, enganados por esta Cultura da Morte, serão os dirigentes de amanhã, serão os pais. O que será de nós se eles continuarem a receber tal educação, digo, tal “deformação”? Mas, o que será deles se esta anti-cultura perdurar? Não serão também vítimas desta mesma “cultura”? Justiça não mata indefesos! Aliás, vale a pena recordar o Mestre Jesus, repetindo o decálogo no seu 5º mandamento: “Não Matarás!” Se alguém matou não cabe a nós a vingança. A vida pertence ao seu Criador, respeitemo-la. Vamos sim construir uma sociedade justa, onde a vida esteja no pico da pirâmide e não soterrada sob os escombros da violência.Pe. Crispim Guimarães dos SantosAssessor da Juventude da Diocese de Dourados, MS
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