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Leia, De quem é a culpa?, por Waldir Guerra

03 fevereiro 2013 - 09h00


Passado o primeiro impacto da morte brutal de mais de duzentos jovens intoxicados no interior de uma boate na cidade de Santa Maria – RS, agora já não são mais as imagens ou depoimentos que geram interesse, mas saber de quem é a responsabilidade por esse terrível acontecimento que sacudiu a inconsciência coletiva nacional.

Até meu filho, Állan, que hoje mora no Rio Grande do Sul ligou para saber minha opinião a respeito de quem seria a culpa pela tragédia que atingiu não somente os gaúchos, mas o país todo. Na opinião dele, os grandes culpados somos nós, e não os governantes. Nós todos deveríamos participar mais na fiscalização das coisas que, mesmo sendo de propriedade dos outros, nos dizem respeito; dizem respeito à segurança, se não nossa, mas de nossos filhos que às vezes estão distantes estudando.

É verdade, ele tem razão, somos todos responsáveis, mas me permiti discordar quanto à responsabilidade maior. Penso que há uma hierarquia dentro de toda responsabilidade e nesse caso da boate Kiss a Justiça dirá quem é o maior responsável, provavelmente o primeiro será o proprietário, depois a banda que usou fogos indevidos e, finalmente, os encarregados pelas licenças e o cumprimento delas para o bom funcionamento.

Nesse item, licenças para funcionamento, também imagino uma hierarquia na responsabilidade e a maior é a do Corpo de Bombeiros. Hoje a prefeitura municipal para fornecer um alvará de funcionamento, até mesmo para obras iniciais, exige, além de outras, a licença do Corpo de Bombeiros. Sem ela nada de Alvará.

Os bombeiros têm um dos mais altos índices de confiabilidade da população brasileira. E merecem essa confiança, pois todos seus trabalhos são de alto risco. Nos seus períodos de folga preparam-se física e tecnicamente não somente para apagar incêndios, mas para muitas outras emergências que também têm a obrigação de atender.

Contudo, a obrigação de fiscalizar periodicamente se as normas oficiais estão sendo cumpridas deve ser deles. Eles têm a competência, a confiança e até mesmo uma maior autoridade – são de origem militar – para fiscalizar todo tipo de obra que possa trazer risco.

Boates são algumas, mas prédios são dezenas de milhares neste país e a maioria deles construídos há décadas e num tempo que tudo era permitido às construtoras quanto à segurança. Prédios encravados entre vários outros e não tendo sequer espaço para, em caso de um incêndio, os bombeiros encostarem seus caminhões; corredores sem saídas de emergência e sem portas corta-fogo – Meu Deus! Tenho residência num desses.

Mesmo sabendo que num município a responsabilidade maior é do prefeito para fiscalizar prédios antigos e ainda habitados, mas fora das boas normas e que possam oferecer perigo, os bombeiros têm o dever de notificar os síndicos desses prédios para que tratem de melhorar a segurança dos seus condôminos. Não somente notificar, mas indicar procedimentos a ser feitos para uma melhor segurança contra incêndios, ou outros incidentes.

Agora de nada adianta ficar apenas lamentando e chorando pelo desastre acontecido em Santa Maria. Pouco adianta também somente fiscalizar todas as boates das grandes cidades, como vem acontecendo no país todo hoje. É o caso da nova legislação para a licença de motoboy Nada de afrouxar regras para motoboys, pois está aí uma das maiores causas de mortes deste país. Há muitas outras coisas importantes para ser fiscalizadas e com muita urgência e o melhor a fazer é sentirmo-nos culpados e cooperarmos mais do que ficar discutindo de quem é a culpa.



Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário de Estado e deputado federal. – e-mail: waldirguerra@gmail.com

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