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Futebol, paixão e educação, por Daniele Vilela Leite

25 janeiro 2013 - 18h50


O futebol desperta paixões e, aqui no Brasil, muito mais do que em qualquer outro lugar. A expressão “time do coração” é cada vez mais usada e, o que até em certo ponto é preocupante, por crianças cada vez menores. É impressionante o amor que os torcedores de todas as idades nutrem pelos seus times. Os brasileiros respiram futebol o tempo todo. Quem não gosta de ver seu time jogando, principalmente quando ele está ganhando?

Uns compram uniformes do time, outros fazem tatuagens e cortes de cabelo com as características de seus ídolos. Há pessoas que, inclusive, chegam a pintar suas casas com as cores de sua equipe preferida. É tanta paixão que se guarda por tal esporte que o zelo por ele tem, em alguns casos, ultrapassado o respeito pela própria vida humana. Pois bem, é aqui que nós, pais e educadores, temos que ter maior atenção.

São várias formas de expressar a paixão de torcedor. Desde crianças, mesmo que não possuam tanta autonomia para fazer “loucuras”, muitos acabam demonstrando seu amor com os álbuns de figurinhas, camisas e, também, usando material escolar com o símbolo estampado na capa.

Se, no geral, as pessoas soubessem realmente respeitar o outro, gestos como esses que encontramos em muitas de nossas crianças não teriam grandes consequências. Mas, infelizmente, esse “amor” pelo time, muitas vezes, ultrapassa os limites do bom-senso e do respeito que se deve ter, acima de tudo, pelo bem-estar físico e psicológico de si e do outro.

Há torcedores que simplesmente desconhecem os limites de noção, de respeito e, até mesmo, partem para a agressão quando, envolvidos pela “paixão” de seu time, sentem-se desafiados. Essas pessoas, normalmente, andam por aí, frequentam diversos lugares, trabalham, estudam, passeiam, ou seja, estão em todo o lugar e podem, perfeitamente, estar em contato com nossas crianças.

Os tempos mudaram (e mudaram muito!). Há algum tempo, pais e filhos iam juntos aos estádios prestigiar o jogo do seu time favorito. Independentemente do fator causador da mudança que hoje vivemos, essa prática tem sido alvo de constantes reflexões, pois a arquibancada de muitos estádios não é mais um lugar seguro nem para adultos, o que não se dirá para crianças.

A agressividade e o vandalismo de muitos torcedores têm sido constantemente divulgados nas mais diferentes mídias, fato que nos faz repensar a compra de materiais escolares caracterizados por times de futebol. Afinal, como já enfatizado acima, pessoas que tendem a agir de modo excessivamente agressivo em defesa de seu time de futebol andam por aí e podem ocupar os mesmos espaços do cidadão de bem ou, ainda, os espaços em que nossos filhos podem estar, como no caso da própria escola.

Para proteger nossas crianças, precisamos orientá-las quanto aos limites necessários quando o assunto é futebol e, ainda mais do que isso, se possível, as desestimular quanto à compra de materiais caracterizados, pois não temos o menor controle sobre o que se passa pela cabeça de outro jogador com os “ânimos mais exaltados”, vamos assim dizer.

O que vale mesmo é a orientação e o diálogo aberto com nossos filhos, pois nada melhor do que os encaminharmos à escola e, em casa ou no trabalho, estarmos um pouco mais tranquilos em relação ao bem-estar deles. A escola, por sua vez, precisa apoiar a família nesse processo de orientação, dado que, juntas, família e escola são imbatíveis.

Para ajudar você, pai ou professor, a orientar um bate-papo com seus filhos ou alunos, veja abaixo algumas perguntas que podem ser feitas a você mesmo antes de partir para um conversa com eles:

1. Como agir quando a “provocação” vai para dentro da escola?

2.O que fazer quando o material escolar de time gera conflito em sala de aula?

3.Até que ponto nossos filhos e alunos estão preparados emocionalmente para receber um “insulto” em relação ao seu time e agir de modo “maduro”?

4.Será que quem insulta está mesmo brincando?

5.O que fazer para que a torcida por um time de futebol venha ter lições saudáveis?

Essas perguntas, é preciso enfatizar, precisam ser encaradas por nós, pois elas, dia a dia, “gritam” por respostas.



Daniele Vilela Leite é Orientadora Educacional na empresa Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br); Formada em Serviço Social pela Univap, com larga experiência em trabalhos em creches no interior de São Paulo.

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