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Artigo "Mais uma liderança perdida" por Wilson Biasotto

29 novembro 2011 - 12h46

Numa terra tão pobre em lideranças, perdemos mais uma: Egídio Bruneto faleceu na noite de ontem em Ponta Porã, quando se dirigia a um assentamento da Itamaraty, após acidente automobilístico. Acidentes com vítimas fatais são comuns em nossas estradas, comuns também estão se tornando as mortes de lideranças políticas e sindicais nesses acidentes.

Egídio Bruneto, no entanto não era um homem comum. Era uma liderança forjada na luta do campesinato contra o agronegócio, na luta do trabalho contra o capital. Poucos foram os contatos que tive com ele, no entanto sempre que o via percebia paz em seu semblante, sempre que o ouvia me surpreendia com a sua capacidade de analisar a conjuntura.

Diria que Egidio era um intelectual, se entendermos por intelectual aquele que é capaz de compreender o seu mundo e o seu povo. Um intelectual orgânico, porque além de entender o mundo, transformava esse seu conhecimento em ação para tentar melhorá-lo.

Egidio compreendia muito bem a existência de duas classes antagônicas: a trabalhadora e a burguesa, e por assim pensar entendia que a luta de classes não deveria ter tréguas. Não havia razão para dourar a pílula.

Egidio, como representante da esquerda, não tinha nenhuma razão para eufemismos, isso porque a esquerda, não obstante as suas divergências e incongruências é muito mais objetiva que a direita. Essa, lança mão de eufemismos e subterfúgios, chamando, por exemplo, a empregada doméstica de secretária do lar, como se fosse vergonha ser empregada doméstica ou renega a luta de classes, como se fosse destino ser pobre e trabalhador.

Claro que essas ciladas têm por objetivo obscurecer a consciência do trabalhador.

Morreu Egídio, mas não os seus ideais de construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais igual. Morreu Egídio, mas não o MST. Morreu Egídio, mas não a história.

Na luta pela construção de uma sociedade mais justa, o MST de Egídio Bruneto jamais defendeu a luta armada e o banditismo. Jamais procurou eliminar os seus adversários com o uso da espingarda. Talvez eu exagere em comparar o Movimento Sem terra à luta pela liberdade indiana de Gandhi, mas convenhamos, o MST é protagonista de um movimento pacífico, organizado, consciente.

Não fosse o MST o que seria do trabalhador rural brasileiro? Não fosse o MST quem conseguiria frear a insana ganância do agronegócio? Não fosse o MST e os Egídios esparramados por esse Brasil de meu Deus, será que o trabalhador despojado de suas terras teria consciência política de sua pobreza?

Pela sua participação na luta pela terra a direção nacional do MST distribuiu nota dizendo que Egídio Bruneto foi um “Militante exemplar, preocupava-se sempre com os cuidados de cada militante. Foi uma pessoa generosa e solidária com todos. Egídio empunhou a bandeira do internacionalismo e da solidariedade às luta dos povos e da classe trabalhadora, responsável pela relação do Movimento com organizações camponesas na América Latina e no mundo, sendo fundador da Via Campesina Internacional.

O MST e o povo brasileiro perdem um grande companheiro e um ser humano exemplar, um guerreiro Sem Terra que andou pelo mundo, construindo alianças com a classe trabalhadora”.

Suas críticas são bem vindas
biasotto@biasotto.com.br



Wilson Valentim Biasotto*
* Membro da Academia Douradense de Letras; aposentou-se como professor titular pelo CEUD/UFMS, onde, além do magistério e desenvolvimento de projetos de pesquisas, ocupou cargos de chefia e direção.


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