quarta, 20 de maio de 2026
Dourados
20ºC
Acompanhe-nos
(67) 99257-3397

Leia "Aborto, questão ética ou religiosa?", por Dom Redovino

11 janeiro 2013 - 10h11





Sorrateira ou abertamente, o aborto está sendo introduzido na maior parte dos países, reivindicado por grupos minoritários (mas aguerridos, como são as feministas), financiado por organizações internacionais e imposto por governos (de direita e de esquerda). Sob o influxo da mentalidade liberal, hedonista e amoral que impera na sociedade moderna, seus defensores o apresentam como uma decisão pessoal – “O corpo é meu e faço dele o que quiser!” – ou, no máximo, como uma questão de saúde pública. A seu ver, os que se opõem a ele, o fazem por motivos religiosos, não podendo, portanto, legislar em Estados que, por sua própria natureza, devem ser sempre laicos.

A verdade é diferente: o aborto é crime porque fere a lei natural. É o que explica Hebe Laghi de Souza, Doutora em Ciências e Especialista em Genética e Biologia pela Universidade de São Paulo: «Em termos biológicos, considera-se o ser humano como possuindo diferentes fases de desenvolvimento, incluindo nisso o embrionário. Em qualquer uma dessas fases, a partir do ovo, o ser humano já é um ser humano. Porque não é somente a forma humana que define o homem, visto que ele passa por diferentes fases de desenvolvimento e, em cada uma delas, apresenta-se com um aspecto – o aspecto peculiar de sua fase – e em todas elas, ele tem vida. Nenhuma coisa morta se multiplica e expressa processos vitais. Sob este aspecto, desde o momento de sua concepção, o ser humano já é um ser humano que vive. Desde o ovo, possui todos os potenciais genéticos e biológicos característicos de um ser humano, e, se o deixarem desenvolver, ele se tornará um bebê, que crescerá e prosseguirá pelas sucessivas fases de sua vida. Penso, assim, como cientista e bióloga, e não estou inferindo neste pensamento nenhum sentimento religioso, apesar de possuí-lo e de fazê-lo somar, neste momento, ao que sinto».

Cientificamente e em sã consciência, ninguém pode duvidar que o embrião contém em germe a estrutura física, psíquica e espiritual que integra o DNA único e irrepetível de cada pessoa. O papel da religião – pelo menos da Igreja Católica, que mais conheço – é iluminar e fortalecer o indivíduo, para que sempre e em toda a parte coloque o bem comum acima de seus interesses particulares, e suas decisões respeitem a justiça e o direito, sobretudo quando está em jogo a sorte dos mais fracos.

Para o Cristianismo, existem dois tipos de verdades: as sobrenaturais – como a Encarnação e a Ressurreição de Jesus –, que o homem não obtém com suas próprias forças, mas lhe pedem uma adesão que brota da fé; e as naturais, que se podem alcançar pela luz da razão. Uma destas é a inviolabilidade da vida humana. Ninguém tem o direito de tomar ou destruir o que não lhe pertence. Assim, a defesa do embrião não é apenas uma convicção religiosa, mas uma lei natural. Por isso, mesmo quando legalizado – pois muitas leis refletem apenas os interesses e os vícios de quem as redige – o aborto jamais poderá ser considerado correto e deixar a consciência em paz.

A tragédia mais profunda causada pelo aborto é o fortalecimento da “cultura de morte”, cujo fruto mais visível é a violência generalizada que cresce a cada dia, cujas vítimas mais comuns são, normalmente, cidadãos honestos e indefesos. Entre elas, as crianças, inclusive as que ainda estão por nascer. Aliás, não deixa de ser irônico verificar como as sociedades modernas, que se julgam cientificamente evoluídas, recorram a dois pesos e a duas medidas em suas posturas em relação aos animais e aos humanos: enquanto se caminha para legislações cada vez mais rigorosas na defesa dos primeiros, inclusive contra o seu uso em pesquisas científicas, são jogados no lixo bilhões de embriões congelados. Não há dúvida: hoje é muito mais seguro e promissor nascer cachorro do que gente...

Para Madre Tereza de Calcutá «é hipocrisia gritar contra a violência que se alastra na sociedade quando ela é cometida e incentivada contra bebês indefesos. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o estado, nem o médico. Se o dinheiro que se gasta para matar fosse empregado em fazer com que as pessoas vivessem, todos os seres humanos atuais – e os que ainda virão ao mundo – viveriam bem e muito felizes».


Deixe seu Comentário

Leia Também

Moraes cobra ação do governo brasileiro para extradição de Zambelli
JUSTIÇA

Moraes cobra ação do governo brasileiro para extradição de Zambelli

Formação voltada ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres avança em MS
PROTEGE

Formação voltada ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres avança em MS

Motorista é flagrado transportando 46 pneus contrabandeados na BR-262
TRÊS LAGOAS

Motorista é flagrado transportando 46 pneus contrabandeados na BR-262

Taxista é flagrado transportando cocaína de Ponta Porã até Dourados
TRÁFICO

Taxista é flagrado transportando cocaína de Ponta Porã até Dourados

Marçal vistoria obras do Ceim Vila Erondina e destaca compromisso com a Educação
DOURADOS

Marçal vistoria obras do Ceim Vila Erondina e destaca compromisso com a Educação

BRASIL

STF rejeita pedido de destaque para revisão de aposentadorias do INSS

HUMANIZAÇÃO

MS está entre Estados com melhores índices de aleitamento materno exclusivo

DOURADOS

Área é desafetada no Parque Antenor Martins para construção de novo posto da Seleta

POLÍTICAS PÚBLICAS

Dourados conquista reconhecimento estadual com projeto voltado à juventude rural

CULTURA

Dourados recebe 3ª Mostra Literária da Pessoa com Deficiência

Mais Lidas

OPORTUNIDADE

MS tem concursos abertos com inscrições encerrando em maio; confira prazos

PEDRO JUAN CABALLERO

Brasileiro é executado com tiros de fuzil na região de fronteira

CLIMA

Dourados segue em alerta após domingo de chuvas intensas

DOURADOS

Prefeitura entrega uniformes para equipe do Samu após oito anos sem reposição