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A Musicalidade Douradense, por Isaac Barros Junior

31 janeiro 2011 - 11h15

Dos tempos antigos, mais singelos e inocentes, evocando a fase das serenatas românticas, percebo que aquelas lieds hoje estão esquecidas, até no jeito como as faziam seus últimos protagonistas ainda vivos. Devido à forte senilidade desses figurantes envelhecidos, noto existir neles uma espécie de tempero imêmore ao conversar, principalmente quando os faço mergulhar nas ondas dessas nostalgias desaparecidas materialmente. Perdoem-nos, pois, os parentes daqueles músicos pelos nomes não mencionados neste artigo. Mas, das minhas recordações de andarengo nessas noitadas em incursões seresteiras por muitas janelas, sinto que alguns daqueles instrumentistas deixaram saudades calcadas.

Afinal, esses músicos foram assaz conhecidos em Dourados outrora, por serem festeiros quase puros e alegres. Daqueles artistas caseiros, do meu passageiro interesse por essa arte melodiosa, ressalto que a maioria era composta de moradores daqui e foram considerados artífices consagrados na arte musical. Solicitados, apresentavam-se na pequenina povoação douradense, apreciados como exímios tocadores de bandoneon, gaita, violão e viola. Recordo, que para dar descanso aos companheiros daquelas noitadas baileiras, os vi revezando enumeras vezes. Simplórios, eles trocavam publicamente de mãos, os instrumentos de cordas pelos de foles e teclado. Porque era normal naqueles anos idos, as pessoas ouvirem aqueles caboclos afinados, saberem magistralmente tirar melodias em variados instrumentos.

Januário de Araújo, o mais longínquo artista douradense que conheci, animava musicalmente diversos casamentos e aniversários, acompanhado da filha Silvia. Ela, além de ter sido minha professora, tinha uma bonita voz. Secretamente, quem a ensinou tocar violão, foi o Claudiomiro Martins, seu ardoroso apaixonado platônico. Um dia, aos quinze anos, foi surpreendida por seu pai, dedilhando ao violão e embora ficasse preocupada, porque moças recatadas eram proibidas de tocar tal instrumento, surpresa recebeu dele um convite para ser componente do seu grupo musical. Theodoro Capilé, Hugo Sulim, Jorge Marra, Rene Miguel, Jamil Araújo, Borginho Capilé, Aral Mello, Wilmar Gordim, Cambaí Cuê, Leonidas Além, Moacirzão do cavaquinho, Paulo e Moacir Stein, Fred Pereira, Victor Vagner e João Ari, reinaram nas cordas. Os gaiteiros Marcilio e Cedario Vargas, Zé Correia, Silvério Villhanueva, Didi Pedrozo e a Cléo Melo, ainda fazem ecoar suas gaitas em meus ouvidos. A harpa do paraguaio Chaló e o organista Armando, fizeram e ainda fazem parte dessa plêiade musical talentosa.

Entretanto, contando histórias verídicas da musicalidade de uma comunidade, sei que dela só conhecemos parte. Portanto, resolvemos narrar àquilo que vivenciamos ou músicos que ouvimos. Assim, nossa opinião pode vir a ser considerada um depoimento parcial, cheio de achismos. Desse modo, tomei a decisão de comentar bandas musicais que conheci e fizeram-se admiradas pelo publico nativo, com seus cantores e cantoras pratas da casa. Enfim, douradenses octogenários, admitem que eram fãs das cantoras Glórinha Muzzi e Silvia Araújo. Porém, garanto que a soma dessas pessoas e seus dotes comentados, são oriundos de minhas conclusões pessoais, sem deixarem de ser fatos concisos. Entretanto, muitos daqueles que não os conheceram apresentando-se nos palcos e em bailes, vão tipificar esta minha narrativa de fantasiosa.

Todavia, como ninguém pode mudar o ontem, usando de artimanhas forasteiras, esse pouco dos fatos verdadeiros transcorridos ou daquilo que sabemos dele, queremos compartilhá-lo com as futuras gerações. E para imortalizar essas cenas soeres dessa musicalidade interiorana, descrevo-as para não vê-las cair no esquecimento. Naturalmente que nesta crônica, fazemos um alerta antes do tempo passar apagando as nossas melhores lembranças e emoções. Ou caso contrário, assistiremos historiógrafos sem compostura, se dizendo douradenses adotados, posarem de conhecedores profundos dessa história musical aqui narrada. Desastroso será, se a adaptarem em versões enganosas, recriando-a segundo suas conveniências políticas e pessoais, acintosamente pisando no passado e nos verdadeiros pioneiros...

*advogado criminalista, jornalista.

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