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VISITA DE MINISTRO

Na rota de corredor bioceânico, Dourados pode se tornar centro de distribuição de cargas

11 março 2020 - 11h45Por André Bento

O ministro João Carlos Parkinson de Castro, do Ministério das Relações Exteriores, alerta que Dourados deve se preparar para não perder uma oportunidade de desenvolvimento prestes a surgir. O município está na rota do Corredor Rodoviário Bioceânico, projeto bilionário para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico e estimular negócios no mercado internacional.

Em evento na prefeitura durante a manhã desta quarta-feira (11), o diplomata informou ao Dourados News que em no máximo três anos as obras que envolvem Brasil e Paraguai devem ser concluídas. Ao governo brasileiro cabe construir uma ponte para ligar Porto Murtinho ao distrito paraguaio de Carmelo Peralta.

“Os recursos já estão assegurados, são US$ 75 milhões do Fundo Binacional de Itaipu. O grande investimento foi feito pelo Paraguai, que está pavimentando o Chaco, projeto de US$ 770 milhões, projeto pesado, mas estão fazendo com recursos próprios, emissão de títulos no mercado financeiro internacional”, detalhou.

Segundo ele, isso possibilitará conexão rodoviária entre Porto Murtinho e os portos dos Norte do Chile, particularmente o porto de Antofagasta, que vai representar enormes vantagens para negócios, turismo, e integração maior com a região.

“Terá como vantagens concretas menos 12 dias para chegar ao Pacífico, redução no custo do frete, comercialização de containers a partir dos portos chilenos com redução de custos de 27% para um contêiner de 20 pés, e de 35% para contêiner de 40 pés.

Além disso, o ministro cita a possibilidade de trazer insumos da Ásia e começar a desenvolver na região uma base industrial, com importação de produtos acabados, como carros, computadores, e comercializar, não só em Dourados e Campo Grande, mas distribuir  pelo Centro-Oeste para o Norte do país.

Como exemplos, mencionou os municípios mato-grossenses de Sorriso e Sinop, e a capital do Tocantins, Palmas, áreas que segundo ele “têm hoje poder aquisitivo mas não têm acesso a essa mercadoria”, porque os grandes centros de distribuição de carga no Brasil ainda estão no Sudeste. “A ideia é criar um centro nacional e regional de distribuição de cargas, tanto para importação quanto exportação”, pontua.

“Isso significa gerar empregos, obrigar que o empresário local se familiarize mais com a região, comece a aprender o espanhol e o inglês, a fazer comércio diretamente e não por intermediários com chineses, argentinos, paraguaios, explorar parcerias na região, possibilidade de atrair investimento estrangeiro”, elencou.

Ao destacar que Dourados está na rota, entre Porto Murtinho e São Paulo, o diplomata do Ministério das Relações Exteriores justificou a visita de hoje ao município para “simplesmente chamar atenção e dar informação”.

“Qual é o tipo de carga, qual é o volume de carga, quais os serviços que serão desenvolvidos em Dourados, vai depender muito de vocês. Obviamente Jardim está interessado em captar cargas, Porto Murtinho, Ponta Porã. Agora, o que irá para esses locais nós vamos ainda definir em função da capacitação das pessoas, porque obviamente, se não tiver funcionário capacitado a redistribuir uma carga, ela vai para outro lugar para onde esse profissional exista. Se não tiver internet de qualidade, obviamente não vai ter logística de qualidade”, explicou.

Conforme o ministro, são esses os fatores que vão determinar para onde a carga irá. “Onde a carga for vai gerar emprego, desde empresa para limpeza de escritórios até despachante, seguradoras, tradutores, administradores, uma série de empresas que vão se instalar em função da chegada de carga estrangeira e nacional”, ressalta.

Outro reflexo do Corredor Rodoviário Bioceânico mencionado pelo ministro João Carlos Parkinson de Castro deve ser o estímulo à maior utilização da hidrovia Paraguai Paraná.

“Pretendo, através do corredor, do movimento de carga que isso vai gerar, trazer também ferrovia para o Estado, reativando o terminal de Ponta Porã Indubrasil, promovendo integração ferroviária de Ponta Porã a Concepción”, disse.

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