Em uma sala com poucas pessoas foram discutidos, recentemente, os valores avulsos para serviços jornalísticos em Dourados. Para se ter uma base, são 60 profissionais filiados ao Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas) e um pouco mais de 100 atuando em nosso município.
Julgar o valor do trabalho é algo subjetivo. É importante, no entanto, que a categoria e a sociedade saibam que temos uma base para a cobrança de certas atividades, para que esses trabalhadores não sejam explorados ou para que, os mal intencionados, não pratiquem extorsão.
A verdade é que a nossa profissão é desvalorizada no Brasil. Os salários não evoluíram. Ao contrário, há informações de que na década de 80 um comunicador ganhava bem mais que os dias atuais. Então, é preciso negociar.
A luta nacional pelo piso atualmente é de R$ 3,7 mil. Quando procuramos referências no site da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) encontramos salários baixos em todo país e, para se ter uma ideia, um dos piores está em Dourados. Na última negociação, o Sindicato propôs as empresas um salário base equivalente a aproximadamente a apenas três salários mínimos. Quantas acataram?
Até avançamos com os acordos coletivos, mas há uma perda inflacionária sem reposição. Um alto custo de vida, aumento nos preços de produtos, mas e o salário? Nas assessorias, até que são um pouco melhores, talvez seja um dos motivos de tantos profissionais migrarem para esta área.
Até mesmo com servidores públicos existe a desvalorização. Quem não se lembra da história da vaga na prefeitura de Minas Gerais em que o coveiro receberia mais que o jornalista? Não desmerecendo a profissão do coveiro, mas relacionando a questão do nível técnico para o cargo, com a exigência de escolaridade inferior. É mesmo um absurdo!
Não é a toa que vemos hoje em dia produtos editoriais com tão baixa qualidade. Não perde só o jornalista, perde também o público, perde a cultura, perde a informação. E o mercado, na maioria das vezes, não está preocupado com a valorização desse profissional. A impressão é que importante mesmo é o lucro.
A solução para isso, portanto, não virá do mercado, é claro. E também não virá da divisão dos jornalistas, com ou sem diploma, com maiores ou piores condições de trabalho e salário. Sairá da nossa união. Afinal, a pergunta mesmo não é quanto você vale, mas sim: quanto você perde com a sua desvalorização?
*Ariadne Bianchi
*jornalista filiada ao Sinjorgran e estudante de economia.
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