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“Nem só de “pão e circo” vive o douradense”, por Joacir Rodrigues

01 dezembro 2011 - 10h44

É sabido que a cidade de Dourados nas últimas décadas tem passado por inúmeras intempéries políticas e administrativas. São vários os indícios de irregularidades supostamente cometidos pelas administrações que se sucederam durante anos na Prefeitura de nossa cidade. Alguns com processos jurídicos na justiça, outros apenas ficaram na esfera dos indícios e nem investigados foram. Mas é fato que, sem ao menos a necessidade de pesquisa podemos citar alguns que, com certeza absoluta, estão na memória da maioria dos douradenses, onde muita grana foi para o “ralo”, ou talvez, o que é mais provável, para algum outro lugar.

Vou citar alguns, apenas puxando pela memória e sem muito esforço: É o asfalto de parte da Rua 20 de dezembro no Jardim Água Boa, com o dinheiro liberado pelo governo federal, mas “executado” apenas no papel; é o caso dos precatórios da Prodados; é o caso CAM; é o caso do leite das criancinhas; é o caso da perimetral norte, construída e “paga” por um prefeito e recebida por outro, também sem nunca ter saído do papel; é o caso do arrendamento do Hospital da Mulher; é o caso Owari; é o caso Uragano; enfim, com certeza há muitos outros e, sem falar nos escândalos envolvendo a Câmara Municipal que também não são poucos.

Isto posto, acredito que embora desanimador, não pode e nem deve ser motivos para a população de Dourados jogarem a toalha e se contentarem apenas com discursos de efeito e propaganda midiática, que a meu ver, é o que tem acontecido em Dourados desde que, pela primeira vez na história do município, um prefeito foi afastado por suspeita de corrupção. Lamentavelmente o que vimos a seguir foi uma sucessão do que podemos chamar de “jogar para a platéia”.

Foi prefeito juiz assumindo e nomeando como secretário de governo o pivô e réu confesso da corrupção como secretário de governo; foi presidenta da Câmara eleita as pressas apenas para virar prefeita interina, mas tomando medidas de promoção pessoal, como reajuste apenas para um pequeno número de funcionários, como se tivesse sido eleita para o cargo. E, por fim, a eleição de um prefeito através de uma coligação jamais vista, a pretexto de “salvar a cidade”, só não se sabe de quem, pois nesta mesma coligação estão representados todos os personagens e partidos envolvidos nas supostas irregularidades citadas acima.

Pois bem, nove meses se passaram e a bem da verdade muito pouca coisa ou quase nada se viu de diferente a não ser mais uma vez o “jogar para a platéia”, com gastos em propaganda de divulgação muito mais de “vou fazer... comigo é diferente... acabou a corrupção... a cidade saiu da UTI... já investi...” e por aí afora. Mas a realidade que se vê não é muito diferente e, em alguns casos, é até pior. É uma buraqueira danada, principalmente nos bairros periféricos, Parque do Flórida abandonado e, na saúde então, uma calamidade.

Por outro lado, vemos um esforço danado da administração PSB/PT (ex-DEM/PT) em realizar grandes festas. Já tivemos a maior festa junina de Dourados e, agora vamos ter os maiores festejos de final de ano que a cidade já viu, com direito a pista de patinação no gelo, casa do papai Noel (plágio de Fátima do Sul), tudo com decoração impecável, que vai da pintura das ruas a iluminação inédita. Tudo bem ao estilo “pão e circo”. Política ultrapassada, que fora adotada no tempo do Império Romano para controlar a massa. Quando receosa de que a plebe exigisse melhores condições, o governo os distraia dando diversão (circo) e provia alimentos (pão). "Circo" era o nome de uma arena em que haviam lutas de gladiadores, as lutas eram diárias e o "pão" era distribuído durante sua realização.

Pelo andar da carruagem, podemos supor que no ano que vem Dourados terá o maior carnaval de rua de todos os tempos. O resto é o resto, não importa se a administração é a favor das queimadas da palha da cana, não importa se as ruas dos bairros estão intransitáveis, não importa se falta remédios e até filme e gel para se fazer exame de câncer. O importante é que o povo tem “pão e circo”. Mas, infelizmente, nem só de “pão e circo” vive a população douradense.



Joacir Rodrigues de Oliveira
Bancário, sindicalista e, ainda, filiado ao PT

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