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Bepe bipolar e a imperscrutabilidade da mente humana, por Wilson Biasotto

27 janeiro 2013 - 09h55

A última notícia que tive de Bepi Bipolar, aquele que ora age com perfeito senso, ora fica ligado ao nonsense, foi que ele havia se mumificado com formol. Mas, como tudo nesse mundo se transforma é provável que o formal tenha perdido o seu efeito e eis que nos aparece novamente Bepi Bipolar, conversando com o seu inseparável amigo Tino Sonso (digite a palavra Bepi em “pesquisar” no site www.biasotto.com.br e veja as suas histórias)

Bepi falava sobre a imperscrutabilidade da mente humana e Tino Sonso não estava entendendo patavina, por isso interrompeu-o e pediu-lhe que explicasse o que seria essa tal coisa que ele nem conseguia repetir o nome.

Estando sabe-se lá em que polo, Bepi explicou pacientemente que de fato, a palavra imperscrutabilidade era difícil tanto para escrever quanto para pronunciar e ainda, pior para entender. Significa, disse ele, aquilo que não se pode pesquisar, então no caso o que quero dizer, prosseguiu, é que a mente humana não pode ser pesquisada, é imperscrutável, pois segundo já ensinava o filósofo francês Descartes, a mente é imaterial. Quer dizer que empiricamente não se pode pesquisar a mente humana, quaisquer postulados sobre ela restringem-se ao campo teórico.

Por sua vez, continuou Bepi, o cérebro humano, aquilo que existe de material dentro de nossas cabeças pode ser identificado, catalogado, estudado enfim, sabe-se há muito tempo as suas funções e até mesmo o que ocorre, por exemplo, com a memória quando uma parte do cérebro é afetada. Mas a mente não é o cérebro embora seja o resultado do conjunto das matérias e substâncias que existem em seu interior.

A mente, concluiu Bepi, se entendida como memória, inteligência, imaginação, ideias, pensamentos, percepção, arquétipos que carregamos de geração em geração, ainda continua uma nebulosa.

Tino Sonso continuava sem entender absolutamente nada, mas mantinha-se atento, se é que ficar de boca aberta e assentindo com a cabeça significa atenção, e Bepi prosseguia em sua verborragia:

Não desconheço, disse ele, que essas questões da mente são do campo das neurociências, ciências cognitivas, psicologia, da psiquiatria, enfim, fogem de minha ocupação principal que é a ociologia (estudos e práticas ligadas ao ócio), mas só desejo compartilhar com você, meu amigo Tino, algumas impressões sobre essas coisas.

Mesmo os gêmeos, continuou Bepi, criados pelos mesmos pais, que frequentaram a mesma escola, comungaram na mesma Igreja, cresceram juntos, têm mentes diferenciadas. Até daria para entender que as pessoas com níveis educacionais, afetivos, culturais, sociais e religiosos diferentes possuíssem mentes diferentes., mas temos que admitir que as heranças genéticas podem se diferenciar e produzir cérebros com características desiguais e, por isso, uma mente humana pode dar respostas completamente diferentes em relação a um mesmo estímulo.

Bingo! É isso Tino, continuou Bepi entrando em estado de euforia: descobri porque uma pessoa, por mais bem tratada que seja, por mais agraciada com nossas benevolências, são incapazes de demonstrar gratidão e, ao contrário, guardam apenas e unicamente coisas desagradáveis, bastando uma simples palavra mal colocada durante uma conversa e elas já se ofendem, ficam magoadas ou às vezes até mesmo emburradas conosco. Rapaz! Exclamou Bepi Bipolar quase em êxtase, dirigindo-se ao seu amigo Tino Sonso. Descobri o remédio para todos os males da humanidade. Basta abrir o crânio de todos os recém-nascidos e ajeitar a estrutura material de dentro do cérebro para que no futuro próximo todos sejam bem sucedidos, alegres e felizes. Transformaremos a Terra no próprio paraíso.

Tino Sonso que tudo escutara com paciência de Jó, olhou bem para o amigo e arriscou perguntar-lhe se isso seria ético e, sendo ético, se não estaríamos com tal feito robotizando os seres humanos e assim correndo o risco de as máquinas aumentarem a inteligência artificial de modo a se sobreporem à própria humanidade.

Nenhuma resposta, Bepi olhava fixamente para o nada. Tino Sonso coçou a cabeça e pensou com os seus botões, tentando advinhar se naquela hora Bepi teria entrado em seu polo nonsense, ou estava no nonsense quando proferiu toda a explanação sobre a mente humana.

suas críticas são bem vindas: biasotto@biasotto.com.br





Wilson Valentim Biasotto *

• Membro da Academia Douradense de Letras; aposentou-se como professor titular pelo CEUD/UFMS, onde, além do magistério e desenvolvimento de projetos de pesquisas, ocupou cargos de chefia e direção.

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