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Escolaridade em ascensão, por Luiz Gonzaga Bertelli

22 dezembro 2011 - 18h37





A educação é o maior instrumento de transformação social que existe. Não há desenvolvimento econômico e social sem ensino de qualidade. Nas últimas décadas, muitos foram os exemplos de investimentos no setor que trouxeram resultados positivos, caso das citadíssimas Coréia do Sul e China. Também não se pode dizer que não houve avanços no Brasil. Apesar de pecar na qualidade do ensino – é só ver o desempenho pífio de nossos alunos nas áreas de ciência e tecnologia nas avaliações internacionais – houve avanços significativos, principalmente no tocante ao acesso à escola.



A universalização do ensino, mesmo que lentamente, está surtindo efeito. Um dado interessante revelado pelo programa Todos pela Educação e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que mais da metade dos adolescentes de 14 anos já superaram a escolaridade de suas mães. Entre os jovens dessa faixa etária, 71% cursam os três últimos anos do ensino fundamental e 9,5% estudam no ensino médio. Os prognósticos para o futuro são animadores, já que, quanto mais avançado é o ano em que a criança nasceu, maior é a chance de ela completar o ensino médio.

Os dados mostram também uma preocupação importante: a baixa escolaridade dos adultos, que vem preocupando em maior escala as empresas que buscam por mão de obra qualificada. O alento é que temos uma nova geração que chegará ao mercado de trabalho, no futuro, com mais escolaridade. Mas para que chegue mais bem preparada, será necessário que o poder público invista maciçamente na qualidade de ensino. Há problemas sérios desde o ensino fundamental até o superior que precisam ser resolvidos com urgência. Não é admissível, em pleno século 21, que crianças saiam da escola sem saber ler nem escrever corretamente, ou incapazes de realizar operações aritméticas básicas.



Fatores como a desigualdade social agravam ainda mais o quadro das deficiências da educação brasileira. De acordo com a pesquisa já mencionada, existe um abismo entre o ensino privado e o público. Para se dimensionar a defasagem, basta uma comparação: aos 14 anos, 60% dos estudantes da rede pública já atingiram a escolaridade de suas mães, enquanto, entre os alunos da escola particular, apenas 10% chegaram a esse patamar. Isso indica que as mães de alunos dos estabelecimentos privados têm escolaridade mais elevada. Essas famílias entendem a importância da educação para a formação do indivíduo e podem investir no futuro de seus filhos. E é o que pode acontecer com as novas gerações da classe média emergente no País.



*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

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