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Sexo pago: Profissionais falam sobre como é a vida nas ruas

01 agosto 2015 - 10h00

Quando algum jovem pensa no futuro, dificilmente está em sua mente viver um dia vendendo o corpo em troca do sustendo. Mas, uma série de fatores o leva à vida de garota, ou garoto de programa. A vontade de sair da prostituição existe na maioria delas, mas nem sempre é fácil. Falta de oportunidade é uma das palavras de ordem. Tudo em meio ao preconceito que sofre os que trabalham naquela que é considerada a “profissão mais antiga”.

Larissa – nome fictício - tem 27 anos e é uma bela morena, corpo violão, simpática e inteligente. Ela pode estar sentada ao seu lado na faculdade, já que cursa Direito. Por viver numa sociedade ainda muito preconceituosa você não sabe, mas ela é uma garota de programa.

Agora mulher, saiu de casa na adolescência, aos 15 anos de idade. Aceitou uma oferta de casamento porque como relatou ‘não queria ser obrigada pela mãe a ser evangélica, usar saias com a barra debaixo do joelho, cabelos sem corte e pernas sem depilar’. Em pouco tempo teve um filho e o marido se tornou um alcoólatra. Ele a agrediu, o estopim para arrumar emprego numa farmácia e sair de casa.

Passou por empregos que não pagavam o suficiente para o aluguel, babá e alimentação. Teve casa e moto furtados, perdeu o trabalho e decidiu procurar garotas de programa que havia conhecido. No primeiro dia que trabalhou na nova empreitada, ganhou quase o mesmo valor que recebia em todo um mês. Aos poucos, o sexo se tornou sua profissão.

Trabalhando na área descobriu que bebendo e dançando na boate conseguia garantir seu sustento mantendo relações sexuais com menos clientes. Ela se especializou em fazer shows e hoje tem uma renda média de R$ 5 mil, o suficiente para investir no futuro e criar o filho de 10 anos.

“Entrei nessa vida por necessidade, teve uma época em que iludi com o dinheiro que todo dia estava na mão. Hoje tenho o pé no chão e estou contando os dias para ter uma vida social normal”, relata Larissa.

Para advogar e se tornar uma funcionária pública concursada como quer, terá que voltar à cidade em que nasceu no Mato Grosso, já que por aqui ela não acredita que ficará livre do preconceito. “É comum chegar a um restaurante e ter uma rodinha em que algum já me viu em boate ou saiu comigo e cutucar os outros na mesa, começar a falar. Aqui sempre vai aparecer alguém para jogar na minha cara o meu passado”, disse ela. Para evitar ‘bochichos’, ela tem poucos amigos e nem todos sabem sua profissão.

Por um programa ela cobra R$ 400, já que ao dançar atrai clientes que querem pagar pela moça que está no palco. Em boates, uma porcentagem (cerca de 20%) do valor da bebida que o cliente consome vai também para a garota, o resto dessa quantia é o lucro da casa, que não ganha sobre os programas. A maioria das mulheres que trabalha nessas boates recebem R$ 200 pelo programa.

Nem todas as profissionais trabalham por esse preço. Existem aquelas que oferecem os serviços através de anúncios em jornais e sites e ganham entre R$ 50 e R$ 100 em média. Para estas, os clientes ligam.

NA RUA

Antigamente era comum também encontrar mulheres nas ruas, mas por questão de segurança isso quase não acontece mais. A maioria das que estão nas esquinas de Dourados é de travestis. Uma delas é Letícia, 23, que se sente uma mulher, aprisionada num corpo masculino. Depois de buscar trabalho em várias empresas e até se qualificar formando em administração de empresas, teve as portas fechadas para ela.

“A gente entrega o curriculum com o nosso nome de ‘menina’. Quando chega lá [na empresa] eles veem que é transexual. Sempre dizem que não tem preconceito e todas essas coisas. Dizem que vão ligar depois, mas essa ligação nunca acontece”, relatou a travesti que se considera uma transexual.

Segundo ela, para as travestis as opções são poucas. “A gente não tem nenhum tipo de oportunidade na vida. Só tem duas saídas para a gente ou está num salão de beleza ou numa ponta de esquina”, afirmou. Ela cobra entre R$ 80 e R$ 180 pelo programa, dependendo o que o cliente deseja, a maioria homens casados. O atendimento é feito na casa dos que as procuram, motéis ou até em carros.

Letícia garante seu sustento com a vida que leva e viaja bastante. Mas, lembra que “sair dessa vida é o sonho de todas”. O preconceito é ainda um dos mais gritantes dos problemas. “Hoje eu sofro muito mais preconceito por ser uma profissional do sexo do que por ser travesti”, relatou.

ESPECIAL

A partir de segunda-feira (3) o Dourados News apresenta uma série com três matérias contando a história de vida dos dois personagens da reportagem deste sábado e também, as 'preferências' das pessoas que procuram o serviço de sexo pago na cidade. Não perca!

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