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DIOCLÉCIO ARTUZI III

"Enrolados" e ainda sem casas, populares fazem novo protesto

27 janeiro 2016 - 17h05

Os contemplados com casas do residencial Dioclécio Artuzi III em Dourados fizeram mais um protesto na tarde desta quarta-feira (27) em frente ao conjunto habitacional. Pelo menos 20 pessoas foram até o local e cobram uma solução definitiva que resulte na entrega das residências que esperam desde que foram sorteados em outubro de 2013. A Caixa Econômica Federal alega que deve resolver a questão esta semana.

“Eles falam que vão resolver em três meses, depois mais três meses e entregar que é bom nada até agora nada”, afirma a estudante Franciele Gonçalves, 25, que é uma das contempladas que foi à manifestação. Ela se refere às constantes reuniões realizadas na Caixa em busca de uma solução pra o problema.

A dona de casa Lizandra Montezelli, 31,afirma que numa última conversa com representantes do banco há duas semanas, foi informado que o banco havia um prazo até o dia 20 de janeiro dado para que a LC Braga retomasse as obras ou contratariam uma nova empresa. “Como já passou do dia 20 e não teve uma definição, a gente decidiu vir aqui”, conta ela, dizendo que a obra não está a todo vapor. “Dizem que tem gente trabalhando lá no fundo”, afirma.

O gerente regional da Caixa, Ubiratan Chaves, confirmou ao Dourados News que este prazo até o dia 20 foi dado à empreiteira. Segundo ele, a equipe de engenharia do banco já foi acionada para a realização de uma vistoria no local para verificar se a obra andou neste período.

Chaves diz que caso a obra tenha andado, a LC Braga continuará com a execução, se não tiver andado o contrato será finalizado e uma nova empresa será escolhida para o serviço através da abertura de processo licitatório. “Estamos aguardando o relatório da vistoria feito pela equipe de engenharia para tomar essa decisão”, explica. A previsão é de que o relatório fique pronto até sexta-feira (29).

O banco havia informado em dezembro do ano passado, que pressionaria a empreiteira pelo andamento das atividades, [relembra aqui](http://www.douradosnews.com.br/dourados/caixa-pressionara-construtora-e-moradores-planejam-novo-protesto-se-obras-nao-forem-retomadas). Na época, as obras estavam totalmente paradas.

A “novela” que se tornou a entrega das 450 casas do residencial Dioclécio III começou desde que os contemplados foram sorteados para recebê-las. As obras eram para terem sido entregues em meados de 2014, no entanto, atrasaram. Ainda em construção, as unidades foram invadidas por grupo sem-teto em abril do ano passado, que deixaram as unidades meses depois com vários danos.

Espaço em que estão as casas está cercado e há muito mato fora e dentro do residencial (Foto: Fabiane Dorta)

Desde então, os contemplados começaram a se mobilizar. Houvera a designação de qual lote ficaria para as famílias e eles tentaram todo tipo de acordo com a Caixa. “A gente já ofereceu para entrar na casa do jeito que está e a gente mesmo terminar, já ofereceu para a empreiteira oferecer o material e os moradores mesmo com a ajuda de voluntários terminar a as casas num mutirão, mas eles nunca aceitaram. Disseram que só podem entregar com a obra finalizada, enquanto isso a gente espera sabendo que a casa é nossa e sem poder entrar”, relata Lizandra. Eles ainda procuraram o MPF (Ministério Público Federal) para reclamação.

Ainda conforme a contemplada, a Caixa informou aos moradores foram informados de que só faltam 6% das obras para conclusão. “É pouca coisa, como uma ou outra porta, forro ou pia, por exemplo. Eu pago R$ 650 de aluguel todo mês, com esse dinheiro dava para a gente ir arrumando já na nossa casa”, afirma ela.

A vendedora autônoma, Cristiane Siqueira de Souza, 24, conta que não aguenta mais esperar. Diz que a casa dela é uma das que está em melhores condições, faltando pouca coisa pra terminar e que a sensação de ver a casa quase pronta sem poder entrar é “horrível”.

“Eu passei anos na fila de espera e agora que fui contemplada tenho que continuar morando de favor na casa da minha mãe com minhas duas filhas, é muito desgastante para a gente tudo isso”, conta Cristiane, que tem uma filha de quatro e outra de um ano e sete meses de idade. Há ainda mais relatos de moradores que pagam aluguel ou até que estão prestes a serem despejados.

O Dourados News tentou entrar no residencial para fazer imagens da situação das casas e de pessoas da empreiteira que estariam trabalhando no local. No entanto, a equipe foi informada por seguranças de que não seria permitido pela empresa a pedido da Caixa.

O espaço em que ficam as casas está todo cercado e há cavaletes com placas de “Pare” logo na entrada. Do lado de fora, é possível ver que o mato está muito alto ao redor das casas e que todas ainda estão com a pintura danificada ou por fazer.

Cavaletes com placas de "pare" indicam que não é possível entrar no residencial (Foto: Fabiane Dorta)

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