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EDUCAÇÃO

Tema de redação: qual o impacto do ensino da educação financeira

09 novembro 2021 - 15h53Por Portal MSN

Todo mundo pensa no melhor uso para o dinheiro – às vezes mais do que gostaria. No entanto, a seguir, o GUIA convida você para pensar de forma mais prática sobre o tema em sua vida e nos vestibulares:

A educação financeira é parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Brasil desde 2017. Porém, apenas em 2020 passou a ser implantada nas escolas do ensino infantil e fundamental. Já no ensino médio os conteúdos relacionados ao assunto entrarão em vigor a partir de 2022, na grade do Novo Ensino Médio

Além disso, a educação financeira é uma das principais apostas para o tema de redação do Enem 2021. Nas redes sociais, o Ministério da Educação realizou diversas publicações dando destaque ao assunto.

Gabrielle Cavalin, coordenadora de redação do Poliedro explica: "O brasileiro tem o hábito cultural de gastar mais do que poupar. E pouco conhecimento sobre taxa de juros, créditos, financiamento, endividamento. Todos esses pontos se devem à ausência da educação financeira. A BNCC provoca a necessidade do estudo para mudar a relação que a população adulta tem com o dinheiro".

Guia separou algumas ideias para ajudar você a entender melhor o assunto na vida, nas provas de vestibular e no Enem. 

O que é educação financeira? Conhece-te a ti mesmo

A consultora Cássia D’Aquino é uma das pioneiras do tema no país e vem trabalhando junto a escolas, jovens e adultos do desde 1994. 

Segundo a educadora financeira, para compreender e tirar o melhor proveito da educação financeira, primeiro é preciso ter um objetivo: “É fundamental que os adolescentes percebam o que querem da vida. O que eles querem fazer? Porque isso vai ajudar a lidar com dinheiro. É importante que esses jovens se sintam estimulados a entender a relação de interdependência entre a vida deles e o mundo. É importante saber o que acontece na China, nos Estados Unidos e fazer exercícios de imaginação sobre como isso pode interferir na sua vida, por exemplo.”

Grande parte das pessoas passam por aquele momento na vida em que precisam escolher uma profissão e passam cinco, seis, sete horas em frente a cadernos, livros, anotações, exercícios e provas passadas para conquistar o objetivo de ser aprovado no vestibular. Mas isso é só o começo.

“Os jovens precisam começar a pensar não só o que vão fazer na faculdade, mas os próximos passos de sua vida adulta. O vestibular é importante, mas não é só essa aprovação que conta. O mercado de trabalho tem cada vez menos paciência com jovens que demoram a entrar no mercado. A gente precisa se organizar para ter uma vida profissional. Tudo isso é educação financeira”, afirma Cássia.

Ninguém, no entanto, é obrigado a cursar uma faculdade, de acordo com a educadora financeira. “A faculdade não é um destino-manifesto. Ninguém é obrigado a fazer. Por isso é importante a pessoa se dar conta do que ela quer para sua vida. Você tem que, pelo menos, se perguntar o que você quer para a sua vida. isso vai ajudar a lidar com dinheiro. A mesada não é para sempre.”

Em países como os Estados Unidos é muito comum jovens e adolescentes terem trabalhos temporários em períodos de férias ou finais de semanas para ter seu próprio dinheiro. Essa é uma maneira de compreender o mundo do trabalho e até mesmo conhecer a si próprio e a seus talentos, segundo a educadora financeira. 

“É muito impressionante como ofende os pais a ideia de ter filhos adolescentes trabalhando. Os pais tomam isso como uma ofensa pessoal, um indicador de incompetência. O que é um absurdo porque inibe os jovens de irem tateando o mundo de modo que possam compreender o que querem e o que não querem. Os caras vão crescendo numa rotina absolutamente banal e chega no terceiro ano  sem nenhuma experiência, sem ter nenhuma ideia do que vão encontrar [na vida adulta]. O ideal seria que esse jovem fosse amadurecendo o talento que ele tem.”

No entanto, nas redes sociais proliferam vídeos que “ensinam” os jovens a ficar milionários antes dos 30 anos, esquemas de pirâmides e apostas. “Hoje em dia há jovens de classe média alta, classe alta apostando na internet para ficar rico para não ter que trabalhar. Você imagina uma geração que a medicina diz que vai viver até os 130 anos e que não quer mais trabalhar? Alguém que com 25 anos nunca trabalhou e já não quer trabalhar? Trabalhar não significa forçosamente uma entrada no inferno. Esse tipo de busca pelo dinheiro cresceu muito nos últimos anos em todas as faixas de renda. Assim como carreiras como a de 'influencer'. O influencer é uma pessoa que não é capaz de influir em alguém.”


De estudantes para estudantes

Para ajudar os adolescentes a entenderem não apenas a sua relação com o dinheiro – mas também com o mundo e como este sistema em que vivemos nasceu e se desenvolveu – os estudantes do colégio  2ª série do Ensino Médio do Colégio Marista Arquidiocesano, localizado em São Paulo (SP), criaram um projeto chamado Academia do Dinheiro. 

Por meio dele, são disponibilizadas apostilas de cinco páginas de temas como inflação, consumo excessivo e endividamento. As apostilas podem ser acessadas também pelo link. 

E na redação?

A professora de Linguagens Andréa Santos Neiva Godoy, do curso Anglo, trabalha a questão da educação financeira em sala com seus alunos. “O tema tem bastante relevância no momento em que estamos vivendo”, diz a professora. “A educação financeira é importante para uma boa qualidade de vida. Ela ajuda a organizar os rendimentos, planejar ações futuras.”

Segundo a professora, a temática pode ser abordada em redação por meio da questão do envelhecimento da população, por exemplo. “Em 2030 o Brasil será a quinta pop mais idosa do mundo. E somente 21% dos brasileiros aproximadamente se preparam de alguma forma para a velhice”, afirma.

Outro ponto que pode ser abordado nas redações é o impacto da educação financeira na vida familiar. Ao contrário do que se supõe, não é só o estudante que se organiza melhor e passa a refletir sobre o dinheiro. “A criança que é exposta à educação financeira impacta positivamente a família. 

A professora destaca também que o tema pode ser analisado pelo viés do empreendedorismo. “O brasileiro tem uma 'alma' empreendedora. Só que quando a gente vai ver os dados econômicos a gente vê que inúmeras empresas acabam indo à falência porque as pessoas não têm um mínimo entendimento do planejamento financeiro.”

Como se vê, não faltam assuntos relacionados à educação financeira e que podem ser abordados nas redações. 

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