Cuidar da saúde mental é uma tarefa que passa por uma série de aspectos, da alimentação aos exercícios físicos, e até por detalhes que compõem o espaço onde se vive. Afinal, para vários especialistas, os ambientes influenciam diretamente nas questões emocionais e na maneira como as pessoas lidam com elas, sabia?
Para a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo, Marilice Casagrande Lass Botelho, isso fica claro principalmente em alguns aspectos da arquitetura e da decoração da casa. “Os aspectos mais prejudiciais à saúde mental dos usuários dos espaços normalmente estão relacionados a questões de proporção (problemas ergonômicos), incidência inadequada de iluminação natural, presença de ruído e uso inadequado de cores e textura”, explica ela. Sendo assim, é muito importante entender como certas questões da casa podem nos afetar e como evitar cometer erros.
Como o ambiente influencia na saúde mental?
Existem fatores da arquitetura e da decoração que podem afetar a forma como as pessoas se sentem. “Projetos bem planejados — com proporções espaciais e iluminação corretamente aplicadas, ventilação apropriada, baixo índice de ruído e paleta de acabamentos compatível com as funções ali desenvolvidas — geram espaços confortáveis e harmônicos, contribuindo assim para o bem viver”, destaca Marilice.
Um dos aspectos mais importantes para que um ambiente fique mais confortável para os moradores é a iluminação natural. E isso tem relação com a biologia, já que pesquisas demonstram que a luminosidade no ambiente interfere diretamente no metabolismo.
Ter pouco contato com a luz natural muda a produção de certos hormônios, causando alterações de humor e padrões de sono, além do desenvolvimento de sintomas de depressão. Por isso, sempre que possível, deixe a luz natural entrar nos ambientes, viu?

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Ter uma casa com bastante iluminação natural pode deixar você mais feliz (Foto: Shutterstock)
O que fazer para ter uma casa que não gere estresse?
Existem alguns cuidados que você pode tomar para que a decoração da sua casa seja benéfica para o seu bem-estar. Marilice lembra que incorporar características da natureza ao ambiente, por exemplo, é uma estratégia interessante nesse sentido.
Elementos como água, vegetação, luz natural, madeira e pedra, por exemplo, são boas opções para transmitir sensação de bem-estar e conforto emocional. Tudo isso se relaciona com a ideia da biofilia, termo popularizado em um livro de Edward Osborne Wilson e que no grego antigo pode ser traduzido como “amor às coisas vivas”.
Segundo a biofilia, a forma dos móveis e dos ambientes também contribui para que um lugar seja mais — ou menos — amigável para a saúde mental. “O uso de formas e silhuetas que mimetizem coisas encontradas no mundo natural, com formatos mais sinuosos e orgânicos, em vez das linhas retas e formas geométricas, é outro fator que pode ajudar a manter-se mentalmente mais saudável”, explica Marilice.
Além disso, as cores também podem colaborar. Afinal, a psicologia das cores afirma que diferentes emoções estão relacionadas às diferentes cores. Por isso, vale estudar mais sobre essa questão e ver quais tons devem aparecer mais na sua decoração.
Por fim, mesmo que existam indícios de que a decoração e a arquitetura podem ter ligações com a nossa saúde mental, organizar os ambientes de acordo com isso não substitui outros hábitos saudáveis ou as consultas com um especialista, hein?
Fonte: Marilice Casagrande Lass Botelho, professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo (UP).
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