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ARTIGO

A exploração política de uma tragédia...

25 maio 2024 - 17h40Por Rodolpho Barreto

O BRASILEIRO tem sido exemplar na resposta à calamidade das enchentes que engoliram todo o Rio Grande do Sul. Seja na atuação dos voluntários que colaboram com os resgates, seja na ação de empresas e entidades da sociedade civil organizada, seja no volume massivo de doações de alimentos, roupas e outros itens de primeira necessidade provenientes de todo o país, a solidariedade demonstrada nesses dias é motivo de orgulho nacional. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer da cúpula do poder federal, que parece muito mais interessada em capitalizar em cima da agonia dos gaúchos e promover a própria imagem. 

A máquina de propaganda governamental mostrou não ter limites, por exemplo, ao transformar em espetáculo o resgate de um cavalo, elevado a “símbolo da resistência” em meio a inúmeros dramas humanos e histórias notáveis de resiliência entre os gaúchos. A primeira-dama posou sorridente dentro de um avião da Força Aérea Brasileira, com cestas básicas nos assentos. Fazendo cena com a desgraça do povo!?  Pois é... Em São Leopoldo, aproveitaram para fazer comício com a situação.

O DEMAGOGO, admirando-se de haver "muitos negros no Rio Grande do Sul", fez mil promessas, atacou seu antecessor (para variar), disse querer disputar mais “umas dez eleições” e disparou piadinhas, entre aplausos e gritos de guerra, em um clima que em absolutamente nada condiz com a situação atual pela qual passa a maioria dos gaúchos, um momento em que deveria haver sobriedade, não o circo montado não por acaso na cidade que é um dos principais redutos petistas do RS. O espetáculo, ainda por cima, serviu para formalizar uma outra forma de exploração política da tragédia...

Em São Leopoldo, Lula empossou seu ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, como secretário extraordinário de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, um novo órgão que ninguém sabe exatamente o que fará, mas que dará muita visibilidade a Pimenta. Ele não tem nenhuma experiência no gerenciamento de catástrofes; seu campo é a propaganda, o que vem bastante a calhar diante da necessidade de promover a imagem do governo federal. Ainda mais relevante é o fato de Pimenta ser o pré-candidato petista ao governo do estado em 2026, e ganhar um palanque antecipado com o novo cargo.

O DRAMA dos que perderam tudo, para Lula e seu entorno, não passa de mais uma oportunidade de autopromoção e de movimentações eleitoreiras. O governo federal tem papel fundamental na reconstrução do Rio Grande do Sul, mas não com sensacionalismo, nem com espetáculo, muito menos com politicagem rasteira. No entanto, pedir sobriedade e respeito talvez seja demais para quem está convicto de que tudo no país deve servir a seus interesses particulares. (Fonte: gazetadopovo.com)

No momento trágico por que passa o RS a palavra de ordem deveria ser união. União para trabalhar, união para reconstruir. Porém, o exemplo, que deveria vir de cima, não é este. Ele, que já fez palanque político até mesmo no velório de sua esposa, Marisa Letícia, decidiu pisotear a memória de centenas de vítimas fatais das enchentes no Rio Grande do Sul ao fazer do encontro com autoridades em São Leopoldo um evento festivo e de campanha política. Um desrespeito com quem está chorando suas perdas; com quem está abrigado em ginásios; com quem está ajudando a reerguer o estado voluntariamente.

O MINISTRO da Comunicação do governo, Paulo Pimenta, foi empossado no evento petista como espécie de interventor federal no RS. A Medida Provisória assinada foi erguida por Lula e Pimenta como troféu a ser celebrado com a plateia amestrada. Esta, por sua vez, não economizava palavras de ordem diante de um constrangido Eduardo Leite, governador eleito do Rio Grande do Sul a cada minuto que passava mais deslocado no evento - e, a depender do PT, também de sua cadeira no Piratini. (Marcel van Hattem)

Apresentada em plenário emenda que anistiava a dívida do RS com a União, a bancada petista inteira do estado contrariou a posição historicamente defendida pelo PT para votar contra a proposta, mantendo o estado atolado financeiramente muito além da lama que sobrará das fortes chuvas, cujos danos causados já atingiram mais de 90% dos municípios gaúchos. União e reconstrução é o lema do governo federal, porém, NA PRÁTICA, a história é outra...

O EXIBICIONISMO estatal e o ciúme do governo em relação à caridade civil espontânea são nítidos. Pimenta, hoje é "governador" rio-grandense de fato, uma vez que o timorato Eduardo Leite, auto-humilhado por sua própria ausência de virtudes, foi colocado de lado, sem oferecer resistência. A nomeação de um "reconstrutor" do Rio Grande do Sul para fins políticos foi um ato de escárnio com todos aqueles indivíduos e organizações que, diante da letargia paquidérmica e da ineficiência estatal, empenharam esforços heróicos para os primeiros socorros às vítimas. (Flavio Gordon)

Pela postura tirânica, fica claro que, em lugar de reconstruir o estado afetado, o que o governo quer reconstruir é a própria imagem, gravemente danificada aos olhos da sociedade. Esperando por um Plano Marshall, os gaúchos receberam o "Plano Pepper". Tudo virou um teatro. E, dentre os muitos atores canastrões da peça, destaca-se a senhora Janja da Silva, começando pelo sensacionalismo em torno do cavalo Caramelo, e culminando na inusitada foto do avião presidencial com kits de ajuda em cada um dos assentos (numa clara subutilização do espaço). Tudo visando tão somente à autopromoção.

O CLIMA era de satisfação, sorrisinhos, piadinhas, polegares para cima, brincadeiras... Tudo para adular Lula, o salvador e protetor. Com ele, o Brasil se tornou um país maravilhoso. Tudo graças a ele, até que um “incivilizado” chegou ao poder. Não ficou pedra sobre pedra. Ah, se tivessem gastado com prevenção, não seria necessário tanto dinheiro na emergência, disse ele... E a plateia se calou, não aplaudiu... Nos últimos 22 anos, 16 se passaram com seus ídolos no poder.

Foi um comício mórbido. A exploração eleitoral de uma tragédia... E ele quer viver até os 120 anos, disputar umas dez eleições. Aplausos, aplausos, desgraça pouca é bobagem. Ele não tinha noção de que no Rio Grande do Sul havia tanta gente negra... Aplausos! E ele sai por aí, beijando muito as pessoas, coisa que não fazia: “Eu tô ficando moderno agora. Para mim, pode ser homem ou mulher, eu vou beijando logo”. (Ernesto Lacombe)

A HIPOCRISIA tomou conta. Lula e sua trupe fazendo política sobre cadáveres e os escombros daquilo que um dia foi o lar e o sustento de centenas de milhares de gaúchos... Partindo DELE, não é bem novidade, você diz e eu concordo. Lula está acostumado a fazer política sobre caixões. E pelo mesmo caminho vai a digníssima esposa, o caminho do deslumbramento. No avião presidencial, cercada por cestas básicas destinadas aos flagelados pelas inundações. 

Detalhe: cada uma das cestas viajou com o cinto de segurança devidamente afivelado. A salvo, portanto, de qualquer turbulência. Que loucura! Fez filmagem, assistindo a um cordão humano que tira doações de um helicóptero...Pois é! Parece publicidade porque publicidade é. Diante disso tudo, fico me perguntando se tem alguém disposto a comprar esse heroísmo de ocasião, essa ajuda cenográfica, essa lágrima técnica que escorre das fuças sem-vergonhas das nossas autoridades... (Paulo Polzonoff)

 O TAL do Pimenta persegue prefeitos da oposição e não faz nada: não existe nenhuma providência útil que possa ser atribuída a ele. É o contrário. Ele próprio revelou que está perdido. “A cada hora aparece um problema novo, e a gente não sabe nem para que lado mexer”, disse. “Eu acho que nós temos de nos fixar em alguma área específica. Mas não sei exatamente que área seria essa.” O resto das autoridades, em geral, vai na mesma toada.

O interesse não é trabalhar e ajudar. É exibirem a si mesmos. Desastres naturais, em todo o mundo, são ocasiões em que o governo tem de se mostrar eficaz, não falar de si e respeitar o luto das vítimas. Lula transformou a catástrofe gaúcha numa quermesse do PT, com coros de “Lulalá”, fotos com cachorrinho no colo e a primeira-dama rindo de tudo como se estivesse numa festa em sua homenagem. (JR Guzzo)

A TRAGÉDIA das enchentes no sul do país deixou algo muito claro: o Estado brasileiro não é apenas ineficaz. Não peca apenas por omissão. Demonstra um ódio ativo à eficácia e à boa ação dos particulares. Em termos morais, o Estado brasileiro não se contenta em ser mau. Nutre ódio pelos bons. O Estado ressente-se da caridade particular, e busca uma vingança contra os que praticam o bem. É por isso que, a todos os cidadãos empenhados em socorrer e denunciar os entraves estatais à caridade direta entre as pessoas, resta-nos orar por proteção divina. Que Deus guie e proteja os justos! (Flavio Gordon).
 

O autor do artigo é bacharel em Direito pela UFMS e especialista em Direito Público. Facebook/Instagram: @rodolphobpereira. 

As opiniões contidas nesta artigo não refletem necessariamente a opinião do Dourados News. 

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