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INOVAÇÃO

Designer catarinense desponta com móveis de madeira e acabamentos originais

06 outubro 2014 - 07h57

O designer Bruno Faucz tem uma obsessão assumida pelos detalhes, pelo pequeno toque que pode virar protagonista da peça e fazer toda a diferença.

— Meu processo criativo é marcado por esta busca incessante. O que puxa o olhar da pessoa para aquele móvel? — define. — Eu persigo o detalhe, como uma cinta, um botão, um pendente, o acabamento escondido atrás da cadeira.

Uma rápida avaliada na carreira do catarinense de 28 anos recém-completados e conclui-se que os “olhares” estão sendo conquistados com louvor, de quem entende do assunto. Faz pouco mais de um ano que ele abriu o próprio estúdio e seu nome já surgiu por aqui dividindo espaço com os grandes do design nacional, como Sergio Rodrigues, Claudia Moreira Salles e Carlos Motta, nas lojas especializadas da cidade.

Não para por aí. O rapaz entrou no rol dos finalistas do prestigiado prêmio brasileiro Salão Design (com a poltrona Cavalera), foi convidado para expor nas semanas de design de Nova York e Paris, e outra de suas poltronas (a Canela) entrou no livro “Design brasileiro de móveis”, da editora Olhares. A publicação, com organização do galerista Marcelo Vasconcellos e do designer Zanini de Zanine, conta com os principais destaques em mobiliário de assento de 1928 a 2013.

Zanini lembra da surpresa ao saber a idade de Bruno:

— Quando vi suas obras pela primeira vez, jurava que tinham sido desenhadas por um veterano. Ele tem uma maturidade incompatível com alguém que nasceu em 1986 — elogia. — Ele usa o couro e a madeira de uma forma muito autoral, que agrega e resgata a brasilidade na sua forma mais genuína.
Experiência ele ganhou nos sete anos que trabalhou numa das indústrias do polo moveleiro de São Bento do Sul, cidade natal onde reside até hoje (numa casa com a mulher e dois cachorros), no Norte de Santa Catarina. Ainda no primeiro ano da faculdade de Design, aos 19 anos, ingressou no emprego para fazer de tudo um pouco — de organizar planilhas à parte mais técnica. Quatro anos depois, começou a criar algumas linhas para a marca até resolver apostar na carreira solo.

Em maio do ano passado, Bruno Faucz criou um site expondo suas criações autorais em 3D, e fez alguns contatos. Simples assim.

— Algumas empresas ligaram querendo produzir as peças, e a partir daí tudo aconteceu — resume.
Em pouco tempo, seus móveis estavam nas principais feiras do país, levados pelas empresas produtoras, e rapidamente os experts enxergaram o talento do moço. A arquiteta Hetty Goldberg, que tem um showroom no Leblon, encantou-se pelos traços retos, originais e versáteis das criações.

— Há bufês e aparadores suspensos com pés finos, que mantêm o corpo afastado do chão. Isso dá muita leveza ao olhar e valoriza o desenho — diz Hetty.

O material número um das cerca de cem peças assinadas pelo designer é a madeira, entre tauari, jequitibá, açoita e freijó, acompanhada de palhinha, couro ou lona de caminhão. Bruno confessa uma queda pelos assentos, que, não à toa, são suas criações mais bem-sucedidas.

— Já reparou que a peça ícone dos grandes designers é quase sempre uma poltrona ou uma cadeira? É mais desafiante, porque, além da estética, entra em jogo o conforto — explica.

Na Semana de Design de Paris, de onde acaba de voltar, foram três poltronas que ganharam destaque: Camp, que mistura couro com estampa tramada, Nonno, com encosto afivelado num cinto, e Barra, com vários traços que se cruzam.

Por aqui, os móveis recheiam as lojas de design Hetty Goldberg, Udine Casa, Novo Ambiente, Arquivo Contemporâneo, Way Design e Finish. No momento, Bruno está envolvido com a produção de uma coleção de luminárias que será lançada pela Tok & Stok.

Filho de uma professora e de um técnico em elétrica, o catarinense demonstra o entusiasmo de quem está vendo a carreira decolar. Como sempre gostou de desenhar, conta que desde muito cedo sentia que trabalharia com algo ligado à criação. E lembra como os móveis de pés palitos das casas de suas duas avós chamavam sua atenção.

— Meus móveis têm uma influência dos anos 1950, 60, por isso algumas pessoas acham retrô — diz. — Gosto de olhar para eles e pensar que têm um pouco a cara dessa época, mas que se encaixam bem hoje e que daqui a 30 anos não terão envelhecido. Esta é outra busca minha.


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