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Festa de São Sebastião na Picadinha, por José Tibiriçá

22 janeiro 2013 - 13h41

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No último domingo, dia de São Sebastião, lembrei-me das festas que aconteciam lá na mata, onde viviam os membros da família Oliveira e a família Braga. Na noite do dia 20 de janeiro de cada ano, íamos à casa da Dona Benvinda de Oliveira Braga participar da festa de São Sebastião. Lá ela vivia na companhia do filho Antonio Braga (in memorian), que comandava a festa, juntamente com os parentes e amigos que participavam ativamente do seu preparativo, acontecimento tão aguardado por todos os moradores da região.

Passado o natal os componentes destas famílias saiam com a bandeira de São Sebastião, percorriam as casas da região, eram recebidos por todos que na maioria eram católicos. A folia era composta de dois palhaços, vários violeiros e alguns bumbos. No percurso até a chegada das casas ia aumentando o número de pessoas acompanhantes, principalmente no sábado.

Nos outros dias da semana, devido à distância que tinham que percorrer, pousava parte do grupo em algum lugar para retomar as visitas no dia seguinte. Essa caminhada somente se encerrava no dia 20 de janeiro, à noite, quando o grupo chegava à casa da Dona Bem-vinda e era recebido com fogos e vivas.

Na despedida de cada casa visitada, cantava-se uma música em homenagem aos seus moradores e após isso era doado a oferenda, como leitoa, ovelha, galinha, pato e até uma rês.

Nesta festa vinha gente de vários municípios, de pessoas da cidade de Dourados, um deles, o filho ilustre, nascido ali próximo, na Fazenda Lajeadinho, o saudoso agrônomo e advogado Harrison de Figueiredo. Era afilhado de Thomaz Oliveira que muitas vezes o livrou de surras por parte do pai, Antonio Emílio Figueiredo, como ele me confidenciou. Quando alguém fazia arte, alguma travessura a vara de marmelo ou qualquer relho era utilizado, costume da época e hoje tudo está mais brando. Quem não levou algumas cintadas do pai ou da mãe?

Os moradores da Picadinha viveram sempre em harmonia e passados os anos, alguns políticos que vieram de outros grotões, passaram a administrar o Município de Dourados. Por desconhecerem a nossa história, inventaram várias estórias, uma delas foi uma associação no distrito, entre os descendentes de Dezidério Felipe de Oliveira. Inicialmente seis de seus descendentes, da terceira e quarta geração, assinaram com data de 25 de fevereiro de 2005 um requerimento que foi encaminhado ao Incra, com base no Decreto 4887/2003, abrindo-se um processo administrativo.

O processo administrativo emitido pelo referido órgão está tramitando, começando assim o litígio entre os moradores e como consequencia o término das festas de São Sebastião, afinal quem dava sustentação eram os seus vizinhos.

Os mentores dessa desunião desapareceram, abandonaram o pessoal da mata, iludidos no canto da sereia, entrando nesse barco que pelo andar da carruagem vai deixar muita gente na espera da sua solução por muito tempo, pois existem muitos caminhos ainda a percorrer. Após a fase administrativa, cabe defesa no judiciário, o que deixa os proprietários em situação mais confortável, afinal parece que o STF está julgando conforme os autos.

Os moradores da região são pacíficos, pois a intenção dessas forças estranhas era realizar um confronto entre as duas partes para que ali se criasse um novo mártir. É público e notório que políticos envolvidos no presente caso ganharam muito, inclusive desviaram dinheiro para o próprio bolso, os chamados sanguessugas.

Hoje a única festa que existe na Picadinha é a do agricultor, promovida pelo Santo Antonio Futebol Clube que acontece todo ano e neste, será no dia 03 de fevereiro, num domingo. Ela atrai gente de vários lugares de nosso estado, até do vizinho Paraguai e nela há competição de times de futebol, distribuição de prêmios, sendo servido churrasco com mandioca à moda da nossa região.

Quem não comparece lá são os mentores dessa farsa, pois diante do ocorrido são considerados “persona non grata” pelos moradores e proprietários do Distrito. No próximo mês completa-se 08 (oito) anos do início da farsa, os moradores e proprietários da Parte da Fazenda São Domingos estão lutando para provar aquilo que nunca existiu. Os seus mentores devem estar por aí, inventando outras estórias, afinal no ano que vem haverá eleição e devemos estar alertas. Eles agem no silencio, após o feito, não sabem, não vêem, hábito hoje muito comum no Brasil, cujos condenados políticos querem se sobrepor ao STF, colocando-se como vítima.

José Tibiriçá Martins Ferreira, advogado, produtor rural na Picadinha.

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