Famílias de indígenas que moram na reserva de Dourados estão com medo. Desde o fim da Operação Sucuri, no ano passado,- não há policiamento na aldeia.
Logo no início da noite as casas na aldeia Jaguapiru em Dourados já estão fechadas. Nas ruas pouco movimento. Com medo da violência as famílias se trancam. “Não tem segurança nenhuma aqui, a polícia mesmo não liga, e quando vai ligar só vem para atender a alguma coisa que já aconteceu, mas aí some de novo. Aí só vai aparecer aqui de novo quando acontece outra coisa. Então dá medo quando começa escurecer”, diz o índio terena Emerson Martins.
A última vítima foi Eugênio da Silva Soares, de 24 anos. O cortador de cana foi morto a golpes de facão no domingo, dia 20. A mulher do indígena, Geisabel Veron, diz que ele saiu de casa de bicicleta com o dinheiro para fazer compras. “Eu acho que assaltaram ele mesmo, por causa da bicicleta e da compra. É isso que eles fazem aqui. É por causa da bicicleta, porque era nova”.
Os moradores da reserva ainda lembram da Operação Sucuri, realizada entre 2004 e 2006, período em que os limites das aldeias eram vigiados pelas polícias Federal, Civil e Militar. Na época, a Fundação Nacional do Índio (Funai) mapeou pontos de venda de droga e prostituição infantil. O reforço policial, que acabou por falta de recursos, diminuiu cerca de 70% o índice de violência na reserva.
Na última semana foram dois homicídios em apenas três dias. A maioria dos crimes acontece à noite. Desde de que a Operação Sucuri terminou, não há policiamento permanente na reserva de Dourados.
O delegado da Polícia Civil, Sandro Márcio Pereira, responsável pela investigação das mortes na reserva, diz que a Funai não cumpre um acordo firmado no início do ano. Conforme um documento apresentado, os policiais teriam à disposição um funcionário da fundação para acompanhar e prestar informações aos investigadores e oficiais de justiça.
“Para que essas diligências fossem realizadas no interior das aldeias indígenas era necessário o acompanhamento da Funai. Só que a Funai não disponibiliza uma pessoa que nos acompanhe. Então nós temos mandado intimações para o posto da Funai, e o chefe da Funai tem nos devolvido dizendo que existe uma falta crônica de pessoal e onde ele não tem condições de atender a nossa demanda”, diz Pereira.
O coordenador da Funai em Dourados, Eliezer Cardoso, afirma que a fundação passa por uma reforma no setor administrativo e que não tem funcionários suficientes para atender os pedidos da polícia.
Segundo a Polícia Civil, nos primeiros cinco meses deste ano seis indígenas foram assassinados na reserva de Dourados. (TV Morena)
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