Notícias que chegam de países da zona do euro dão conta da mobilização de milhares de pessoas em protesto contra os efeitos (e, principalmente, os remédios adotados para reverter a situação) de altos índices de desemprego, economia à beira de recessão e desconfiança na capacidade dos políticos para sair da crise. O cenário traz aos brasileiros lembranças de fase similar por que passou o País quando, há pouco mais de duas décadas, suportava sucessivos pacotes baixados em tentativas equivocadas de domar a elevadíssima inflação e reativar a economia.
Com o Plano Real, o Brasil conquistou a sonhada estabilidade monetária e começou a pavimentar o caminho para a atual fase de retomada de bons indicadores econômicos e sociais. Mas, contrariando a letra do Hino Nacional, ainda não é hora de voltar de deitar em berço esplêndido. Tendo em vista as persistentes desigualdades sociais e os gargalos estruturais que ameaçam a sustentabilidade do crescimento, é hora, na verdade, de enfrentar para valer tais problemas. Nessa arrancada, sem dúvida, a grande prioridade é a educação, com seus vergonhosos índices de desempenho, traduzidos em alunos que não sabem ler nem fazer contas simples.
Além da qualidade do ensino, há outro aspecto que merece atenção e que, felizmente, vem sendo atendido, ainda que parcialmente, por empresas e órgãos públicos sensíveis à problemática jovem. Trata-se da valiosa complementação da formação acadêmica com a oportunidade de vivenciar experiência prática – um casamento que possibilita que novos talentos saiam das escolas e desembarquem no mercado de trabalho mais bem preparados para atender às demandas da nova realidade da economia, globalizada e extremamente competitiva. Números do CIEE neste semestre que se encerra, indicam crescimento na oferta de vagas tanto para aprendizes (40% entre maio de 2011 e de 2010), quanto para estagiários (na ordem de 50%).
Apesar do cenário animador, entretanto, é ainda expressivo contingente de 1 milhão de jovens à espera de convocação para processos seletivos somente no banco de talentos do CIEE. Em paralelo, as universidades registram altos índices de evasão e vagas ociosas, enquanto planos de expansão dos setores produtivos começam a emperrar, exatamente por falta de profissionais qualificados – caso do noticiado atraso da produção nacional de iPads, porque a empresa produtora precisa contratar 400 engenheiros e só conseguiu 175. Tais questões, sim, deveriam inflar os ânimos dos brasileiros.
Empresas e órgãos públicos interessados em diminuir o déficit podem implementar ou ampliar programas de estágio e aprendizagem. O País só tem a ganhar com organizações que investem na formação de capital humano, tornando-se mais competitivas enquanto dá um valioso incentivo à educação.
Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.
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