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DOURADOS

PM volta alertar para perigo da 'justiça com as próprias mãos'

11 agosto 2014 - 10h39

Thalyta Andrade

O assalto ocorrido no sábado, que terminou com o espancamento do acusado de cometer o crime por populares naturalmente trouxe de volta o alerta da Polícia Militar para o perigo deste tipo de atitude.
Marcos Cordeiro de Souza, 28, foi violentamente agredido e acabou internado no Hospital da Vida, de onde saiu somente nesta segunda-feira. Depois, ele foi levado para o 1º Distrito Policial onde foi autuado por roubo.

De acordo com a Polícia Militar de Dourados, a ação não é algo recorrente, e a reação violenta da população menos ainda. “Não temos muitos casos deste tipo aqui na cidade, ainda mais com esse grau de violência para cima do autor”, disse o tenente Teodoro Caramalac.

O policial diz que, apesar da indignação da população com qualquer tipo de crime ser algo compreensível, este tipo de reação não deve acontecer. “Pode parecer bem repetitivo, mas devemos ressaltar sempre que as pessoas não tem que reagir a nenhum tipo de violência. A orientação é sempre para que a polícia seja acionada, porque é ela quem deve agir e quem tem o preparo necessário para isso”.

Ainda de acordo com Caramalac, as pessoas não pensam que ao tomar para si este tipo de reação, podem acabar tornando-se autores de um crime e vitimizando o autor do crime anterior. “A lei existe para os dois lados, então se as pessoas por exemplo forem identificadas como agressoras elas podem ser duramente responsabilizadas criminalmente, ainda mais se houver sequelas, por exemplo”.

Questionado sobre o porquê da população, pelo menos no caso ocorrido no sábado, ter deixado de lado todas essas orientações, o tenente foi claro. “Ocorre que na maioria das vezes as pessoas têm algum histórico de violência sofrida por elas, ou por pessoas próximas, então elas acabam se solidarizando e agindo sem pensar em defesa do outro”.

Solidarização entre vítimas é fator determinante

Também procurada pelo Dourados News a psicóloga do MPE/MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), Lindomar Pacheco, avaliou a situação ocorrida no sábado, assim como as demais do gênero, como um processo social de solidarização entre vítimas de violência, conforme também foi apontado pelo tenente Caramalac.

“É realmente uma situação onde as pessoas que presenciam uma violência e que já foram vítimas de algo semelhante têm trazida de volta aquilo que sentiram e acabam reagindo em favor do próximo”.
Ainda conforme a especialista, o ser humano tem uma característica natural de instinto de sobrevivência quando se encontra em uma situação de perigo, e isso fica evidenciado quando ele ‘esbarra’ em alguém nesta condição.

“É um instinto natural, e há uma espécie de regra de convívio social sobre conduta de comportamento. Então, quando alguém desvia disso, se torna alvo para uma reação violenta por quebrar a regra e molestar alguém com esta atitude. As pessoas sabem que não devem reagir, mas o instinto as vezes se sobrepõem à consciência sobre o perigo”.

Por fim, Lindomar reforça o discurso pela prudência, assim como alertado pela PM. De acordo com a psicóloga, por mais que seja ‘difícil’, a sociedade precisa se reeducar justamente por meio da informação para que haja uma consciência de que não se pode fazer justiça com as próprias mãos que impeçam reações violentas e perigosas.

“A agressão nunca é uma coisa boa. Realmente as pessoas precisam fazer sua reflexão sobre o perigo se sobrepor à sua vontade de agir, ainda que o sentimento de revolta e solidariedade seja grande”, finalizou Lindomar.

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