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ARTIGO

Sugestão de Carnaval...

14 fevereiro 2026 - 13h00Por Rodolpho Barreto

QUAL O MAL? Quando queremos saber se algo é positivo/construtivo ou negativo/destrutivo, devemos analisar, não somente as nossas sensações do momento, quase sempre enganosas, mas os resultados/consequências a médio e longo prazo do que estamos fazendo. Desta forma, mesmo aquilo que pareça ser "alegre, agradável e prazeroso", poderá trazer consequências tristes, sofridas, infelizes. É como o diabético, que tem prazer em comer doce, mas deve evitar, para preservar a saúde. No caso dos carnavais, já sabemos de muitas das suas consequências danosas...

O problema não é o carnaval em si, mas os abusos cometidos nele e em seu nome. Pessoas respeitáveis, cidadãos dignos, que se permitem sair da rotina para "extravasar"? Até aí tudo bem. Trabalhadores que, muitas vezes, andam endividados o ano todo e gastam o que não têm para participar de dias de "alegria"? Jovens e adultos, sedutores e seduzidos, que se deixam cair nas armadilhas viciosas das bebidas, das drogas e do sexo inconsequente... Passada a "curtição", depois de um carnaval intenso, como o corpo e a cabeça voltam ao cotidiano? Normal? 

É PREJUDICIAL? As consequências são sentidas no curto e longo prazo. Temos os acidentes de trânsito com mortes e sequelas, o alto consumo de drogas, os prejuízos à saúde no geral, as brigas, os crimes, assaltos, violência, estupros etc. Consequências físicas, sociais e psicológicas, nem sempre percebidas imediatamente, nesses dias em que a liberdade dá espaço para a libertinagem, com "momo" reinando soberano sobre as criaturas que decidiram "cair na folia", "curtir", enlouquecer...Temos as DSTs, a gravidez indesejada e os abortos realizados alguns meses depois, tudo por causa do sexo "sem compromisso"...

As separações de casais que já não se suportam mais depois das sensações vividas sob o calor da festa; o abandono de afazeres profissionais, familiares e sociais; a futilidade das relações e o estímulo a um "estilo de vida" cada vez mais consumista, materialista e sensualista; enfim, a depressão e frustração de muitos, depois que as ilusões e os prazeres passam, quando "cair a máscara", e tem que se voltar realidade... Muitos voltam de um carnaval chateados porque a "alegria" acabou, tendo que voltar a "dura" realidade...? Ou seja, é uma fuga, um círculo vicioso...
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É UM VÍCIO? A cabeça já na próxima festa, no próximo feriado... E assim muitos vão vivendo, buscando as sensações 'por fora' para tentar preencher o vazio 'de dentro'. O carnaval, bem como toda e qualquer festa marcada pelos excessos e extravagâncias, virou essa espécie de fuga coletiva da realidade, por uma sociedade de indivíduos que ainda não buscam desenvolver em si mesmos, na própria vida (real), por meio de suas próprias ações e serviços diários, o sentimento puro de satisfação pelos deveres bem cumpridos e da gratidão às coisas simples e fundamentais da vida. 

"O intercâmbio vibratório existe em tudo e em todos." E essa sintonia se dá pelos desejos e tendências acalentados na intimidade do ser. Todos conhecem a célebre frase: "Dize-me com quem andas e eu te direi quem és". E também podemos pensar: "Dize-me quem és e eu te direi com quem andas." Via de regra, onde e com quem estamos são fatores determinantes dos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos. Influenciamos e somos influenciados o tempo todo. Somos afetados pelo grupo, ainda que a nossa decisão íntima seja por um comportamento oposto. 

É UMA PIADA? Segue uma piadinha que nos faz refletir nesta época de festas carnavalescas: Uma jovem menina pede ao pai para ir em determinada balada de carnaval. O pai questiona: - Você vai beber e fumar? Ela diz: - Não! O pai continua: - Você vai usar outras drogas, maconha, cocaína, "balinhas"? Ela responde mais enfaticamente: - Não, de jeito nenhum! O pai não dá trégua: - Então você vai fazer sexo com alguém? E a menina: - Claro que não! E o pai finaliza: - Bom, já que você não vai fazer nada do que é feito lá, então para que você quer ir?... E não é que faz sentido?

O fato é que o ambiente e as pessoas exercem poderosa influência sobre nós. Não estamos impedidos de entrar em nenhum lugar. Importante é saber COMO vamos sair. Portanto, deveríamos ter essa consciência: de que nesses ambientes "carnavalescos" (que não existem só no carnaval), há uma pressão muito grande, estimulando os "foliões" ao sexo promíscuo e vícios em geral. Não é fácil conservar a própria integridade em meio às festividades dessa natureza. Lembramos do ensinamento de Paulo de Tarso: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém."

É PROIBIDO? Ninguém está dizendo para não participar de nenhum tipo de festa ou encontro social. Os abusos, os exageros, é que são o problema. Fala-se em liberdade, mas, a pretexto dela, podemos acabar nos tornando escravos dos nossos impulsos, dos nossos desejos, dos nossos vícios. Não adianta querer uma suposta felicidade (confundida com a ilusão dos prazeres), quando a vida nos chama por consciência e responsabilidade. A liberdade sem freios é extremamente perigosa. Nosso bem maior é a vida e todo comportamento que a desvaloriza deve ser evitado.

A consciência responsável jamais concorda com o erro, não submete-se à ociosidade, nem se acomoda ao gozo anestesiante. O sono é necessário para o repouso, assim como o prazer para os estímulos. Mas a ação bem dirigida é o que nos impulsiona para as conquistas da legítima felicidade. Responsabilidade é luz para o discernimento que dignifica e renova. A consciência estabelece as diretrizes para a ação e aponta as metas que deve alcançar. Toda felicidade real apenas se dá com propósito e superação de si mesmo. (Marco Prisco - Livro: Diretrizes para uma Vida Feliz). 

É ALEGRIA? Você vê "os amigos" dando largas concessões aos prazeres e atormenta-se, como se estivesse a perder o melhor da vida? No entanto, lembre-se que os mais preciosos valores são os de natureza moral. Não estamos sugerindo fuga da convivência social. Antes o conclamamos à saúde interior e à alegria genuína, que somente possuem aqueles que são livres de verdade e se recusam a seguir a manada. Não existe felicidade sem independência. Quem não é capaz de dominar as paixões não é digno de triunfar e ser feliz. (Marcelo Ribeiro - Livro: Terapêutica de Emergência).

Pensemos a respeito. Então o carnaval é "divertido", alegre, mas o resto do ano é "chato"? Estudar, trabalhar, cumprir compromissos...? Final de semana é "sextou", mas "segunda-feira eu odeio"...? Já criamos até os "carnavais fora de época" para deixar o resto do ano mais "interessante" e a gente poder "curtir" mais vezes? São conceitos, padrões mentais e comportamentais, que vamos literalmente comprando. São "felicidades" que podem atender parcialmente as nossas carências de momento, mas deixam certamente um tremendo e insaciável vazio interior. É o modelo de vida consumista.

QUE FAZER? Aproveite, sim, o seu feriado. Com sabedoria. Fica a sugestão: que tal usar esta folga do carnaval para boas leituras, atividades e passeios saudáveis, enfim, estar sóbrio, lúcido, de corpo e alma, com amigos e familiares, em contato com a natureza, consigo mesmo, buscando realmente descansar e aproveitar de verdade este tempo extra? Medite a respeito. A gente não precisa de "um carnaval" para ser feliz. Ao contrário, o carnaval, do jeito que é hoje, só nos desvaloriza. Sejamos por mais amor, mais respeito, mais consciência e mais responsabilidade uns com os outros.

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