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ECONOMIA

Calçados e vestuário são setores mais afetados pela pandemia e empresários temem lockdown em Dourados

22 maio 2020 - 12h20Por André Bento

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na economia de Dourados têm sido sentidos sobretudo por empresas do ramo de calçados e vestuários. A informação foi dada na manhã desta sexta-feira (22) por Flávio Donizete Delgado, 2º vice-presidente da Aced (Associação Comercial e Empresarial).

Em entrevista coletiva na sede da entidade, ele detalhou que desde o dia 12 de março 22 empresas se desfiliaram. “Principalmente calçados e confecções são os ramos que mais se desligaram da nossa associação. As pessoas têm comprado menos, com medo de experimentar uma roupa que já foi experimentada por outras pessoas”, pontuou.

No entanto, o dirigente defende que seja mantido o otimismo ao pontuar que nesse mesmo período houve 14 novas filiações. “Enquanto tem gente chorando tem gente vendendo lenço. O importante é o empresário ter consciência de que é preciso ser muito mais forte e se reinventar, fazer diferente o que fez igual a vida toda”, destacou.

Proprietário de uma empresa de informática, ele revela que o pânico do empresariado douradense é a possibilidade do lockdown, medida extrema adotada em alguns municípios para evitar a disseminação do vírus.

“Todos os dias quando temos nossas reuniões vários empresários ligam e perguntam o que vamos fazer, se vamos fechar ou não. Essa é a preocupação principal do nosso associado e do nosso não associado, empresários do nosso município. Não há nenhuma possibilidade de haver lockdown no nosso município, mas vocês empresários têm que continuar adotando as medidas de contingência”, destacou.

“A recomendação da Aced é que o empresário continue cumprindo o que se propôs para que não haja fechamento. Hoje a preocupação do efeito caótico social que essa pandemia pode trazer às vezes pode ser mais prejudicial do que as mortes que o vírus pode trazer”, acrescentou, citando a depressão.

O presidente da Aced, Nilson Aparecido dos Santos, avaliou que o maior impacto da pandemia no setor econômico local é a ignorância e a falta de conhecimento nosso.

“Porque é um fato inusitado, imprevisto e a gente não sabe como é o comportamento. Existe aproveitamento da crise para muitos que usam isso como alavanca política. Implantam-se fake news dizendo que haverá lockdown. Mas da mesma forma gradual que foi feita flexibilização, se tiver que haver a o inverson, também será gradual e não será tão impactante”, pontuou.

De acordo com o advogado Alexandre Mantonvai, assessor especial da prefeita Délia Razuk (PTB), não há expectativa de fechamento do comércio, como decretado meses atrás. “Instabilidade tem sido outro vilão enfrentando nesse momento. Talvez medidas sejam necessárias para calibragens, mas isso não é o prenúncio de nenhuma medida de retrocesso”, garantiu.

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