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A família pede socorro – Parte I, por Julio Saldivar

12 julho 2011 - 14h32

Dias atrás fiz parte de uma comissão do PSDC – Partido Social Democrata Cristão, aqui de Dourados, ao qual estou filiado desde o início de 2010, que participou em Campo Grande de um encontro de líderes do partido na região Centro-Oeste, e que contou inclusive com a presença do Presidente nacional do Partido, ex-deputado federal constituinte e ex-candidato a Presidente da Republica José Maria Eymael. Um dos temas que mais me chamou a atenção foi a notícia da proposta levada pelo nosso presidente nacional para a Presidente da Republica, Sra. Dilma Roussef , de criação do Ministério da Família, ou seja, um ministério que seria o responsável pela gestão de todos os programas existentes, espalhados pelos diversos ministérios do Governo Federal, e ainda o desenvolvimento de novas políticas publicas em prol da felicidade da família.

O termo “felicidade da família”, como bem disse Eymael, é a melhor tradução do que seria vida digna para a família. E aí cabe ao estado fazer a sua parte através de ações que ofereçam facilidades de acesso ao mercado de trabalho, habitação, alimento, saúde, lazer e educação digna a família. A satisfação dessas necessidades traz paz, prosperidade e, claro, felicidade.

Dessas necessidades, falo hoje do trabalho. O trabalho, além da dignidade a quem o faz, traz o sustento das necessidades básicas do trabalhador e a sua família, como alimentação, vestuário, e outras. O trabalho pode ainda ser considerado o fator preponderante para que a família tenha acesso, ou a satisfação das demais necessidades, quais sejam: saúde, educação e lazer.

Considero como um dos requisitos essenciais para que o trabalho cumpra sua função social é o de que ele exista o quanto mais próximo da família possível, ou seja, dentro de um limite geográfico que não interfira no convívio do trabalhador com a família. A situação que vou descrever a seguir acontece nas grandes cidades, mas em cidades médias como Dourados também já ocorre, principalmente nas industrias, como, por exemplo, as usinas de álcool situadas fora e distantes do perímetro urbano.

Não é pequeno o numero de trabalhadores sujeitos a cumprir jornada de trabalho distante da sua casa, muitas vezes em atividades insalubres, degradantes, cumprindo escalas que lhe tiram o final de semana ou noite, ou ambos. Para trabalhar, a pessoa tem que passar por uma rotina humilhante, horas se locomovendo no trajeto de ida e volta do trabalho em meios de transporte muitas vezes sem o mínimo possível de segurança e comodidade, enfrentando um transito caótico, como ocorre na maioria das grandes cidades. Esses, e tantos outros importantes fatores, contribuem e muito para a fragilidade da saúde do trabalhador, para o pouco tempo de convívio e destruição da família.

É humanamente impossível considerar que a pessoa sujeita a essa rotina estafante tenha tempo e condições físicas de dar a devida atenção a(o) esposa(o) e filhos. Como é que fica a relação conjugal?... Como é que fica a cabeça de uma criança que vê, ou não, os pais passarem pela sua infância, sem tempo ou condições físicas e psicológicas para sentar e brincar um pouco ou acompanhar as suas atividades escolares?... Esse distanciamento, mais que a destruição da família, provoca grande estrago social.

Então o poder público, sem desmerecer também a obrigação da iniciativa privada, tem o dever de criar mecanismos que favoreçam o convívio familiar do trabalhador. Isso deve passar pela definição das áreas de instalação das grandes empresas, da questão da jornada de trabalho, transporte eficaz e outros tantos itens importantes. O essencial aqui, e que quero demonstrar é que, se as ações visam o convívio familiar, vários e atuais problemas sociais poderiam estar sendo amenizados, como os da saúde, dos vícios e da criminalidade.

O trabalho, muito mais que simplesmente atender a necessidades básicas de sobrevivência, deve dignificar pela possibilidade de oferecer qualidade de vida para o trabalhador e sua família. Qualidade de vida passa necessariamente pela possibilidade de manutenção dos laços de afeto e companheirismo entre os membros da família. A competição desenfreada, sob todos os aspectos, nos dias atuais, não tem favorecido a manutenção desses laços e, sem duvida nenhuma, tem sido grande responsável por trazer muita infelicidade não só para a família mas para toda a sociedade.

Julio Saldivar - Empresário na área trabalhista e de RH. - e-mail: julio.saldivar@gmail.com

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