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Vereador justifica "natureza procriativa" por gays em ilha

19 setembro 2014 - 12h05

O Dourados News teve acesso às imagens da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Dourados realizada na manhã de segunda-feira (15) passada, onde o vereador Sérgio Nogueira usou seu discurso para questionar as palestras que seriam proferidas no município, dentro das atividades de combate à homofobia, e ainda sugeriu colocar homossexuais em uma ilha por 50 anos, como forma de justificar o convívio familiar.

Durante sua fala, o legislador relata buscar saber o conteúdo a ser passado nas escolas dentro da programação que teve início nesta semana.

“Eu me preocupo muito com o rumo dessas palestras que serão proferidas. Tentei ligar agora cedo para a secretária de Assistência Social, minha amiga, Ledi Ferla [secretária de Assistência Social do município], pra saber quem vai dar essas palestras e qual o teor dessas palestras, porque na verdade falar sobre homofobia são coisas que nós concordamos, todos nós concordamos. Nós somos contra, totalmente contra, não só nós vereadores, esse plenário, as pessoas que nos assistem na televisão. Nós somos contra a homofobia, é crime. Mas nós não podemos passar a ideia de que o anormal é normal”, disse.

Ao continuar suas palavras, o vereador aponta o atual governo como responsável pelo que chama de ‘desconstrução da família’.

“Porque existe um plano nacional dos direitos humanos três, deste governo que está aí, no nosso país. E esse plano, lá no capítulo cinco, ele trata da desconstrução em linhas garrafais, desconstrução da família pensando na heterossexualidade. Ou seja, para esse governo, a família ela tem que ser desconstruída no seu padrão normal, no padrão que nós conhecemos, a família tradicional, para dar lugar a outros conceitos de família”, continua o vereador.

Por fim, Sérgio Nogueira relata respeitar as opções das pessoas, porém, sugere que se homossexuais forem colocados numa ilha por 50 anos, ‘não terá mais ninguém’, atribuindo ao fato, segundo ele, da família ser formada por ‘homem/mulher, macho/fêmea e depois os filhos’.

“Eu respeito quem quiser fazer o que quiser do seu corpo, pode, pode fazer o que quiser, mas não venha me dizer que isso é normal e que a sociedade precisa agir assim. Basta colocar as pessoas que pensam dessa forma numa ilha. Coloca numa ilha. Deixa lá quem quer viver a sua homossexualidade lá numa ilha 50 anos, coloca duas ilhas, duas ilhas, 50 anos. Daqui 50 anos não tem mais ninguém. Por que? Porque a família é constituída de pai mãe, macho/fêmea, homem/mulher, e daí vêm os filhos”, confira vídeo abaixo:

Após a polêmica, o Dourados News entrou em contato com a assessoria de imprensa do vereador, que justificou o discurso de segunda à preocupação do legislador em relação ao material distribuído pelo governo federal aos municípios.

“A minha fala na tribuna foi em relação à minha preocupação com o material que o governo federal envia para os municípios. Eu comentei que gostaria, como representante de muitos segmentos sociais e presidente da Comissão Permanente de Assistência Social da Casa de Leis do nosso município, participar da análise deste material. Foi essa a preocupação que manifestei na Câmara”, relatou.

Sobre o fato de sugerir uma ilha aos homossexuais, Sérgio Nogueira diz ter feito uma analogia sobre ‘natureza procriativa’.

“O que eu fiz na Tribuna foi fazer uma analogia muito utilizada nas mídias sociais, sobre a natureza não procriativa das famílias homossexuais da forma natural como ocorre com famílias heterossexuais. Eu disse que se os homossexuais vivessem em uma ilha, isolados, em 50 anos se extinguiriam, pois não teriam se perpetuado. E vale ressaltar que no meu discurso eu mencionei sobre duas ilhas, logo, os heterossexuais como eu, também estaríamos numa ilha”.

ASSOCIAÇÃO IRÁ ACIONAR VEREADOR NA JUSTIÇA

Em meio à polêmica sobre a declaração do vereador Sérgio Nogueira, que sugeriu colocar homossexuais numa ilha, durante o seu discurso, a presidente da AGLTD (Associação de Gays Lésbicas e Transgeneros de Dourados), Cláudia Rosa Assunção, disse em entrevista ao Dourados News que o legislador terá que responder judicialmente pelo fato.

Classificando a atitude de Nogueira como ‘ridícula’, Cláudia disse que a fala surpreendeu toda a comunidade LGBT, não só do município, mas de todo o Brasil.

“Eu falei para ele que isso é ridículo, que isso não se faz com ninguém. E a maneira como ele se posicionou, surpreendeu toda a população, repercutindo não só no Mato Grosso do Sul, mas no Brasil todo. Acredito que ele, como parlamentar, deveria ficar em silêncio e não se pronunciar. Já tive uma conversa com ele hoje [quarta-feira (16)] à tarde e disse que essas coisas [posicionamento] devem ser feitas num lugar privado e restrito. Porque ele é um homem público”, disse.

Na quarta-feira (17), durante a abertura oficial do workshop “Avança Dourados: respeito à diversidade combatendo a homofobia”, o presidente da Câmara de Vereadores, Idenor Machado (DEM) afirmou que o preconceito deve ser combatido e deve-se lutar pela igualdade.

Ele também relatou que o Conselho de Ética da casa analisará o caso e disse ainda ter conversado com o vereador Sergio Nogueira sobre o discurso.

“Acho que ele está buscando educadamente retomar um diálogo. Ressalto que não estou aqui falando em nome dele, estou apenas citando a sua posição. O Conselho de Ética irá requerer dele as explicações necessárias e assim tomar as medidas cabíveis”, relatou.

Porém, a assessoria de imprensa do vereador disse que oficialmente, nada chegou ao seu gabinete.

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