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HISTÓRIAS DE DOURADOS

Na contramão da tecnologia, comerciante 'teima' em manter correio para comunidade

22 julho 2021 - 13h47Por Wender Carbonari

Antes mesmo da principal Avenida de Dourados ser pavimentada, a caixa postal número 65 já ‘conectava’ a comunidade de imigrantes japoneses com os familiares que permaneceram no Japão. O serviço de correio é levado adiante há mais de seis décadas por pura insistência de Kosuke Ono. 

Nem mesmo os avanços tecnológicos nestes últimos anos, que possibilitaram o contato praticamente instantâneo com pessoas a milhares de quilômetros de distância, fez o comerciante de 88 anos de idade deixar de lado o sistema de correio. 

“Comecei a pegar as correspondências em 1955, abri [a Casa Ono] nos anos 1970 e estou aqui até hoje. Esta loja não está ganhando não [se referido aos lucros do estabelecimento comercial], eu que sou teimoso sabe. Sou assim mesmo”, disse o simpático senhor Kosuke antes de dar uma boa gargalhada. 

O assunto surgiu durante conversa com a equipe de reportagem do Dourados News nesta manhã de quinta-feira (22). 

Kosuke Ono desembarcou no Brasil em 1953. Entre os diversos assuntos, ele fez questão de mencionar a importância do correio para as famílias que moravam na zona rural dos municípios próximos de Dourados e que não possuíam a própria caixa postal. 

Passados 66 anos, a necessidade do serviço de correio inaugurado pela família Fuginaka foi aos poucos perdendo força diante da popularidade dos aparelhos telefônicos e do advento da internet, resultando na comodidade proporcionada pelas redes sociais como, por exemplo, o Fabebook e o WattsApp

 “Agora é pouco né. Mas ainda tem correspondência, jornal japonês, que chegam aqui. Tinham também as revistas que são poucas agora”, comentou Kosuke explicando que esta era a única maneira dos japoneses acompanhar o que acontecia no país de origem. 

Kosuke inaugurou a Casa Ono na Avenida Marcelino Pires em Dourados nos anos 1970 - (Crédito: Hedio Fazan/Dourados News)

Só terra

Além do correio da comunidade japonesa, Kosuke Ono falou sobre as dificuldades enfrentadas pelas famílias recém-chegadas nesta região nas décadas de 1950 e 1960. 

Não havia sequer uma rua asfaltada em Dourados. Antes de se tornar comerciante, Kosuke trabalhou em uma plantação de café e residia em Fátima do Sul. “Sabe aquela ponte?  Não tinha naquele tempo. Não tinha nada. A gente atravessava em uma balsa feita de tambores e tábuas”, recordou. 

O imigrante disse ainda que após sair de Fátima do Sul, morou por dez anos em Itaporã, antes de se mudar definitivamente para Dourados no início dos anos 1970, quando inaugurou a Casa Ono. 

Esta nostálgica vendinha localizada na Avenida Marcelino Pires é conhecida na cidade por manter o estilo “anos 1970”, com balança, caixa registradora e prateleiras antigas. Mais uma ‘teimosia’ de seu Kosuke. 

Por fim, questionado sobre a saúde, no auge dos 88 anos, o hoje douradense disse que mantém a forma andando de bicicleta e jogando tênis duas vezes por semana. 

Além da parte física, Kosuke também se mostrou preocupado com a saúde mental, tanto que estava lendo um livro escrito em japonês quando o abordamos. “Com a minha idade, se fico em casa na frente da televisão como que vou fazer? Caduca rápido”, comentou em tom humorado. 

Para além da aparência ‘retrô’ de sua loja, a atenção e bom atendimento de seu Kosuke também nos remete há outros tempos. 
 

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