Saber a previsão do tempo, a época de plantar, colher ou ter filhos é muito fácil com os conhecimentos e as tecnologias atuais, mas há cerca de mil anos, no sul do Brasil, não era tão simples ter estas informações. Então índios brasileiros criaram o Observatório Solar e com este “equipamento”, formado basicamente de pedras, eles poderiam saber as respostas das perguntas anteriores e muitas outras.
“Se fosse hoje, o Observatório seria uma espécie de aplicativo de celular, em comparação devido as utilidades que ele tinha”, disse o professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Edmilson de Souza. Tantas são as curiosidades por trás deste dispositivo, que a UEMS tem um Observatório Solar Indígena, na sede em Dourados, que faz parte do catálogo de “Centros e Museus de Ciência do Brasil 2015”, uma publicação com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo o pesquisador, Paulo Souza da Silva, o Observatório Solar é um monumento para observação do cotidiano. Os indígenas precisavam disso, porque dependiam da natureza para a sobrevivência. "Era uma espécie de relógio que os Guarani usavam para vários fins, como festejos, medição das estações, para saber quando tinham que plantar ou colher, quando era o melhor período para pesca, caça e até mesmo para fazer mudança de uma região para a outra. Com isso, podiam fazer previsões e criar cronogramas até para a concepção de bebês", explicou.
Como funciona?
Este equipamento foi criado pelos povos Guaranis, do Paraná. Isto porque eles perceberam que o Sol sempre nasce a leste e se põe a oeste, contudo notaram algo mais: que dependendo da estação do ano, o Sol nasce mais próximo do Sul ou do Norte.
Como pode ser observado na figura, eles faziam um círculo e o dividiam em várias linhas (norte/sul, leste/oeste, noroeste/sudeste, sudoeste/nordeste). Observando, eles perceberam que no verão o dia dura mais, pois o Sol nasce e se põe mais próximo ao Sul (espaço em azul na figura). E no inverno o nascer e o pôr do sol são mais perto do Norte, então o dia dura menos (espaço em marrom). Já no outono e primavera, o dia e a noite tem o mesmo tempo, pois o nascer e o pôr do Sol acontecem mais próximos a linha Leste-Oeste.
As observações dos movimentos do Sol podem ser percebidas por meio da sombra de uma haste vertical – chamada de gnômon -, que fica no centro do Observatório, para determinar o meio dia solar, os pontos cardeais e as estações do ano.
O programa [Stellarium](http://www.stellarium.org/pt_BR/) tem diversos recursos que faz em segundos o que os indígenas demoram anos para constatar e confirmar. [Clique aqui](https://www.youtube.com/watch?v=-MPC9UDjJDI&feature=youtu.be) e veja uma demonstração de como funciona o programa.
Lado Religioso
Além das utilidades para a vida na aldeia, o Observatório também tem significados místicos e religiosos. No centro do círculo, o gnômon, representa uma divindade que está apontando para o céu, para a moradia do deus supremo, o chamado Nhande Ru Ete, este criador do céu e da Terra. Os pontos colaterais são os deuses inferiores que ajudaram Nhande Ru Ete na criação do Universo e da Terra.
Para os Tupi-Guarani, o Sol é o principal regulador da vida na Terra e tem grande significado religioso. Todo o cotidiano deles está voltado para a busca da força espiritual do Sol. (Para saber mais curiosidades clique aqui)
Visitação
O Observatório Solar Indígena da UEMS fica em frente ao prédio do Bloco A, sede administrativa da Universidade em Dourados. Neste ano, acontecerão visitas programadas com instrutores.
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Observatório era utilizado por indígenas para previsões naturais - Foto: Divulgação