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O “novo Santo Papa” e a crise do catolicismo romano, por Ribeiro Arce

16 março 2013 - 12h00

#####Assessoria

A eleição do novo Papa, por um diminuto colégio eleitoral de pouco mais de cem cardeais e a exposição da instituição pela mídia durante o processo de escolha, mostrou quão a igreja de Francisco se encontra mergulhada numa tremenda crise e terá que tomar medidas concretas e urgentes para que as mazelas que corroem suas entranhas não contaminem os mais de um bilhão de fiéis espalhados pelo mundo. A cúpula romana faz de tudo para não demonstrar divisão, afinal, isso é um perigo para a mais tradicional religião do dividido mundo cristão. Experiência em enfrentar crises sociais, econômicas e políticas a igreja Católica adquiriu ao longo de seus dois mil anos de existência.

A igreja Católica sempre teve dificuldade hercúlea em sua cúpula diretiva para assimilar as mudanças sociais e para admitir seus erros. Ao se aliar ao Estado romano, lá por volta do século IV de nossa Era, a igreja começa a abandonar sua luta aguerrida em defesa dos pobres e oprimidos, conforme os ensinamentos de Jesus Cristo, e começa a se apegar com mais intensidade ao poder político e econômico, transformando-se, a partir daí, numa poderosa instituição religiosa.

O catolicismo pagou caro pela sua opulência e sede de poder, a primeira grande divisão interna veio com o chamado Cisma do Oriente, no ano de 1050, quando se separou em duas igrejas – a Católica Romana e a Católica Ortodoxa Grega. Durante todo o período denominado de Idade Média, mandou e desmandou nos governantes europeus, promoveu guerras, acumulou riquezas materiais, ditou os costumes da sociedade, freou o avanço da ciência e castigou todos aqueles que ousaram contrariá-lo.

Uma afirmação da igreja Católica, mesmo que não fosse uma verdade absoluta, era aceita, muitas vezes, sem contestação alguma. Foi dessa forma que ela manteve o etnocentrismo, teoria que defendia que a terra era o centro do universo. Mesmo após a ciência jogar por terra essa teoria, o catolicismo Romano continuou insistindo no erro e, pior, punindo os cientistas nos tribunais da famigerada Santa Inquisição. Aliás, esse tribunal, ao longo de muitos anos, julgou e sentenciou a morte na fogueira os ditos hereges do período.

Envolta no tradicional conservadorismo e no manto sagrado da “verdade” absoluta, no inicio do Século XVI a igreja Católica romana sofreu o mais duro golpe de sua história. Foi um golpe religioso, cuja essência estava nas questões sociais e econômicas vividas pela Europa no período. Quanta contradição, enquanto condenava a usura se locupletava com o dinheiro das vendas de indulgências. Mesmo colocando toda sua máquina para abafar a crise, não teve jeito. A igreja Católica acabou dividida mais uma vez e perdeu boa parte de seu patrimônio material e humano para os reis e para as novas religiões protestantes que surgiram e disseminaram pela Europa.
É, como se pode perceber, a história do catolicismo romano é recheada de lutas fratricidas para se manter no topo direcionando o caminhar da sociedade.

Conviveu e tolerou a escravidão na América, só no Brasil foram mais de 300 anos de trabalho escravo. Uma pecha cruel imperdoável, onde a igreja parece ter esquecido os preceitos de Jesus Cristo para apoiar os interesses econômicos dos donos de engenho. Na realidade a igreja sempre teve lado, aliou aos protestantes alemães, liderados por Martinho Lutero, para massacrar os camponeses organizados pelo líder Thomas Münzer; calou-se perante as atrocidades do nazi-fascismo que culminou com a tragédia da Segunda Guerra Mundial; silenciou diante das ditaduras na América Latina, o próprio Papa é acusado de colaborar com a ditadura militar na Argentina, o que foi negado pela igreja.

Agora, mais recentemente, o que vem tirando o sono da cúpula católica são os inúmeros casos de pedofilia envolvendo padres e bispos e os escândalos de corrupção no Vaticano. Tendo em vista sua longa história e sua experiência em administrar e sair de conflitos, a igreja do Papa Francisco saberá administrar e vencer mais esses empecilhos. Porém, a igreja tem outros problemas e situações a se adaptar é o caso, por exemplo, do casamento entre pessoas do mesmo sexo; as células tronco, dentre outros. Internamente, até quando a igreja Católica proibirá as mulheres de conduzir a celebração de uma missa? E o celibato, perdurará por quanto tempo? Ou Francisco se adapta a realidade e promove mudanças profundas no seio de sua instituição, ou continuará perdendo fiéis para outras instituições religiosas.

Professor da rede estadual de ensino de MS. E-mail: ribeiroarce@gmail.com

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