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O futebol de MS pede socorro. Cezário... Peça para sair!, por Inocêncio Amorim

26 dezembro 2011 - 18h40



O futebol sul-mato-grossense, que na década de 70 e até metade da década de 80 do século passado foi forte e respeitado, com o nosso saudoso Operário Futebol Clube, codnominado Galo da Bandeirantes, e o nosso rival Esporte Clube Comercial, infelizmente hoje é só lembrança para os que tiveram o privilégio de viver naquela época. Aos que não tiveram a mesma sorte lamento dizer que de lá para cá a falta de profissionalismo na administração do nosso futebol fez com que não sobrasse nem referências que sirvam pelo menos de imaginação para os mais jovens.



Desculpe-me pelo saudosismo, mas naquela época o mestre Carlos Castilho (que Deus o preserve em bom lugar), no dia seguinte a divulgação da tabela do Campeonato Brasileiro, reunia a imprensa para anunciar a sua projeção em relação à participação do Operário na competição. Contra times como Goiás, Coritiba, Atlético Paranaense, Figueirense, por exemplo, ele cravava vitória certa tanto lá quanto cá; contra times como Santos, Botafogo, Palmeiras, Corinthians, Vasco, Grêmio, Inter e outros grandes era vitória no Morenão e empate na casa do adversário.



Era raro e soava como estranho alguém daqui dizer que torcia para Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Flamengo ou Vasco, enfim. Não havia lugar para nenhum outro time no coração dos campo-grandenses, além de Operário e Comercial. Mas o futebol em Mato Grosso do Sul caiu no desuso. A velha guarda há muito tempo deixou de ir ao Morenão e os mais jovens provavelmente nem saibam dizer de pronto onde fica o estádio.



Recentemente, de forma eufórica uma repórter de um canal de tevê de Campo Grande, após cobrir a goleada do Cene sobre o Mirassol do Oeste (SP) pela 4ª Divisão do Campeonato Brasileiro de 2011, por 4 a 1, disse que era a vitória mais expressiva de um time de Mato Grosso do Sul na história dos campeonatos nacionais. Ora, ora. O Operário foi 3º colocado no Campeonato Brasileiro de 1977, atrás apenas do São Paulo e do Atlético Mineiro e só não chegou a final tendo em vista ter sido prejudicado pela arbitragem no jogo do São Paulo no Morumbi. Quer mais uma? No dia 15 de março de 1981 o Operário goleou o Cruzeiro por 5 a 1 no Estádio Morenão. E não era pela quarta divisão.



A desinformação da repórter (talvez não por sua culpa), mas por falta de informações passadas, claramente significa que estamos no fim da linha e que, se sonhamos em recuperar a credibilidade, devemos partir para um recomeço. Eu e, certamente a maioria dos sul-mato-grossenses, com exceção apenas do presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), Sr. Francisco Cezário de Oliveira e seus pares de diretoria, concordamos com o empenho do senador Delcídio do Amaral, que está dando a cara à tapa por uma nova realidade no nosso futebol, que a partir de uma Federação que respeite os clubes não como cabrestos eleitorais para garantir sucessivas reeleições e mudanças de estatuto, mas como parceiros de uma gestão capaz de trabalhar com planejamento e organização nos setores administrativos, financeiro, técnico, marketing e comunicação, que tenha capacidade de trabalhar com receitas e despesas e, especialmente, transparência. Nem preciso dizer que tudo isso passa longe dos dirigentes da Federação, que, aliás, lá estão já há quase 20 anos.



Dos anos 90 para cá a FFMS vem sendo sepultada ano após ano, como conseqüência obvia da falta de capacidade administrativa dos seus dirigentes, e levou junto os nossos clubes, que perderam seus patrimônios para os credores, e também o interesse do torcedor. As novas gerações nem sabem que um dia existiu futebol profissional em Mato Grosso do Sul.



Sim, essa mudança deve começar pela FFMS. E digo isso com a experiência de quem militou diretamente na esfera esportiva na época de ouro do nosso futebol amador e semiprofissional como Diretor Financeiro da extinta LEMC - Liga Esportiva Municipal Campo-grandense, nos anos 66/68 na gestão do saudoso Presidente Sr. Nelson Borges de Barros, Capitão Elias Gadia, Sgtº Gilberto Santiago, Sr. Darcy Lira Ribeiro, Sr. Eteócles Ferreira, Sr. João Garcia e muitos outros abnegados desportistas.

Depois, nos anos 70/90, como membro eleito do Conselho Deliberativo do OFC, Dirigente e mais tarde Presidente do Conselho Deliberativo do Operário Futebol Clube. Fui também membro do Conselho Fiscal da FFMS, no primeiro mandato do Sr. Francisco Cezário de Oliveira.



É a Federação, como mandatária maior do futebol nos estados, quem dita o ritmo. É o espelho. Portanto, a reformulação tem que ser geral, partindo da CBF, das Federações e dos clubes. E a hora é agora, no embalo da Copa de 2014. Se não for agora, dificilmente teremos outra oportunidade tão palpável.



Vejam o exemplo da Federação Pernambucana de Futebol, que terá Náutico e Sport no próximo Campeonato Brasileiro da Série A. Em 2011, os jogos do Sport e do Náutico registraram recordes de público e renda na Série B e o Santa Cruz recebeu 59.966 pagantes no Estádio do Arruda em um jogo classificatório contra o Treze da Paraíba pela Série D. Lá a entidade tem plena consciência de que a visão profissional do futebol deve partir dela e, por isso, saneada financeiramente e sem pendências com credores, investe no fortalecimento dos clubes. Agora em dezembro, liberou R$ 600 mil para cada um dos clubes do interior, como forma de fortalecê-los para o Campeonato Pernambucano de 2012, único Estadual do País com transmissão ao vivo em pay-per-view para todo o Brasil e pela Globo Internacional para 36 países. Isso é fruto de gestão competente.



Futebol hoje é 100% profissional. Não há mais lugar para amadores. Cezário, nada pessoal. Em vez de usar ventríloquos para defender o indefensável e, em nome do recomeço e da reformulação do futebol em nosso Estado, pede para sair.





(*)Inocêncio Amorim – É Bacharel em Administração de Empresas.

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