Nessa semana, a literatura vai voltar a ocupar um merecido espaço de destaque nas conversas e na mídia. No primeiro dia de setembro começou a XV Bienal do Livro do Rio de Janeiro, possivelmente o único evento do país, em termos de grandiosidade e importância, a concorrer com a mostra paulista que só volta a ser realizada no ano que vem.
O assunto vem bem a calhar, especialmente depois que a Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou um levantamento de resultados preocupantes: os universitários não leem mais do que 1 a 4 livros por ano. Ressalte-se que essa é a média nacional, ou seja, há faculdades como a Federal do Maranhão em que 23,24% dos estudantes não tocam em um livro sequer durante o ano. Na outra ponta da estatística, está a Federal do Rio Grande do Sul, da qual 23% dos alunos leem mais de dez obras no período.
O comportamento do estudante que gravita entre os dois extremos – especialmente aqueles que pendem para o mau exemplo maranhense – deve ser recriminado. É verdade que geralmente ocupamos essas linhas para exaltar os benefícios das vivências práticas para a formação do futuro profissional, mas é imperioso ressaltar que elas terão seus efeitos potencializados com o hábito da leitura – até porque as aulas expositivas nunca abarcam a totalidade dos conhecimentos necessários para a futura profissão. Nos livros estão ideias e conceitos capazes de ampliar a capacidade analítica dos leitores, que ganham lastro para reflexões mais aprofundadas sobre a realidade e as próprias atividades profissionais, habilidade apreciada na atuação e formação de líderes. Além disso, ultrapassando a esfera das publicações técnicas, os leitores entram em contato com um universo de informações que enriquecem seu repertório de conhecimentos e sua visão crítica, aprimorando uma série de outras competências úteis tanto para a carreira quanto para a vida.
Para cultivar o hábito da leitura, é preciso empenho, disciplina e uma dose generosa de interesse, especialmente por parte dessa nova geração conectada com as informações rápidas – e por que não dizer rasas? – da internet e dos estímulos visuais dos jogos eletrônicos.
Em tempo, convém deixar outra orientação aos estudantes: não se esqueçam dos jornais. Esse, por exemplo, que você tem em mãos nesse momento é um ótimo ponto de partida. Há empresas que avaliam o nível de atualização dos candidatos a estágio ou emprego pela quantidade de periódicos lidos, valorizando quem está mais bem informado. Por fim, lembre-se sempre da máxima: “conhecimento não ocupa espaço”. Torne-se um assíduo frequentador da biblioteca da sua cidade, nos últimos anos não foram poucos os relatos de instituições que foram fechadas pela falta de procura do público.
Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.
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