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Acusados de corrupção, vereadores não reeleitos dizem que eleição foi difícil

Dos nove parlamentares que tentaram a reeleição e não conseguiram em Dourados, cinco respondem a processos com denúncias de fraudes

17 novembro 2020 - 09h23Por André Bento

As eleições municipais deste ano não foram fáceis. Essa avaliação foi feita na sessão ordinária de segunda-feira (16) da Câmara de Dourados por quatro vereadores que não conseguiram a reeleição e em comum, além de considerarem esse pleito difícil, são acusados de corrupção. Todos negam as acusações. 

Um desses parlamentares é Cirilo Ramão (MDB), que ficou na suplência, votado por 542 eleitores no domingo (15). Nas eleições anteriores, em 2012 e 2016, quando seu nome de urna era Pastor Cirilo, ele foi eleito pelo PTC com 1.461 votos e reeleito pelo PMDB com 1.238. 

Depois desses dois êxitos eleitorais, porém, Cirilo Ramão Ruis Cardoso viveu dias difíceis com idas e vindas à prisão após ser alvo da Operação Cifra Negra, deflagrada em 5 de dezembro de 2018 pelo MPE-MS (Ministério Público Estadual) contra supostas fraudes licitatórias no Legislativo municipal. 

Na Justiça Estadual, responde a processos que envolvem dezenas de denunciados, entre vereadores, servidores da Câmara e empresários, com denúncias formais de fraude licitatória, corrupção ativa, peculato, corrupção passiva, e organização criminosa. 

“Campanha dificílima, uma das mais complicadas que já vi na vida. Dizer aos eleitos e reeleitos parabéns, curtir o momento, porque campanha vitoriosa num momento que a gente passou, diferente de tudo que vivemos, foi aprendizado grande para vocês”, disse na sessão de ontem.

Para ele, o número excessivo de candidaturas à Câmara de Vereadores, superior a 300, deve fazer com que os partidos políticos revejam as formas de tocar as campanhas a partir de agora.

“É muita gente, muito candidato. Isso fragmentou muito os votos, a questão da chuva no dia também e a falta de empolgação que a população está em cima dos políticos acabou dando esse diferencial na eleição principalmente para vereador, que é bem complicada, acirrada”, acrescentou. 

Apesar da derrota nas urnas, Cirilo manteve o bom humor e brincou com o presidente da Câmara, vereador Alan Guedes (Progressistas), eleito prefeito no domingo. “Quero dizer ao prefeito que preciso de emprego porque a partir de hoje estou desempregado”, afirmou, ressaltando ser uma brincadeira. 

Outro alvo da Operação Cifra Negra que também não conseguiu ser reeleito no domingo foi Pedro Pepa (DEM). O vereador será suplente a partir de 2021 porque seus 872 votos não foram suficientes para manter a vaga no Palácio Jaguaribe.

Ele chegou à Casa de Leis em 2012, votado por 1.970 eleitores, e prosseguiu em 2016, graças a 2.305 votos. 

“Eleição difícil, eleição diferente, mas obtivemos os nossos 879 votos. Isso me orgulha muito diante do momento, tivemos eleição um pouco diferente e nós mesmo com a experiência política que adquirimos ao longo do tempo tivemos dificuldade (sic)”, declarou durante a sessão de ontem. 

Pepa garantiu estar muito satisfeito e feliz de poder participar de mais esse processo eleitoral. “Participando, com certeza levamos nossas ideias e prestamos contas do nosso mandato, fizemos os esclarecimentos e me senti muito orgulhoso”, detalha. 

A sessão ordinária de segunda-feira também foi ocasião para a vereadora Denize Portollann de Moura Martins (PSDB) desabafar. Os 337 votos obtidos por ela no domingo não foram suficientes para reeleição. 

Em 2016, então pelo PR e com nome de urna Diretora Denize, ela foi opção de 1.331 eleitores e ficou na suplência. Porém, foi nomeada no começo do mandato da prefeita Délia Razuk (sem partido) para comandar a Secretaria Municipal de Administração e posteriormente a de Educação, até que foi convocada pela Câmara na condição de suplente de Braz Melo, cujo mandato no Legislativo foi extinto em decorrência de condenação por improbidade administrativa. 

Dias após a posse na Casa de Leis, já em 31 de outubro de 2018, Denize foi presa durante a Operação Pregão, deflagrada pelo MPE-MS contra supostas fraudes licitatórias na Prefeitura de Dourados, com indícios de envolvimento justamente na secretaria que comandou. Ela é ré em processo por improbidade administrativa.

“Para aqueles que não conseguiram [ser reeleitos] como eu, foi uma eleição difícil, atípica, de idas e vindas, e tornou-se mais difícil na metade da caminhada, quando candidatos que não têm proposta para a cidade atacam os demais. É muito fácil apontar, é muito fácil falar e não falar de propostas. Isso é muito triste para nossa cidade. A maioria saiu candidato para atacar os demais e não tinham proposta nenhuma”, disparou. 

Apesar de considerar “muito triste isso”, Denize afirma que não vai desistir. “Recebi vários telefonemas me parabenizando pela coragem, de tanta paulada, de tantas falácias de pessoas que muitas vezes não têm o que fazer, de expor a imagem da gente nas redes sociais como maldade. Mas vou falar para vocês, me sinto orgulhosa, me sinto uma mulher corajosa, me sinto uma mulher determinada diante das situações atuais da nossa cidade. Os votos que obtive, eu tenho certeza que foram dos verdadeiros amigos e daqueles que acreditam na Denize. Bola para frente, vida que segue, mas dificilmente eu vou desistir”, assegurou. 

Outro vereador implicado em denúncia de corrupção e não reeleito neste domingo foi Juarez de Oliveira (MDB), O Juarez Amigo de Todos, suplente votado por 802 eleitores. Em 2012, havia sido eleito pelo PRB com 2.187 votos e em 2016, então Juarez Amigo do Esporte, manteve o cargo com 1.944.

Nesse meio tempo, no dia 3 de junho de 2013 assessoras nomeadas pelo vereador prestaram depoimento na 16ª Promotoria de Justiça e relataram a prática conhecida como “rachadinha”, com “devoluções [de parte dos próprios salários] que faziam mediante coação, com o receio de perderem seus empregos junto à Câmara Municipal de Dourados”, sob a justificativa de custear despesas de gabinete.

Essa denúncia originou a Ação Civil de Improbidade Administrativa número 0810844-04.2016.8.12.0002, em trâmite desde 2016 e na qual o vereador Juarez Oliveira foi denunciado por improbidade administrativa. Mas audiência de instrução e julgamento que ocorreria no dia 1º de julho de 2020 foi suspensa por causa da pandemia do novo coronavírus. (saiba mais)

“Eleição muito difícil por estar em plena pandemia, mas tivemos mais de 120 mil eleitores escolhendo seus representantes. A disputa é assim mesmo, já estou no meu terceiro mandato e disputando minha quarta eleição. Que o MDB através do Olavo Sul e do Laudir Munareto tenham muito sucesso. A nossa gente precisa voltar a ter orgulho e alegria de estar na cidade”, resumiu na sessão de ontem.

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