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DIA MUNDIAL DE COMBATE AO CÂNCER

Burocracia e medo prejudicam diagnóstico precoce do câncer

04 fevereiro 2016 - 07h59

Os procedimentos até o diagnóstico final do câncer e o medo das pessoas em detectar a doença são fatores que influenciam na demora a descobrir a malignidade e consequentemente no tratamento e na cura. Na data em que se celebra o Dia Mundial de Combate ao Câncer, o Dourados News foi atrás de especialista e foi informado que a probabilidade de cura é maior quanto antes for a descoberta. Esse fator ainda é o ponto mais apontado quando se fala em prevenção.

Quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) conta muitas vezes com a demora até conseguir um especialista e os exames necessários para detectar a doença e isso acaba por tardar o tratamento. De acordo com diretor do Hospital do Câncer, Mário Eduardo da Rocha, essa situação poderia ser amenizada com a construção de centros de diagnósticos e maior investimento na saúde pública.

“Vemos que muitas vezes o paciente sofre com essa demora e quando descobre a doença, essa já está em estágios mais avançados. O ideal seria a construção desses centros que possibilitariam melhorias nesses aspecto e maior atenção no todo com mais profissionais e valorização desses, assim como infraestrutura”, pontou.

No Hospital do Câncer de Dourados são realizados em média 1500 atendimentos por mês entre consultas, quimioterapias e radioterapias. O diretor cita que os casos mais comuns na região são de câncer de útero, de próstata e de mama, sendo que neste último há uma incidência maior de casos do que em outros estados, o que ocorre sem um motivo específico.

Ele afirma que essas enfermidades em certo aspecto ocorrem por conta de condições genéticas, mas, em grande parte isso não influencia. O diretor ressalta que essas na maioria das vezes têm cura e é necessária atenção aos pequenos sintomas.

“Essas doenças ocorrem num total médio de 10% das vezes por conta de genética, e o fundamental é destacar que a possibilidade de cura é grande se descobertas no começo, é essencial a avaliação regularmente para que qualquer aspecto fora do normal ser analisado por um profissional”, diz.

O médico alerta ainda quanto a sintomas corriqueiros de câncer e que costumam ser ignorados. No caso do câncer de pele, manchas e feridas passam despercebidos ou são considerados ‘comuns’. Já no câncer de útero há dor na região do abdômen e sangramento fora de época que costumam ser ignorados. No câncer de pulmão, há a tosse crônica inicialmente e o escarro com sangue e quem fuma devido a probabilidade maior de obter a doença deve fazer um acompanhamento de saúde sempre que possível.

“São esses sinais que as vezes são ignorados e indicam a malignidade que precisa ser tratada. No caso do câncer de pulmão, impulsionado pelo cigarro o ideal é que a pessoa deixe de fumar o quanto antes, porém, se não buscar isso, o melhor é fazer exames regularmente”, cita.

Quanto a problemática do medo das pessoas em descobrir a doença, o diretor cita que pacientes que se curaram após descobrir com antecedência precisam divulgar mais isso e que nesse quesito os artistas compartilharem sua história e a divulgação da mídia de situações assim ajudam muito para ‘quebrar’ o medo do tratamento.

“Alguns famosos relatam como venceram a doença e mostram que se preocuparam e descobrir cedo isso é importante para que outros se atentem, assim como a divulgação da importância da divulgação de prevenção pela imprensa, vejo isso com grande valia”, diz.

Ele finaliza ao citar que o tratamento do câncer tem evoluído cada vez mais e possibilitado maior qualidade de vida aos pacientes, assim como a cura em muitos casos. O diretor é enfático ao afirmar que mesmo com tanta evolução é preciso buscar cada vez mais “desmistificar” a doença e que as pessoas em tratamento se fortalecem ainda mais quando tem o apoio de familiares e amigos.

“Ainda há pouco tempo era comum o fato das pessoas não querer falar nem o nome da doença, fugir de sintomas, isso não pode ocorrer. Contamos com tratamentos muito evoluídos e com a chance de cura, então tem que ser enfrentado. Os procedimentos ajudam muito é possível se viver bem, em alguns casos até se tratar em casa. O essencial também nessa fase é o apoio de pessoas próximas e uma crença”, diz.



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