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PANDEMIA

Pesquisadores veem medidas sem efeito e sugerem lockdown em Dourados

11 julho 2020 - 08h00Por Adriano Moretto

Reavaliação de estudo encomendado pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul para tratar a pandemia do novo coronavírus em Dourados, sugere às autoridades do município o lockdow. O levantamento foi realizado por quatro pesquisadores de três universidades federais brasileiras. 

De acordo com a nota técnica encaminhada à imprensa, a curva de contaminação na maior cidade do interior sul-mato-grossense tem mostrado que as medidas sanitárias adotadas pela administração municipal, através do Comitê de Gerenciamento de Crise do Coronavírus, não têm surtido o efeito necessário para conter a propagação da doença. 

“A análise aqui realizada evidenciou que Dourados concentra todos os indicadores apresentados no nível mais elevado de classificação (...). Ademais, a microrregião de saúde de Dourados e o município de Maracaju também apresentam, conforme se observou em toda análise, situação crítica e, pelos fortes níveis de interações espaciais com a capital regional, Dourados agrava ainda mais a situação de contenção da doença”, diz trecho da avaliação.

À época do primeiro estudo, datado de 23 junho, a expansão da pandemia no município foi comparada proporcionalmente ao que ocorreu em Manaus (AM), no mês de maio. Na Capital do Amazonas, 79 pessoas morreram em um único dia. 

Nessa mesma análise, a projeção de mortes relacionadas à doença por aqui era de dobra em duas semanas, o que ocorreu antes do prazo, passando de 13 para 31 em 3 de julho.

Até ontem (10/7), uma semana depois de superar a estimativa, Dourados possuía 42 mortes, conforme dados divulgados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), se mantendo no topo dos óbitos causados pelo coronavírus. 

No novo estudo encomendado pela defensoria pública, os pesquisadores Fernando Ferraz Ribeiro, da Universidade Federal da Bahia, Marco Aurélio Boselli, da Universidade Federal de Uberlândia (MG), Everaldo Freitas Guedes, doutor e mestre em Modelagem Computacional e Tecnologia Industrial pelo Senai Cimatec e Fernanda Vasques Ferreira, da Universidade Federal do Oeste da Bahia, afirmam ainda que além do lockdow, os municípios do entorno também devem apresentar medidas austeras para conter o avanço da pandemia, exemplificando as barreiras sanitárias, já implantadas em boa parte deles.

Como justificativa, apontam o fato de ações mais restritivas em um único local como insuficiente para conter a expansão do vírus. 

“As ações mais restritivas em um único município não proporcionarão a diminuição necessária na velocidade de contágio que resulte na proteção à vida e dos recursos públicos, com destaque aos do SUS”, aponta o estudo, finalizando com a sugestão do fechamento de segmentos na cidade por pelo menos 14 dias. “Para o município de Dourados-MS, recomendamos a medida de lockdown - fechamento total - associada a todas as demais medidas de prevenção apontadas nos procedimentos básicos por um período de 14 dias, podendo ser reavaliada sua eficácia, o cumprimento do mesmo por parte da população, a respectiva fiscalização e o comportamento da curva de contaminação e de número de óbitos”, conclui o relatório.

Números

O novo levantamento realizado pelo grupo de pesquisadores reavalia o cenário com dados até 7 de julho, duas semanas após a apresentação dos primeiros números. No dia 23 do mês passado, Dourados apresentava 1.964 casos confirmados da doença e liderava o ranking estadual de testes positivos. 

Na data da pesquisa mais recente, o total de infectados era de 3.095, 40% a mais do que o anterior, porém, caiu uma posição no ranking, perdendo o posto para Campo Grande.

Porém, ao buscar a incidência da doença para grupos de 100 mil habitantes, a mais populosa cidade do interior passou de quinto para terceiro na amostra apresentada pelo boletim epidemiológico da SES.

 

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