#####Por Stella Zanchett (*)
Aproveitando o ensejo dos artigos sobre os desafios no mercado de trabalho para os jornalistas, vou puxar a sardinha para o meu lado, e problematizar sobre um mercado que vem crescendo e acolhendo novos profissionais da área: a assessoria de comunicação.
Jornalistas encontram na assessoria de imprensa uma área promissora, em que um dos atrativos é a rotina de trabalho pautada pela visão estratégica e planejamento – bem diferente do ineditismo frenético nas redações de impressos, rádios e televisões.
Penso que o comunicador deve ter profunda percepção da sua responsabilidade social. Por outro lado, sei bem que a rotina de trabalho nos oferece os vícios do mercado. O profissional viciado é aquele que – em sendo assessor – pensa que seu trabalho é falar bem do seu empregador. E o jornalista viciado é aquele que, no discurso, até menospreza o trabalho da assessoria de comunicação, mas publica tudo que recebe, do jeito que recebeu.
Falando assim, o jornalista parece um protagonista isolado – quem tem livre vontade para escolher entre ser o mocinho ou ser vilão. Gostaria, então, de lembrar o belo artigo escrito também nesta semana pelo companheiro Luis Carlos Luciano, falando sobre o assédio moral nas redações (e porque não nas empresas e órgãos que contratam jornalistas como assessores?). Também contribui para esta reflexão que faço agora, o texto do jornalista Helton Costa, “O Jornalismo enquanto campo de batalha interno e profissional”.
Devemos lembrar que os vícios profissionais são originados na história pessoal e coletiva. Nós, jornalistas, vivemos uma relação hierárquica com nossos patrões, em um Brasil que não se constrange frente à histórica concentração dos meios de comunicação. Em nossa rotina, cada um de nós sofremos as conseqüências de haver uma classe política que se beneficia com essa mídia sem caráter social, uma casta política que não quer mudar essa correlação de forças.
O jornalista pode ser o protagonista em seu processo de trabalho. Mas quem define o cenário e o enredo dessa nossa história pessoal e coletiva ainda é o empregador, não esqueçamos!
Sejamos jornalistas, assessores, cinegrafistas, repórter fotográfico, etc, exercemos diferentes funções, mas temos o mesmo papel de comunicar à sociedade, e sofremos as mesmas implicações no nosso cotidiano profissional. Diante dessa realidade, a organização sindical continua imprescindível. Desejamos ao Sinjorgran muitos anos de luta à frente, e temos o sincero desejo de que cada vez mais possamos contar com a união de nossa classe, lutando por verdadeira democracia e comunicação com compromisso social.
(*)Presidenta da Comissão de Sindicância do Sinjorgran e jornalista da UFGD
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