O vereador Elias Ishy (PT) considera um retrocesso a Câmara dos Deputados aprovar o financiamento empresarial aos partidos políticos com 330 votos favoráveis e 141 contrários na primeira votação, em uma emenda aglutinativa posta em pauta um dia após a medida ter sido rejeitada em plenário. Se for aprovada em segunda votação na Câmara e depois pelo Senado, na prática tudo continuará como está.
Os deputados que votaram a favor desta lei, se quiserem ainda podem mudar de posição na segunda votação. Dos deputados federais de Mato Grosso do Sul, apenas Dagoberto Nogueira (PDT), Zeca do PT e Vander Loubet (PT) votaram contrários à medida. Todos os demais votaram favoravelmente.
“Considero que se este projeto for aprovado será a consolidação da corrupção no Brasil. O fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais é defendido por centenas de entidades, entre elas CNBB e OAB, que apresentaram ao Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular assinado por mais de 700 mil cidadãos brasileiros visando a proibição de "doações" das empresas para financiamento de campanhas eleitorais. Na prática, é aí que nasce a corrupção, já que depois das eleições estas mesmas empresas superfaturam obras e serviços, conforme comprovado agora nas apurações da Operação Lava Jato. Colocar isso na Constituição Federal é uma vergonha”, afirmou Ishy.
Dos atuais 513 deputados federais eleitos, 360, ou seja, 70% receberam financiamento de empresas, a maioria envolvida em escândalos. As que mais “doaram” recursos tiveram eleitos: JBS Friboi (162 deputados, R$ 61,2 milhões), o Grupo Bradesco (113 deputados, R$ 20,3 milhões), a Vale Mineradora (85 deputados, R$ 17,7 milhões), Banco Itaú (84 deputados, R$ 16,5 milhões) e OAS Construtora (79 deputados, R$ 13 milhões). Em 2008, as empresas responderam por 86% dos recursos totais de campanha passando a 91% em 2010.
“Além de tudo, esse sistema precisa ser mudado com a diminuição dos custos financeiros das campanhas eleitorais e cassar os direitos políticos daquele candidato que comprar voto ou utilizar recursos de caixa dois. É necessário desenvolver mecanismos para moralizar o sistema eleitoral e dar igualdade de condições a todo aquele que pretender concorrer a um cargo eletivo. Assim seria eleito aquele que representa o povo e não o interesse de algumas empresas”, apontou Ishy, que em abril passado realizou uma audiência pública sobre a reforma política na Câmara Municipal que contou com a participação de centenas de pessoas.
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Foto: Thiago Morais/CMD
Para Ishy, medida aprovada pelos deputados federais prejudica a representatividades dos trabalhadores e institucionaliza os interesses privados