A Seção Criminal do Tribunal de Justiça acatou nesta terça-feira (05), por unanimidade, denúncia do MPE (Ministério Público Estadual) contra o prefeito de Bataguassu, João Carlos Aquino Lemes (PT). Ele e uma empresária do município são acusados de fraudar, por três vezes, licitações no município. Além deles, outros três servidores são acusados de praticar o mesmo crime por uma vez.
Segundo a denúncia, o prefeito, juntamente com os demais denunciados, fraudaram licitações para a contratação de serviços para eventos festivos da cidade, a fim de que a empresa Bora Bora saísse como vencedora.
Segundo o Ministério Público, no primeiro caso, há indícios de que o prefeito, sob orientação do assessor jurídico, teria aberto dois procedimentos licitatórios, um na modalidade carta convite e outro na modalidade tomada de preço, para a contratação de empresa de som e iluminação para a realização dos eventos “Grito” e “Baile de Carnaval 2007”, que totalizaram R$ 122.555,00.
O MP alegou que o fracionamento do objeto do certame teria ocorrido tão somente para que se furtasse ao limite prescrito em lei que determina que a modalidade carta convite não deve ultrapassar R$ 80.000,00, caso contrário deve ser feito por tomada de preço. Relata ainda a denúncia que os avisos das licitações não foram, de fato, afixados no mural da Prefeitura, prejudicando, sobremaneira, o caráter competitivo do certame.
No segundo caso, o prefeito teria fraudado licitação para a contratação de equipamentos e materiais de som, iluminação e banheiros químicos para a realização do “Reveillon 2006”. O MPE alega que a empresa Bora Bora apresentou proposta de R$ 16.000,00 e outra concorrente teria apresentado proposta de R$ 12.000,00 para execução do serviço.
No entanto, embora a empresa concorrente tenha apresentado menor proposta, foi desestimulada a participar do certame. Segundo a denúncia, o setor de licitações estaria criando obstáculos à participação da empresa que teria ofertado menor valor que a Bora Bora. Assim, a empresa acabou desistindo de participar do pregão, e o Município acabou gastando mais com o serviço que poderia ter sido prestado por menor preço.
O terceiro fato narrado pelo Ministério Público é um processo licitatório na modalidade convite, no entanto alega o MP que não teria passado de uma simulação, uma vez que a empresa vencedora não possuía condições de cumprir o contrato, tendo subcontratado totalmente o material de outra empresa.
A empresa Bora Bora ganhou a licitação declarando que possuía os equipamentos e materiais exigidos no certame, no entanto subcontratou o material, afrontando item do edital que vedava tal prática. Além disso, a Bora Bora teria lucrado R$ 3.000,00 pela diferença na subcontratação dos equipamentos.
De acordo com a relatora do processo, Desembargadora Marilza Lúcia Fortes, “no caso dos autos, da leitura contextualizada da denúncia apresentada e dos documentos colacionados, extrai-se que há indícios suficientes das fraudes a autorizar o início da persecução penal”.
Ainda conforme a relatora, “cumpre ressaltar que, nesta fase, não é possível discutir o mérito da ação penal, pois terão os acusados durante a instrução criminal a oportunidade de comprovar sua inocência, com observância dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório”.
(Com informações da assessoria de imprensa do TJMS)
Deixe seu Comentário
Leia Também

Imóvel abandonado em centro histórico vira alvo de investigação

ONU apresenta soluções urbanas brasileiras para países do Sul Global

Idosa morta em atropelamento foi arrastada por 10 metros; motorista fugiu por medo de retaliação

Minha Casa, Minha Vida Entidades recebe propostas até 10 de fevereiro

Acusado de 'disk-drogas' é preso com pochete cheia de cocaína perto de escola

Covid-19 mata 29 pessoas em janeiro no Brasil

Filho é preso após agredir com tijolo o pai que tentava separar briga entre irmãos

SUS teve recorde com 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025

Temperatura pode chegar a 40°C neste sábado em Dourados

Inscrições para alunos da rede pública em curso de desenvolvimento de sistemas termina domingo
Mais Lidas

Vítima denuncia inquilino por não pagar aluguel e não devolver itens levados para conserto

Golpe do Pix: vítima perde quase R$ 4 mil após clicar em link de falso crédito

Influenciadora investigada por ataques virtuais e descumprimento de medida protetiva segue presa
