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DIVERSIDADE

Parada LGBT reúne multidão no Centro de Dourados

30 junho 2018 - 19h18Por Vinicios Araújo

Aconteceu na tarde deste sábado (30) a Parada do Orgulho LGBT+ de Dourados. O evento reuniu cerca de 500 pessoas para manifestação por inclusão, força e celebração ao Dia Internacional do Orgulho LGBT, comemorado em 28 de junho.

A concentração iniciou por volta das 14h30 na Praça Antônio João ao som de sucessos nacionais e internacionais. Entre o público, gente de várias cidades da região como Caarapó, Itaporã e Fátima do Sul estavam presentes, além de muitos campo-grandenses que vieram da Capital para prestigiar o encontro. 

Gays, lésbicas, transexuais, travestis, transformistas, e muitas outras personificações de gênero marcaram presença no evento, além é claro, de heterossexuais simpatizantes a causa LGBT, como é o caso do casal Marcio Barros, 43, e Bruna Paes, 40. Eles levaram as filhas para curtir o encontro e contaram ao Dourados News que dentro de casa o discurso de valorização ao respeito é extremamente consistente. 

“Cada um tem o seu jeito de viver e nós respeitamos as pessoas”, disse Márcio. A Bruna é psicóloga e também contou que diariamente atende demanda de pessoas que sofrem com preconceito e até enfrentam crises de ideações suicidas. 

“O elemento LGBT faz parte da minha rotina profissional e compreendendo todos os aspectos de constituem esse direito, é impossível não participar de um ato como esse”, concluiu. 

PARCERIAS

A Parada LGBT em Dourados contou com o apoio da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) que através das ligas de infectologia e cardiologia do curso de medicina, distribuiu cerca de 1500 preservativos com orientações ao combate às DST’s (doenças sexualmente transmissíveis) e também fizeram aferição de pressão arterial e recomendações de hábitos saudáveis para prevenção de doenças cardiovasculares. 

Esteve presente também uma equipe do Programa Municipal de combate à IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), HIV e Hepatites Virais, que fizeram exames rápidos de constatação de HIV e sífilis. O resultado do teste saía em 15 minutos. 

 

 

OBJETIVOS

Segundo uma das organizadoras da Parada, a transativisa e servidora pública do Estado Nosli Melissa, de 49 anos, o evento começou a ser organizado há cerca de 30 dias e não teve uma única pessoa a frente determinando as programações. Ela explica que houve um conjunto de parcerias com responsabilidades dividas, o que resultou no sucesso da manifestação LGBT em Dourados depois da extinção do movimento desde 2009.

Ela destacou ao Dourados News que os principais objetivos do encontro foram, celebrar o orgulho de ser LGBT, fortalecer a categoria e iniciar as discussões para criação de uma ONG (Organização Não Governamental) que represente esse público.

Nosli relembra que desde 2009, quando ocorreu a última Parada, se tornou inviável realizar outras edições em Dourados, isso porque os núcleos de fomentação das políticas públicas LGBT’s foram encerrados por falta de aporte financeiro e apoio do poder público. 

“Nós vivemos em uma época de contenção de gastos, crise, crescimento do conservadorismo, e tudo isso acaba refletindo nas organizações da Parada”, disse a transativista.

Agora, o objetivo com a edição deste ano é fundar a organização que irá representar definitivamente o público LGBT. “Vamos correr atrás com o Poder Público para criação da nossa ONG, porque é inaceitável que pessoas LGBT’s continuem afastadas de todos os espaços sociais”, afirma. 

A transativista ressalta que no caso dos travestis e transexuais, “é comum encontrar histórias de exclusão do seio familiar. Além disso, o preconceito e a falta de inclusão impedem que essas pessoas estejam nas escolas, universidades, mercado de trabalho e muitos outros setores da comunidade.”

“A maioria arrasadora é obrigada a encarar a prostituição como meio de sobrevivência, isso porque o mercado de trabalho em Dourados não aceita as travestis em seus estabelecimentos. Então nós estamos hoje aqui para celebrar primeiramente, e também para pedir políticas públicas de inclusão à população LGBT”, afirmou. 

Outro que também contribuiu efetivamente para a organização do encontro foi o adolescente A. S. de Paula, 16, que ao conversar com a equipe de reportagem do Dourados News contou que a Parada veio para unir a categoria LGBT. 

Ele considera que Dourados abriga muitas pessoas inclusas nesse grupo, porém, acabam ficando dispersas com a falta de uma programação pública específica da causa. 

“A gente veio para mostrar para Dourados que nós existimos e resistimos”, contou o adolescente. Ele foi responsável por criar o evento no Facebook intitulado Parada do Orgulho LGBT+ Dourados – MS, que reuniu mais de 800 marcações de interesse.

Ele contou também que o evento vem para buscar uma representatividade efetiva na política. 
“A gente não tem um candidato aqui em Dourados em que podemos falar ‘esse cara está me representando’, não, nós não temos. Então a gente também vem buscando essa representatividade na política e nos espaços públicos”, disse.

POLÍTICA

E por falar em política, durante a marcha realizada na avenida Marcelino Pires, figuras como Frank Rossatte, subsecretário do Governo do Estado em Políticas Públicas ao Público LGBT, a ex-presidente do Simted (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Dourados) Gleice Jane Barbosa e também a Presidente da Associação de Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul Crys Stefanny, utilizaram o microfone do carro de som para discursar sobre a relação do setor com a causa LGBT.

Entre as falas foram destacadas as ações voltadas ao público em MS, a participação parlamentar em defesa às causas LGBT’s e também sobre a expressividade dos integrantes do movimento no dia a dia das cidades. 

Em vários momentos, manifestantes declaravam “Fora Bolsonaro”, numa tentativa gritante de oposição ao conservadorismo aplicado pelo pré-candidato à presidência da República em seus discursos. O deputado carioca deve disputar o comando do País nas eleições deste ano pelo PSL (Partido Social Cristão).

A Nosli Melissa, já citada acima, também conversou com o Dourados News sobre a representatividade política que o A. S. de Paula espera conquistar. A douradense afirmou que através desses “movimentos de força” e a com a criação da ONG, é bem provável que nas próximas eleições municipais a categoria lance candidato para o legislativo da Câmara de Vereadores em Dourados.

“Essa Parada é um embrião da nossa causa. Vamos começar embaixo, mas visando grandes posições como na Assembleia Legislativa do Estado e até o Congresso Federal”, revelou Nosli.

MARCHA

Por volta das 16h, os participantes do evento tomaram a avenida Marcelino Pires até a Rua Hilda Bergo Duarte, retornado à praça pela Avenida Joaquim Teixeira Alves. A passeata contou com faixas, cartazes e muitos ‘gritos de guerra’.

O evento segue até às 22h com diversas atrações culturais, entre elas shows transformistas e agito musical ao som de dj’s convidados. 

 

 

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