Há duas semanas as aldeias de Dourados estão sem o policiamento da Força Nacional de Segurança Pública, segundo informações de uma liderança indígena. O efetivo foi todo deslocado para a região de Coronel Sapucaia e Aral Moreira, onde aconteceram conflitos entre povos indígenas e produtores rurais. O capitão da Aldeia Bororó, Gaudêncio Benites, disse que teme a falta dos policiais no local, pois com isso a quantidade de crimes podem aumentar.
“É complicado, tem duas semanas que não temos o policiamento da Força Nacional de Segurança Pública aqui. Ficamos sabendo que todo o efetivo foi para as áreas de conflitos na região de fronteira. Nós, líderes, não temos o que fazer para prevenir os crimes. Já teve até homicídio neste período que estamos sem policiamento”, conta o líder cacique.
O homicídio que o cacique se refere, aconteceu no domingo (05), [quando Ubirajara Machado, 27]( http://www.douradosnews.com.br/dourados/homem-e-assassinado-com-facada-no-peito), foi encontrado morto com uma facada no local conhecido como Travessão do Valdecir, na aldeia Bororó.
Um adolescente de 13 anos e um homem de 20 anos foram detido por lideranças indígenas e entregues para a Polícia Militar. Os motivos e se os suspeitos têm alguma ligação com o crime, estão sendo investigados.
A Força Nacional está no Estado, desde 2011. Em Dourados ela auxilia na segurança das aldeias Bororó e Jaguapiru e também na aldeia Tey’Kue, no município de Caarapó. Essas áreas são de tutela federal, local em que nos últimos anos vem aumentando a quantidade violência e crimes.
Segundo Gaudêncio, um dos motivos para o aumento nas ocorrências são as entradas de bebidas alcoólicas e drogas dentro das aldeias. Ele disse ainda que, o efetivo que estava disponível para a região é de apenas 25 homens que trabalham em escala, sendo duas viaturas realizando rondas num espaço muito grande de terras.
“Os crimes acontecem quando envolve bebida e drogas, e tem aumentado entre os jovens. Aqui na Bororó não é permitido a venda de bebidas, mas infelizmente ela (bebida) entra com pessoas de fora, que estão abrindo mercearias aqui perto das aldeias. Elas começam vendendo comida, depois vem a bebida e precisamos de mais fiscalização e de policiamento, sem isso mais crimes irão acontecer. Antes o que sei é que eram 25 homens que trabalhavam em escala, mas não sei ao certo a quantidade atual”, explica Benites.
Em 2014, o Dourados News fez uma série de reportagens sobre a atuação da Força Nacional de Segurança Pública dentro das aldeias indígenas de Dourados, relatando sobre como é feito o trabalho e também as dificuldades enfrentadas pelos policiais, dentre elas uma com relatos que mostram que o fator principal para a ocorrência de crimes é o uso de bebidas alcoólicas e drogas.
“É complicado. É muita gente, um terreno com muitas dificuldades de locomoção e uma demanda grande principalmente por conflitos que começaram por causa de bebida e drogas, que são os motivos que observamos nas ocorrências aqui”, disse um dos policiais que preferiu não se identificar na época.
Outro ponto levantado foi a questão do pouco efetivo e por atuarem em uma outra aldeia no município de Caarapó, distante 50 km de Dourados. Na época o efetivo era de oito policiais que realizavam o policiamento, para uma área com mais de 20 mil índios, somando as três aldeias.
Eles relataram que por várias vezes tiveram ocorrências no mesmo momento entre as aldeias de Dourados e Caarapó, ambas com a mesma gravidade, porém, deveriam 'escolher' uma delas para atender.
“Eu lidava com tráfico em uma cidade onde tinha dezenas de homicídios por dia. Aqui a situação é menos pior, mas o que nos complica é que somos poucos para lidar com muitos conflitos. Nos desdobramos como podemos”, relatou.
O grupo se revezava em plantões de 24h/48h, com um dia de sobreaviso, quatro de prontidão e um de serviço, circulando em duas viaturas. A matéria foi publicada no dia 14 de dezembro de 2014, [veja aqui](http://www.douradosnews.com.br/noticias/cidades/policiais-da-forca-nacional-relatam-improviso-para-cuidar-de-20-mil-indios).
A reportagem entrou em contato com a Funai (Fundação Nacional do Índio) e também no Ministério da Justiça que responde pela Força Nacional de Segurança Pública, por meio das assessorias, na manhã da segunda-feira (06) buscando confirmar a informação de que o efetivo foi deslocado para a região de conflito entre povos indígenas e produtores rurais na região de Aral Moreira e Coronel Sapucaia.
Porém, e até a manhã desta terça-feira (07) não houve resposta.
Área de conflitos
Os conflitos entre povos indígenas e produtores rurais teve início, após indígenas guarani kaiowá ocuparem a fazenda Madama no dia 22 de junho de acordo com a Funai. A situação no local era de muita tensão, [relembre aqui](http://www.douradosnews.com.br/noticias/cidades/indios-invadem-fazendas-e-fazem-quebra-quebra).
Em Mato Grosso do Sul, quase 90 fazendas estão ocupadas por índios que exigem a demarcação das terras para a ampliação das reservas.
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O homicídio aconteceu no domingo (05), o corpo de Ubirajara Machado foi encontrado com uma faca no peito-Foto: Osvaldo Duarte