#####.
A nova “lei seca”, entrada em vigor na semana passada, mobiliza as polícias. Só no Natal, 300 motoristas do Rio e São Paulo foram flagrados com mais álcool na cabeça que o permitido, e vão sofrer as conseqüências agora ampliadas. Mas, mesmo assim, dificilmente teremos a solução para a grave interação bebida-direção, que tantas vítimas tem feito nas ruas e estradas brasileiras. A possibilidade do pagamento de fiança tira todo o rigor da lei e pode até servir de incentivo aos mais abastados, que continuam bebendo e dirigindo e, quando encontram o comando, pagam aquela importância em dinheiro e saem pela porta da frente da repartição policial. E, dessa forma, o trânsito continua matando. A única diferença é que o Estado arrecada um pouco mais.
Para ter efeito e evitar o cometimento dos crimes nela previstos, a lei tem de resultar na privação de liberdade. Tendo a certeza de que irá para a cadeia se for flagrado numa blitz ou envolver-se em acidente, o indivíduo deixará de beber para depois sair conduzindo seu veículo. Não o fará porque, além do desconforto do cárcere, se passar um tempo (mesmo alguns dias) recolhido, poderá perder seu emprego, deixar de cuidar dos negócios e, além disso, gastar com advogado para sua soltura e defesa no processo.
Da forma em que foi concebida, a nova lei acabará penalizando os pobres que, muitas vezes, não terão com que pagar a fiança e, apenas por isso, ficarão algum tempo na cadeia. Mas não conterá os endinheirados baladeiros que aterrorizam as ruas durante as madrugadas. A válvula da fiança os torna impunes e, mais que isso, também quebra o galho do Estado, que não dispõe das vagas prisionais necessárias para a aplicação de uma lei mais severa e eficiente. Logo, o Estado acaba metendo a mão no bolso do infrator e fazendo de conta que o pune, pouco ou nada se importando com as mortes produzidas em via pública.
Já faz muito tempo que o Brasil carece de uma ampla reforma na legislação penal de trânsito. Motoristas alcoolizados ou simples imbecis imperitos para a condução de veículos cometem as mais graves infrações, dão causa a acidentes de elevada monta e nada lhes acontece. Isso precisa mudar radicalmente e todos os que se sentam ao volante de um veículo devem ter consciência das normas a seguir e, principalmente, saber que, descumprindo-as, terão muitos problemas, já que o veículo mal utilizado transforma-se numa arma mortífera. O país que não teve competência para bem adestrar seus motoristas, infelizmente, agora tem de multá-los e até prendê-los.
A estrutura fiscalizadora do trânsito é voltada para a arrecadação. Mas não deveria. Além de arrecadar, o sistema precisa apontar para a prevenção e, com todo o vigor, para a punição de todos os que insistem em descumprir os regulamentos. Quando o Estado apenas arrecada, podemos considerá-lo conivente com todo o mal que se pratica. Isso é inaceitável...
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)aspomilpm@terra.com.br
Deixe seu Comentário
Leia Também

PM desocupa estudantes da reitoria da USP

Funcionário de bar é agredido durante briga generalizada no Jardim Tropical

Apocalipse nos Trópicos e O Agente Secreto vencem Prêmios Platinos

Homem é preso após ameaçar companheira com espingarda em fazenda

TV Brasil Play exibe clássicos da filmografia de Rogério Sganzerla

Dourados registra mais de 8 mil notificações de chikungunya e três mortes em investigação

DAC e União ABC abrem semifinal da Seletiva Sub-20 com empate em Dourados

Duas caminhonetes furtadas são recuperadas após fuga na região de Angélica

Desinformação sobre PL da Misoginia cresce nas redes, diz estudo

Segundo veículo é encontrado batido em Dourados na manhã deste domingo
Mais Lidas

Começa obra que encurtará distância entre Capital e município do interior

Prefeito é questionado pelo MPMS por viagens a show e também para fora do país

Drones passam a ser utilizados para ampliar vigilância e segurança na PED
