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DOURADOS

'O cara' multiprodutos no Centro, Francisco chegou seduzido pela promessa de fartura

20 julho 2021 - 14h17Por Wender Carbonari

No rescaldo das ideias impulsionadas pela ‘marcha para o Oeste’, o nordestino Francisco Clemente da Silva, 79 anos, veio tentar a vida em Dourados no início dos anos 1970. Nascido no Rio Grande do Norte, ele chegou a morar em São Paulo antes de desembarcar no então estado de Mato Grosso para trabalhar na roça. 

Atualmente, seu Francisco mora no bairro Jardim Ouro Verde, é pai de 12 filhos e atua como vendedor ambulante, comercializando produtos como panos de prato, cintos, doces caseiros e até cadeados na região central da cidade, mais precisamente em frente a Igreja Presbiteriana, popularmente conhecida como a 'Igreja do Relógio'.

Ao Dourados News, o idoso contou que nestes 38 anos atuou principalmente como feirante, iniciando antes mesmo da Feira Livre de Dourados ser transferida para rua Cuiabá, onde permaneceu até 2016. Hoje em dia a principal feira do município está situada no jardim Água Boa. 

Francisco conta que chegou em Dourados seduzido pelas propagandas que descreviam as regiões ao sul do estado como “terra da fartura”, resultado de anos de políticas públicas de amplitude nacional que incentivavam a migração de populações para áreas pouco habitadas por pessoas não-indígenas, geralmente a oeste do território nacional. 

“Naquela época tinha muita fartura. Eu vim para Dourados por causa de um cunhado que trabalhava em uma lavoura. Eles sempre diziam isso. Ele tinha uma fazenda ao lado do Rio Dourados onde trabalhei por uns dois anos”, relembrou. 

Por outro lado, no começo dos anos 1970, antes mesmo da criação do Mato Grosso do Sul, a região tinha a fama de ‘terra sem lei’, com referência ao Estado brasileiro ainda incipiente nas áreas de fronteira com os outros países da América do Sul. 

Tanto que a família de Francisco, na época com aproximadamente  40 anos de idade, tentou impedi-lo de se mudar para o sul do estado de Mato Grosso, temendo pela vida dele em uma área do País considerada violenta principalmente no imaginário de quem morava nos grandes centros. 

“Falei para minha família que eu ia para o Mato Grosso. ‘Homem, não vai não que a lei por lá é o 44’. Naquela época era brabo [sic]. Aqui quem podia mais engolia o outro. Mas com aqueles que são de bem, nada acontece. Aí encarei”, disse Francisco enquanto cuidava de suas mercadorias na esquina entre a rua Camilo Ermelindo da Silva com a Avenida Marcelino Pires. 

E encarou mesmo. Porém, a expectativa gerada em torno da suposta “terra da fartura” acabou sendo minada e o trabalhador teve que se adaptar, assim como já havia feito em outras ocasiões desde que saiu de sua terra Natal. 

Antes de se tornar vendedor nestes 38 anos que se passaram em Dourados, Francisco afirma que já havia trabalhado como mestre de obras, o que ajudou a fazer bicos como pedreiro nos primeiros anos por aqui. 

Ele completou ainda lembrando que em São Paulo chegou a ser carpinteiro, barbeiro e se arriscou até como eletricista. “Posso te dizer que nunca em minha vida estive parado. Não me arrependo de nada e graças a Deus não devo nada para ninguém”, finalizou orgulhoso. 
 

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