Menu
Busca terça, 31 de março de 2020
(67) 9860-3221

O Ideb das escolas particulares, por Francisca Paris

08 janeiro 2013 - 18h55

#####.

A divulgação do mais recente Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) traz sempre informações relevantes para os gestores da rede pública. Mas não só para a rede pública: há também uma amostra da rede particular a cujos dados os gestores costumam dar pouca importância, contentando-se em constatar que o desempenho médio das escolas privadas é superior ao das públicas. Contudo, um gestor prudente pensa no médio e longo prazo, precisando analisar com cuidado todas as informações sobre o ambiente em que atua – ou ficará sob o risco de surpresas com a mudança paulatina de cenário.

No relatório do Ideb há muitas informações interessantes, mas podemos nos restringir, no espaço deste artigo, a um olhar mais global sobre o desempenho da rede privada. O Ideb diz que as escolas particulares não alcançaram a meta para 2011 no Ensino Fundamental I (nota 6,5, contra meta de 6,6), no Ensino Fundamental II (nota 6,0, contra meta de 6,2) e no Ensino Médio (nota 5,7, contra meta de 5,8).

Tudo bem. Pode-se argumentar que a diferença é muito pequena e que ainda assim os resultados superam em muito os da rede pública. Mas isso é muito pouco, quando se olha a planetária corrida pela melhoria da educação. O Brasil tem muito a caminhar na oferta de um ensino de qualidade. Indicadores internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), deixam claro que, mesmo se considerados os resultados da rede privada, o Brasil ainda está muito atrás dos países da Comunidade Econômica Europeia.

O investimento em programas de aprimoramento contínuo do trabalho pedagógico precisa ser um processo permanente. No entanto, muitas escolas ainda não se deram conta disso. A sociedade do século XXI demanda novas gerações mais bem preparadas, sob todos os pontos de vista, e a escola particular tem um papel fundamental na formação de elites. Descuidar dessa posição é um erro estratégico e o preço a se pagar pode ser a futura perda de prestígio social e de espaço no mercado educacional.

Em muitas cidades do interior, onde as redes públicas municipais avançam mais rapidamente nos processos de melhoria, as escolas particulares já sofrem com a perda de alunos. Ao mesmo tempo, políticas afirmativas de acesso ao ensino superior, como as cotas, acirram ainda mais a competição pelas vagas nas melhores universidades.

Assim, a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é uma oportunidade para refletirmos sobre uma questão que é imediata e decisiva para todos – e muitas escolas da rede particular precisam se dar conta dessa urgência.



Francisca Paris é pedagoga, mestra em Educação e diretora de serviços educacionais do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva

Deixe seu Comentário

Leia Também

BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO
No dia da 1ª morte, MS tem mais quatro casos positivos de coronavírus
PREVENÇÃO
Opas defende isolamento social como melhor opção de combate à covid-19
INVESTIMENTO
No valor de R$ 1,3 milhão, edital auxilia artistas prejudicados com a pandemia do coronavírus
CORONAVÍRUS
Assembleia mantém atividades suspensas e prorroga prazo até 17 de abril
CORONAVÍRUS
Após primeira morte em MS, secretário reforça: "Fique em casa"
POLÍTICA
Após ganhar na Justiça e deixar PSL, DEM pode ser destino de Coronel David
COVID-19
Primeira vítima do coronavírus no Estado era fumante e fazia tratamento de saúde há quatro anos
ABASTECIMENTO
Na quarentena, Sanesul alerta para economia de água em MS
CORONAVÍRUS
Para evitar aglomeração, prazo de validade dos medicamentos é ampliado
BRASIL
Informalidade cai, mas atinge 38 milhões de trabalhadores

Mais Lidas

FRONTEIRA
Acidente na MS-164 em Ponta Porã leva pai e filho a óbito
DOURADOS
Homem entra em veículo e anuncia assalto com arma de brinquedo; vídeo
DOURADOS
Homem leva surra de populares e é detido por furtar dois veículos em Dourados
NOTA PREMIADA
Lista de ganhadores já está disponível para consulta