A adolescência é aquela fase da vida em que o indivíduo sai da infância e segue para a etapa adulta, ou seja, é necessariamente guiado pelos pais, ao mesmo tempo em que está na construção da própria identidade. Lidar com o comportamento dos filhos nessa fase de transição, nem sempre é fácil para os pais, principalmente quando estamos falando de uma geração que vive “conectada” através das redes sociais.
Por isso, o Dourados News encerra a série Liberdade Virtual tratando dessa relação e dando dicas.
Não é difícil ouvir que certos problemas acontecem porque “os jovens de hoje são assim” ou que “no meu tempo isso não acontecia”. Mas, a psicóloga e mestre em ciências da saúde Rosimeire Martins alerta: muitos dos comportamentos são apenas típicos da adolescência, potencializados pela exposição através das novas tecnologias e não necessariamente um reflexo do mundo como está hoje.
“Algumas coisas são típicas da idade. O adolescente não quer mais que os pais o conduzam, mas também não está pronto, não tem experiência de vida para lidar com certas situações. A partir daí vem as cobranças e os riscos disso”, relata a psicóloga.
A necessidade de pertencer a grupos também é algo dessa fase e “nesse desafio, acaba cedendo as pressões para assumir para si comportamentos, como ‘eu já fiz’, ‘eu já fui desafiado e consegui’, ‘eu sou capaz disso’”, complementa.
A diferença do “mundo de hoje” é que com as redes sociais, estes comportamentos típicos são potencializados. “Os adolescentes sempre foram ousados, estão sempre à frente, eles amam ou odeiam demais. Com as redes sociais, tudo isso está mais exposto”, lembra.
Com as ferramentas de aproximação online atribuídas à rotina desde muito cedo, os adolescentes não conseguem medir o alcance que tem o que publica na rede e as reais consequências daquilo. A sensação dos “cinco minutos de fama” gerada pela ferramenta também se torna um terreno livre que pode trazer repercussão positiva e negativa.
“Muitos não conseguem dimensionar que uma fotografia publicada na rede ou até um comentário íntimo que ele faz num grupo que é aparentemente fechado, pode ser compartilhado em grande escala ou usado contra ele no futuro de alguma forma. O adolescente costuma medir a consequência só depois que ela acontece”, explica a psicóloga.
Dentro desse contexto, Rosimeire orienta primeiramente que os pais conheçam essa geração, como se comportam e as ferramentas que usam. Isso através dos diálogos com os adolescentes. “Não só falar, tem que dialogar, ouvir também o que o seu filho fez, questionar porque fez, como isso aconteceu. Saber os anseios dele e dessa geração, tem que demonstrar interesse”, explica.
A profissional alerta que é importante conversar com os filhos sobre condutas nas redes sociais ou outras ‘regras’ necessárias, sempre colocando os jovens para refletir sobre os riscos e possíveis consequências de suas atitudes. “Dessa forma o pai vai aos poucos nessa fase, passando ao filho a responsabilidade sobre suas escolhas”.
Ela lembra também que os pais não devem olhar para os filhos com olhos de filhos, mas com olhos de pais e se colocarem nessa posição. “Não é porque minha mãe me criou de uma forma e deu certo que vai dar certo com meu filho também”, lembra a psicóloga, ressaltando que deixar de fazer coisas que mãe fazia porque não gostava também não é a saída.
Rosimeire lembra que existem hoje críticas a conceitos do passado relacionados à educação dos filhos, como a palmada e a imposição através do medo dos pais, por exemplo, que com o tempo foram considerados reprovados ou inadequados. “Muitas vezes os filhos sabem mais que os pais sobre estes assuntos e eles é quem ameaçam ‘se você me bater eu vou te denunciar’, e os pais se sentem desautorizados”, explica. Como orientação, ela ressalta que é possível adotar medidas mais rígidas, sem usar destes recursos, já que tem que tomar para si essa responsabilidade.
Aos adolescentes, o recado da psicóloga é de reflexão, para que eles mesmos entendam a fase que estão passando e que não estão prontos para enfrentar determinadas situações. “Nunca será fácil e todos erram, mas é preciso ouvir. A família está presente para auxiliar e acolher”, disse ela.
Rosimeire lembra que é típico também do adolescente achar que é “impermeável”. Pensa que aids, gravidez, estupro ou até uma foto íntima vazada na internet, nada vai acontecer com ele, mas não é bem assim. É preciso lembrar que os riscos existem e que os pais podem ser grandes aliados na hora de alertar a melhor conduta.
Deixe seu Comentário
Leia Também

Papa: estou na África para encorajar católicos, não debater com Trump

Carga de mais de 1 tonelada de droga é apreendida após perseguição; dois são presos

Operação Acrissul: reconhecimento facial leva à prisão durante a Expogrande 2026 em Campo Grande

Flamengo aposenta camisa 14 de Oscar

Anvisa discute norma para manipulação de canetas emagrecedoras

UEMS abre inscrições para cursinho gratuito com foco no Enem e prevê auxílio mensal

Lula defende fim da 6x1 e diz que ganhos não podem valer só para ricos

Princípio de incêndio atinge restaurante em edifício histórico do Rio

Pobres não podem pagar por irresponsabilidade das guerras, diz Lula

Acusado de cometer maus-tratos contra animais é condenado a três anos e seis meses
Mais Lidas

Carga milionária de maconha é descoberta em tanque de combustível agrícola

Colisão entre motos termina com dois jovens mortos em Dourados

Inmet emite alerta de tempestade com risco de granizo e ventos intensos para Dourados

Psicóloga alerta jovens sobre o uso de redes sociais - Foto: Gizele Almeida