No final da década de 1970, quando a famigerada ditadura militar dava seus últimos suspiros de maldade e a lei da Anistia trazia seus filhos cassados de volta para a pátria amada, e o bipartidarismo – ARENA/MDB davam lugar ao pluripartidarismo, conheci pessoalmente o trabalhista histórico Wilson Fadul, falecido em 18 de outubro último. Naquele período de euforia democrática surgiram novos partidos políticos no país, muitos deles em franca atividade até os nossos dias.
Naquela época estava na faculdade e militava clandestinamente no clandestino PC do B (Partido Comunista do Brasil) liderado pelo João Amazonas. Recebia e distribuía nosso jornal “Tribuna Operária” na cidade. Como ao PC do B não era permitida sua legalização, seus seguidores militavam em outros partidos, principalmente no PMDB. Eu fui para o PDT (Partido Democrático Trabalhista), onde participei ativamente da criação e organização da legenda em Dourados e na região.
Nossa luta não era fácil, afinal havíamos perdidos, numa manobra de Golbery do Couto e Silva, ministro e estrategista da ditadura militar, a sigla do PTB de Getúlio Vargas para sua sobrinha Ivete Vargas. Foi aí que os petebistas históricos liderados por Leonel Brizola fundaram o PDT. Aqui no Mato Grosso do Sul a articulação da nova sigla ficou a cargo de Fadul, Alarico Reis D’ Ávila, Wilson Grunewaldt, Harrison Figueiredo, Ramão Perez e de outros militantes históricos e de uma juventude aguerrida e sonhadora.
Organizado institucionalmente nas principais cidades, chegou o grande momento de lançar as candidaturas para o pleito de 1982. Organizamos uma recepção em Dourados para o nosso pré candidato ao governo de MS. Foi numa manhã, não lembro o dia da semana, estávamos reunidos na sede do partido, quando chegou com sua mulher, dirigindo uma “peruinha” Ford Belina, Wilson Fadul. Foi uma recepção bonita quando aquele homem de cabelos brancos desceu do veículo e se dirigiu para o interior da sede do PDT. Vou citar aqui algumas das pessoas que estavam no local para recepcionar o grande Fadul: Harrison Figueiredo; Seo Agápito, da cidade de Douradina; Ramão Perez; Cícero Irajá; Walmir Taborda; (todos os citados acima já falecidos); José Marques Luiz; Atílio Torraca; Isaac de Barros, Severino Porto, da cidade de Douradina e mais um grupo eufórico para fazer campanha política eleitoral, afinal a maioria dos presentes nunca havia votado em governador.
Wilson Fadul cumprimentou um a um os correligionários (as) e na sua vez de falar, fez um discurso sobre a conjuntura nacional e estadual, com sua fala mansa, tranqüila, serena e cheia de sabedoria, talvez prevendo um possível desastre eleitoral, levantou o moral dos trabalhistas e encheu de esperança a militância do PDT para a campanha que se aproximava. Confesso, saí dali acreditando que a vitória nas eleições, estava bem próxima de nós. Depois daquele lançamento memorável estive várias vezes com Fadul durante o pleito de 1982. Ele sempre tanquilo e afável com as pessoas.
Devo esclarecer que naquelas eleições, o voto era vinculado e o eleitor votou em governador, senador, deputados federal e estadual, prefeito e vice e para vereador. Para governador de MS eram quatro candidatos: Wilson Martins (PMDB) José Elias Moreira (PDS), Wilson Fadul (PDT) e Antônio Carlos de Oliveira (PT). Em Dourados tínhamos pelo PDT 03 candidatos a prefeito, Ramão Perez, Cícero Irajá e Isaac de Barros e um único vice o Antônio Donida. Fadul veio várias vezes fazer campanha na cidade e alimentar a esperança da companheirada.
Na nossa propaganda do governador tinha um mini currículo do candidato informando que o mesmo havia sido prefeito de Campo Grande, deputado federal e ministro da saúde do governo de João Goulart. Lembro que as pessoas, um pouco mais instruídas, diziam o candidato de vocês é o melhor, o mais preparado... Falar é uma coisa, votar é outra. As palavras elogiosas deixavam a gente cada vez mais confiante. Naquela época não se via falar abertamente de compra de voto como hoje, onde eleitor se vende em troca de migalhas, mas existia. Tanto é que as candidaturas majoritárias de Fadul e Antônio Carlos ficaram muito aquém das apoiadas pela força do poder econômico. Mesmo não elegendo nenhum de nossos candidatos, devo dizer que o pleito foi memorável, especialmente porque naquele ano prosseguimos com mais um passo firme em direção a democracia plena, conquistada um pouco mais tarde com a Constituição cidadã de 1988.
Quanto à Wilson Fadul, deixou um legado de seriedade, honestidade, espírito público e humildade. Legado este escasso nos políticos da atualidade. Do fundo do coração, digo Adeus Wilson Fadul, Que Deus o tenha.
*Ribeiro Arce
*professor da rede estadual de ensino de MS. E-mail: ribeiroarce@gmail.com
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