A direção do Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) vem a público informar que, ao contrário do que foi sugerido na reportagem “Mulher fica 19 horas com feto morto dentro do útero em Dourados”, não houve falhas técnicas ou éticas no atendimento da paciente durante as duas internações na instituição.
De acordo com o setor de ginecologia e obstetrícia, a paciente teve duas internações nos últimos meses, sempre com os mesmos sintomas de formigamento nas mãos e pés. Com uma hipertensão controlada, tanto a mãe quanto o bebê foram avaliados nas duas ocasiões, inclusive com a realização de exames de ultrassonografia, quando foi constatado que mãe e bebê passavam bem.
Na última internação, a paciente recebeu alta no dia 11 de janeiro, quando mãe e bebê estavam em boas condições, segundo consta nos prontuários médicos. A paciente apenas retornou ao HU/UFGD no dia 24 de janeiro, já com situação de óbito fetal.
O médico ginecologista e obstetra Sidnei Lagrosa Garcia explica que, na maior parte das vezes, o bebê morre devido a doenças da mãe. No entanto, neste caso, a hipertensão, já controlada, não seria motivo para o óbito fetal. No entanto, segundo ele, o bebê tinha um cordão umbilical maior do que o normal – quase um metro de comprimento, quando o normal é entre 40 e 50 centímetros. No caso do bebê citado na reportagem, segundo o especialista, a morte ocorreu pelo chamado “nó verdadeiro”, que é quando se forma um nó no meio do cordão umbilical, evitando assim a passagem de oxigênio da mãe para o feto.
O caso, segundo o especialista, é bastante raro e não pode ser diagnosticado em exames ou avaliações clínicas. “É uma situação rara e impossível de ser identificada pelo médico”, explica. Conforme citado na reportagem, o bebê estava com a chamada “circular de cordão” – quando o cordão umbilical está enrolado no pescoço – mas somente em raríssimos casos esta situação provoca a morte fetal.
Quanto à espera de 19 horas para a expulsão do feto já morto no útero, o especialista explica que o procedimento é adotado para evitar risco materno devido à cirurgia de cesárea. “Um feto morto nunca é retirado por cesárea. Quando há morte fetal, a expulsão deve haver sempre por parto vaginal para evitar que a mãe seja exposta a mais riscos”, diz Sidnei Garcia. Neste caso, a mãe toma uma medicação para induzir o parto normal, que deve ocorrer dentro de até 48 horas. “Não houve nenhum erro técnico ou ético neste atendimento. O problema no cordão umbilical não poderia ser identificado e todos os procedimentos necessários foram feitos”, garante o obstetra.
O HU/UFGD também informa que, ao contrário do que foi citado na reportagem, a assessoria de imprensa não foi consultada antes da publicação e, portanto, não teve tempo de se pronunciar sobre o assunto em tempo hábil.
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###NOTA DA REDAÇÃO
O site Douradosnews entrou em contato com assessoria da UFGD, por volta das 17h00, pouco antes de postar a reportagem para informar de que a mesma entraria no ar, às 17h08. Também foi oferecido a assessoria o tempo de 30 a 40 minutos de espera antes da publicação da matéria, para que houvesse posicionamento da instituição, porém a resposta foi que não havia mais ninguém naquele horário para se pronunciar.
A redação do Douradosnews tentou entrar em contato, através do telefone particular da assessoria direta do HU, entre às 19h e 20h, tendo efetuado em torno de 4 a 5 ligações, sem resposta. Todas caíram na caixa postal, onde foi deixado mensagem para o retorno da ligação.
O Jornal Douradosnews ainda, em contato com a assessoria, na tarde de ontem(26), próximo ao horário em que a matéria iria ao ar, se comprometeu com a assessoria de imprensa da UFGD, de que daria ao HU o mesmo espaço e tempo de veiculação, correspondente ao da matéria
A matéria entrou no ar, ontem(26) por volta das 17h08 e está saindo hoje às 15h10
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